Texto
. ‘Que eu [sou] odiada’; que signifique o estado da fé se a vontade não é a ela correspondente, é o que se vê pela significação ‘[ser] odiada’, que é não ser amada, porquanto tal é o estado da fé se a vontade não lhe corresponde. No sentido interno, trata-se do progresso da regeneração do homem do externo para o interno, isto é, do vero da fé para o bem da caridade. O vero que pertence à fé é o externo, e o bem que pertence à caridade é o interno; para que o vero que pertence à fé viva, ele deve ser conduzido para a vontade, a fim de que ele aí receba a vida, afinal, o vero vive não pelo saber, mas pelo querer. A vida influi do Senhor pelo novo querer que Ele cria no homem; a primeira vida se manifesta pela obediência, que é a primeira coisa da vontade; a segunda vida, pela afeição de fazer o vero, que é o progressivo da vontade, afeição que então existe quando se percebe o prazer e a bem-aventurança ao fazer o vero. A não ser que tal progresso da fé se efetue, o vero não se torna vero, mas se torna alguma coisa separada da vida, certas vezes confirmativo do falso e certas vezes persuasivo, assim, alguma coisa de corrompida, pois ele se une com a afeição má do homem, ou sua cobiça, isto é, com a sua vontade própria, que é contrária à caridade. Tal é a fé que muitos homens hoje creem ser a fé, e que eles dizem dever por si só salvar sem as obras da caridade.
[2] Mas essa fé, a saber, a fé separada da caridade, e, portanto, contrária à caridade, é representada no que segue por Rúben, no fato de se ter ele deitado com Bilhah, concubina de seu pai (Gn. 35:22), e ele foi amaldiçoado nestes termos por Jacó, então Israel:
“Rúben, meu primogênito, tu [és] a minha força, e o princípio da minha virtude, ... és leve como a água, mas não serás [o mais] excelente, porque subiste no leito do teu pai, então poluíste, subiste à minha cama” (Gn. 49:3, 4);
dessa fé, a saber, da fé separada da caridade, a vontade e a afeição contrárias à caridade são também descritas ali por Simeão e Levi, nestes termos:
“Simeão e Levi [são] irmãos, armas de violência [são] as espadas [macheræ] deles; no arcano deles não venha a minha alma, na reunião deles não se una minha glória, porque no seu furor mataram o varão, e na sua vontade desnervaram o boi. Maldito [seja] o furor deles, porque [foi] veemente, e a ira deles, porque [foi] pesada. Dividi-los-ei em Jacó, e dispersá-los-ei em Israel” (Gn. 49:5, 6, 7);
que seja a fé separada da caridade que foi descrita por eles, na sequência, pela Divina Misericórdia do Senhor, se mostrará.