Texto
. Acima (n. 3858) foi demonstrado que as doze tribos significaram todas as coisas do vero e do bem, ou da fé e do amor; agora, porque se trata de cada um dos filhos de Jacó, a partir dos quais foram nomeadas as tribos, por isso aqui um segundo arcano deverá ser aberto, a saber, o que cada um desses nomes envolve. Que todo calor celeste e todo calor espiritual, ou todo amor e toda caridade, é percebido no céu na forma externa como uma chama que procede do Sol, e que toda luz celeste e toda luz espiritual, ou toda fé, se manifesta no céu na forma externa como uma luz que procede do Sol, então, que esse calor celeste e espiritual tem em si a sabedoria, e que a luz produzida por esse calor tem em si a inteligência, e isso porque procede do Senhor, Que no céu é o Sol, foi visto (n. 1053, 1521 a 1533, 1619 a 1632, 2441, 2495, 2776, 3138, 3167, 3190, 3195, 3222, 3223, 3338, 3339, 3341, 3413, 3485, 3636, 3643). Daí é evidente que todo bem vem do calor que procede do Senhor como Sol, e que todo vero vem da luz que procede daí; e daí também se vê que todas as afeições que pertencem ao amor ou ao bem, são as variações desse calor celeste e espiritual que procede do Senhor, e que daí venham as mudanças de estado; e que todos os pensamentos, que pertencem à fé ou ao vero, são as variegações dessa luz celeste e espiritual que procede do Senhor, e que daí venha a inteligência. É nessas variações e nessas variegações que estão todos os anjos que estão no céu, as suas afeições e seus pensamentos não vêm de outra parte e não são outra coisa. Isso é evidente pelas suas linguagens, que obtendo daí a sua origem, são variegações ou modificações da luz celeste em que está o calor celeste, por isso essas linguagens são também inefáveis, e de tal variedade e plenitude, de modo que são incompreensíveis (n. 3342, 3344, 3345).
[2] Para que essas coisas fossem estabelecidas de um modo representativo no mundo, deu-se a cada um dos filhos de Jacó nomes que significavam os universais do bem e do vero, ou do amor e da fé, por conseguinte, os universais quanto às variações do calor celeste e espiritual, e quanto às variegações da luz que daí provém. A ordem mesma desses universais é o que determina a chama e o esplendor provenientes dessa chama. Quando a ordem começa pelo amor, tudo que daí se segue na ordem genuína se apresenta inflamado; e quando a ordem começa pela fé, tudo que segue na ordem genuína se mostra resplandecente, mas com toda diferença conforme as coisas que se seguem. Ao contrário, se não for conforme a ordem genuína, há obscuridade com toda diferença; mas na continuação, pela Divina Misericórdia do Senhor, se falará da ordem e da diferença que daí provém. Daí vem agora que o Senhor dava respostas pelo Urim e o Thumim, e que, segundo o estado da coisa, recebiam-se as respostas pelas luzes e o resplendor das luzes pelas pedras preciosas e brilhantes sobre as quais tinham sido inscritos os nomes das doze tribos; pois, como foi dito, nesses nomes tinham sido inscritos os universais do amor e da fé que estão no Reino do Senhor, por conseguinte, os universais da chama e da luz, pelas quais as coisas que pertencem ao amor e à fé são representadas no céu.
[3] Permite-se, portanto, primeiramente confirmar pela Palavra que a ordem dos nomes em que são mencionadas as tribos é diferente na Palavra, e isso segundo o estado da coisa de que ali se trata; e que daí se pode saber que as respostas do Senhor dadas por meio do Urim e Thumim eram resplendores de luz conforme o estado da coisa proveniente da ordem. Com efeito, toda luz no céu varia segundo os estados da coisa, e os estados da coisa o são segundo a ordem do bem e do vero. Quanto ao que é significado do vero e do bem por cada um [dos filhos de Jacó], ver-se-á claramente pela explicação, a saber, que, por Rúben é significada ‘a fé procedente do Senhor’; por Simeão, ‘a fé da vontade’ que procede do Senhor; por Levi, ‘o amor espiritual’ ou ‘caridade’; por Judá, ‘o Divino do amor e o Reino celeste do Senhor’; quanto ao que é significado pelos oito outros filhos, se falará a respeito no capítulo seguinte. A sua ordem segundo o nascimento [ou a natividade] é o que de descreve aqui; nesta ordem eles se seguem assim: Rúben, Simeão, Levi, Judá, Dã Naftali, Gad, Aser, Issascar, Zebulon, José, Benjamin (ver neste cap. vers. 32, 33, 34, 35; cap. 30, vers. 6, 8, 11, 13, 18, 20, 24; cap. 35:18); essa ordem é segundo o estado da coisa de que se trata aqui, isto é, segundo o estado da regeneração do homem, porque então se começa pelo vero da fé, que é Rúben, e daí se avança para querer o vero, que é Simeão, depois, para a caridade, que é Levi; assim, para o Senhor, que, no sentido supremo, é Judá. Que a concepção e parto espirituais, ou a regeneração, vai do externo para o interno, isto é, do vero da fé para o bem do amor, é o que se disse (n. 3860).
[4] Antes de Jacó voltar para Isaque, seu pai, em Mamre (Kiriath-Arba) eles são nomeados nesta ordem: Rúben, Simeão, Levi, Judá, Issascar, Zebulon, José, Benjamin, Dã, Naftali, Gad e Aser (Gn. 35:23, 24, 25, 26); onde são postos em primeiro lugar os que nasceram de Leah e de Raquel, e depois os que nasceram das servas, e isso segundo o estado da coisa de que ali se trata. Eles são ainda recenseados em outra ordem, quando partiram indo para o Egito, (Gn. 46:9 ao 19); e em outra ordem quando Jacó, então Israel, os abençoou antes de sua morte (Gn. 49:3 ao 27); e em uma outra quando foram abençoados por Moisés, (Dt. 38: 6 ao 24). Quando eles acampavam ao redor da Tenda da Convenção, eles estavam nesta ordem: Ao oriente: Judá, Issascar, Zebulon; ao sul: Rúben, Simeão, Gad; ao ocidente: Efraim, Manassés, Benjamin; ao norte: Dã, Aser, Naftali (Nm. 2:1 ao fim). Quanto à ordem em que eles estiveram para as bênçãos dadas ao povo do monte Gerizim, e para as maldições no monte Ebal, vê-se em Dt. 27:12, 13. Quando os chefes de cada Tribo foram enviados para explorar a terra [de Canaã], eles foram recenseados nesta ordem: Rúben, Simeão, Judá, Issascar, Efraim, Benjamin, Zebulon, José (ou Manassés), Dã, Aser, Naftali, Gad (Nm. 13:4 ao 16). Mas eles são nomeados em outra ordem quando se trata dos chefes que deviam dar a terra em herança (Nm. 34:19 ao 29). Vê-se em Josué, cap. 13 ao 19, a ordem em que a sorte foi lançada e saiu quando a terra foi dada em herança.
[5] Quando, em Ezequiel, se trata dos limites da Terra Nova ou Santa, que as tribos deviam ter em herança, fala-se delas nesta ordem: Dã, Aser, Naftali, Manassés, Efraim, Rúben, Judá, Benjamin, Simeão, Issascar, Zebulon, Gad, todos desde o ângulo para o oriente até ao ângulo do mar ou do ocidente, exceto Gad, que estava no ângulo do sul para o sul (48:2 ao 8; 23 ao 28); e quando se trata dos portões da Cidade Nova ou Santa, eles são nomeados nesta ordem: Para o norte, os três portões de Rúben, de Judá, de Levi; para o oriente, os três portões, de José, de Benjamin, de Dã; para o sul, os três portões de Simeão, de Issascar, de Zebulon; para ocidente, os três portões, de Gad, de Aser, de Naftali (Ez. 48: 31 ao 34). Quanto à ordem dos doze mil marcados de cada tribo, ver o Apocalipse, 7:5 ao 8. Em todas essas passagens o recenseamento das tribos é feito absolutamente segundo o estado da coisa de que ali se trata, ao qual a ordem corresponde; o estado mesmo da coisa é manifestado pelo que precede e pelo que segue.
[6] Menciona-se e descreve-se na Palavra qual era a ordem das pedras preciosas no Urim e no Thumim, mas não se menciona a que tribo cada uma das pedras correspondia, porquanto o que elas representavam eram todas as coisas da luz provenientes da chama celeste, isto é, todas as do vero provenientes do bem, ou todas as da fé provenientes do amor; e por ser isso o que elas representavam, a luz celeste mesma brilhava [através delas] milagrosamente conforme o estado da coisa sobre o qual se fazia a pergunta e se dava a resposta, brilhante e resplandecente para o afirmativo do bem e do vero, além das variegações quanto às cores segundo as diferenças do estado do bem e vero, como no céu, onde, pelas luzes e as discriminações, todas as coisas celestes e espirituais são expressas, e isso, de um modo inefável e absolutamente incompreensível para o homem, porquanto, assim como foi algumas vezes demonstrado, na luz celeste há a vida procedente do Senhor, por conseguinte, a sabedoria e a inteligência. Daí, nas discriminações de luz há tudo que pertence à vida [do vero], isto é, tudo que pertence à sabedoria e à inteligência, e nas discriminações da chama, da luminosidade e do esplendor, tudo que pertence à vida do bem e à vida do vero proveniente do bem, ou ao amor ao Senhor e à fé proveniente desse amor. Tal foi então o Urim e o Thumim que estava sobre o peitoral do éfode e sobre o coração de Aharão; o que é ainda evidente no fato que Urim e Thumim significam luzes e perfeições, e no fato que o peitoral sobre o qual estava o Urim e o Thumim era chamado peitoral do juízo, porque o juízo é a inteligência e a sabedoria (n. 2235). Que ele estava sobre o coração de Aharão, é porque o coração significa o amor Divino (ver n. 3635 e no fim deste capítulo). Também por isso, essas pedras preciosas estavam [fixadas] em engastes de ouro, visto que o ‘ouro’, no sentido interno, é o bem que pertence ao amor (n. 113, 1551, 1552), e a ‘pedra preciosa’ é o vero que reluz pelo bem (n. 114).
[7] Eis o que se diz sobre o Urim e o Thumim em Moisés:
“Farás o Peitoral do Juízo, obra de invenção, como a obra do éfode a farás, de ouro, de jacinto, e purpura e de escarlate tingido duas vezes, e de fino linho fá-la-ás; quadrado será duplo; e encherás nele enchimentos de pedras, quatro ordens de pedras serão; engastadas de ouro serão nos seus enchimentos: e as pedras serão segundo os nomes dos filhos de Israel, doze segundo os nomes deles; em gravuras de selo, em cada um segundo o seu nome serão pelas doze tribos” (Êxodo, 28:15 a 21; 39: 8 a 14);
nesta mesma passagem as pedras são também designadas, cada uma em sua ordem; e mais além:
“Não se retire o Peitoral de cima do éfode; e levará Aharão os nomes dos filhos de Israel no Peitoral do Juízo, sobre o seu coração, ao entrar ele para o santo, como memorial diante de JEHOVAH perpetuamente; e darás ao Peitoral do Juízo o Urim e o Thumim, e estarão sobre o coração de Aharão, ao entrar ele diante de JEHOVAH, e levará Aharão o Juízo dos filhos de Israel sobre o seu coração diante de JEHOVAH perpetuamente” (Êxodo 28:28, 29, 30; Levítico 8:7, 8).
Que JEHOVAH, ou o Senhor, tenha sido interrogado e tenha dado respostaspelo Urim, vê-se em Moisés:
“Disse JEHOVAH a Moisés: Toma Josué, filho de Nun; darás da tua glória sobre ele, para que obedeça toda a congregação dos filhos de Israel. Diante de Eleasar, o sacerdote, estará, e interrogá-lo-á pelo Juízo do Urim diante de JEHOVAH” (Nm. 27:18, 20, 21).
E em Samuel:
“Saul interrogou JEHOVAH, e JEHOVAH não lhe respondeu, mesmo por sonho, nem pelo Urim, nem pelos profetas” (1Sm. 28:6).