ac 3839

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E disse a Labão: Que [é] isto que me fizeste?!’ que signifique a indagação, é o que se vê pela afeição nessas palavras e nas que seguem; que haja indignação, é evidente, a qual, segundo a série histórica, cai nessas palavras. Há duas coisas que constituem o sentido interno da Palavra, a saber, as afeições e os fatos; as afeições que estão ocultas nos vocábulos da Palavra não se manifestam diante do homem, mas estão intimamente escondidas ali e não podem se manifestar, porque o homem, enquanto vive no corpo, está em afeições mundanas e corporais que nada têm de comum com essas afeições que estão no sentido interno da Palavra; com efeito, ali estão as afeições do amor espiritual e celeste, que o homem pode tanto menos perceber, porquanto são poucos os que estão nessas afeições, e que esse pequeno número se compõe em grande parte de homens simples que não podem refletir sobre as afeições; todos os outros nem sequer sabem o que é uma afeição genuína. Essas afeições estão na caridade para com o próximo e no amor a Deus. Os que não estão nessas afeições creem que elas nada são, ainda que seja certo que essas afeições encham todo o céu, e isso com uma variedade inefável. São tais afeições que, com as suas variedades, foram escondidas no sentido interno da Palavra, e elas ali estão não só em cada série, mas também em cada vocábulo, e até em cada iota, e elas brilham diante dos anjos quando a Palavra é lida pelos que estão no simples bem e, ao mesmo tempo, na inocência, e isto, como se disse, com uma variedade infinda.
[2] Há principalmente dois tipos de afeições que brilham da Palavra diante dos anjos, a saber, as afeições do vero e as afeições do bem: as afeições do vero diante dos anjos espirituais e as afeições do bem diante dos anjos celestes. Estas, a saber, as afeições do bem, que pertencem ao amor ao Senhor, são absolutamente inefáveis diante do homem, por isso são também incompreensíveis; mas as afeições do vero, que pertencem ao amor mútuo, podem de algum modo ser compreendidas quanto ao que elas têm de mais comum, mas somente para os que estão no amor mútuo genuíno, e isto não por alguma percepção interna, exceto se ela for obscura.
[3] Para exemplo, seja a afeição da indignação, de que se trata aqui: O homem que não sabe o que é a afeição da caridade por esse motivo, por não estar nessa afeição, não pode ter da afeição da indignação uma outra ideia senão a da indignação tal qual ela está no homem quando se lhe faz mal, que é uma indignação de cólera [iræ]. Mas tal indignação não existe entre os anjos, mas a indignação é inteiramente diferente, que não é de cólera, mas sim de zelo; nela não há coisa alguma do mal, e também está tão afastada do ódio, ou da vingança, ou da retribuição do mal pelo mal, quanto o céu está afastado do inferno, pois ela brota do bem. Mas, como se disse, não se pode exprimir por palavras qual ela é.
[4] O mesmo acontece com todas as afeições que provêm do bem e vero e que pertencem ao bem e vero. Isso é também evidente nisso, que os anjos estão somente nos fins e nos usos dos fins (n. 1317, 1645, 3645); os fins não são outra coisa senão os amores ou as afeições (n. 1317, 1568, 1517, 1909, 3425, 3796), pois o que o homem ama, isto ele tem como fim; e porque assim acontece, elas estão nas afeições das coisas que estão na Palavra, e isso com toda variedade, conforme os gêneros de afeições em que estão os anjos. Por tudo isso se pode ver satisfatoriamente quão santa é a Palavra, pois a santidade está no amor Divino ou no amor que procede do Divino e, por conseguinte, nas coisas que nela estão.

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