Texto
. ‘Porque agora meu varão me amará’; que signifique que daí virá o bem que pertence ao vero, é o que se vê pela significação de ‘amará’, que é daí virá o bem, uma vez que todo bem pertence ao amor, razão por que isso é significado aqui por ‘amar’; e pela significação do ‘varão’, que é o vero (n. 3134). Anteriormente foi explicado algumas vezes o que é o bem que pertence ao vero, a saber, que é a afeição do vero por causa da vida, pois a vida é o bem que é considerado no vero pelos que depois são regenerados; sem a vida segundo o vero não se opera conjunção alguma do vero com o bem, por conseguinte, nenhuma apropriação.
[2] Isto evidentemente qualquer um pode ver se presta atenção aos que vivem mal e aos que vivem bem. Em relação aos que vivem mal, ainda que em sua meninice e em sua juventude eles tenham possuído, tão bem como os outros, os doutrinais da igreja, se se examinar o que eles creem do Senhor, da fé no Senhor e dos veros da igreja, descobrir-se-á que eles não creem em coisa alguma; mas com os que vivem bem se descobrirá que cada um deles tem fé nos veros que eles creem ser veros. Aqueles que ensinam os veros, como os chefes da igreja, e que vivem mal, dizem, de fato, que eles creem, mas, apesar disso, eles não creem de coração.
[3] Em alguns há um persuasivo que simula a fé, mas o persuasivo é tal, que é um conhecimento confirmado não porque ele seja verdadeiro, mas porque devem proclamá-lo publicamente por causa de seu ofício, de sua honra e do proveito que daí eles tiram. Ora, isso não vai mais alto do que pelos ouvidos à memória, e sai da memória nos lábios, mas não entra no coração, e daí na confissão. Daí é evidente que a vida mostra qual é o reconhecimento do vero, isto é, qual é a fé; e [mostra] que a fé separada do bem da vida diz que, seja qual for o modo que o homem viva, ele pode ser sempre salvo pela graça, e diz que ele raciocina contra tal doutrina, [se pensa] que a vida de cada um permanece depois da morte.