ac 3849

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E Labão deu Bilhah, sua serva, a Raquel, sua filha, a ela, por serva’; que signifique as afeições exteriores que são os vínculos ou os meios que servem, é o que se vê pelo que se disse acima (n. 3835). Que pela serva ‘Bilhah’ sejam significadas as afeições exteriores, e por ‘Zilpa’, serva de Leah, as afeições externas, é porque por Raquel é representada a afeição do vero interno, e por Leah a afeição do vero externo; as afeições exteriores são afeições naturais servindo aos internos. Que essas afeições sejam os meios que servem à conjunção do vero com o bem, é porque nada do que pertence à doutrina, nem mesmo nada do que pertence ao conhecimento, pode entrar no homem a não ser por meio das afeições, porque a vida está nas afeições e não nos veros da doutrina e do conhecimento sem as afeições. Que isso seja assim é o que é bastante evidente; com efeito, sem a afeição o homem não pode sequer pensar, e mais, nem mesmo pode pronunciar uma só palavra; quem prestar atenção a isso perceberá que um vocábulo sem a afeição é como um vocábulo de um autômato, portanto, apenas um som sem vida, e quanto maishá a afeição e qual é a afeição nele, tanto mais pertence à vida e tal é a vida nele. Daí se vê o que são os veros sem o bem, e que nos veros há a afeição proveniente do bem.
[2] É também o que se pode saber pelo entendimento do homem; esse entendimento é nulo a não ser que a vontade esteja nele, porquanto a vida do entendimento vem da vontade. Daí também se vê o que são os veros sem o bem, a saber, eles são nulos e obtêm a sua vida do bem, pois os veros pertencem à parte intelectual, e o bem pertence à parte voluntária. Sendo assim, cada um pode julgar o que é a fé que pertence ao vero sem a caridade que pertence o bem, e que os veros da fé sem o bem da caridade são mortos, pois, como foi dito, não há vida nos veros senão tanto quanto há afeição, e a qualidade da vida é tal qual é a afeição. No entanto, que os veros ainda assim apareçam animados, embora o bem da caridade aí não esteja, vem isso das afeições do amor de si e do mundo, queoutra vida não têm, senão a que, no sentido espiritual, é denominada morte, e que é a vida infernal. Diz-se afeição e por ela se entende um contínuo do amor.
[3] Por essas explicações é possível agora ver que as afeições são os meios que servem para conjunção do vero com o bem, e que são as afeições que introduzem os veros e, também, que dispõem os veros em ordem: as afeições genuínas, que pertencem ao amor ao Senhor e ao amor para com o próximo, os dispõem na ordem celeste; mas as afeições más, que pertencem ao amor de si e do mundo, os dispõem na ordem infernal, isto é, em uma ordem oposta à ordem celeste.
[4] As afeições mais exteriores são as que pertencem ao corpo, e são denominadas apetites e prazeres dos sentidos [ou voluptuosidades]; as que são mais proximamente interiores pertencem à mente natural [animi] e são denominadas afeições naturais; as internas por sua vez pertencem à mente racional e são denominadas afeições espirituais; para essas afeições, a saber, para as afeições espirituais da mente, são introduzidos os veros que pertencem às coisas doutrinais por meio das afeições exteriores e das mais exteriores, ou seja por meio das naturais e das corporais; estas são, pois, os meios para servir, e elas são significadas pelas servas dadas por Labão, uma a Raquel e a outra a Leah. Diz-se que elas eram servas de Labão, isso significa que elas obtiveram a sua origem do bem que é representado por Labão e de que já se falou. Com efeito, os veros que são primeiro aprendidos, não podem ser insinuados pela primeira vez por outras afeições; as afeições genuínas vêm com o tempo, e é somente quando o homem age a partir do bem.

Versão impressa (opcional)

Para estudo mais confortável, você pode adquirir esta obra em formato impresso: ver orientações.