Texto
. ‘E disse: Esta vez confessarei JEHOVAH’; que signifique, no sentido supremo, o Senhor, no sentindo interno, a Palavra, no sentido externo, a doutrina que dela provém, aqui, o Divino do amor e o Reino celeste do Senhor, é o que se vê pela significação de ‘confessar’291. Que no sentido externo ou no sentido interior mais perto, ‘confessar’ signifique a doutrina que provém da Palavra, isso é evidente. Com efeito, a confissão não é outra coisa, mesmo na linguagem comum, senão a declaração de sua fé perante o Senhor, assim, ela compreende em si as coisas que o homem crê, por conseguinte, as coisas que para ele são a Doutrina. Que, no sentido interno, ‘confessar’ seja a Palavra, é uma consequência disso; com efeito, toda doutrina da fé e da caridade deve ser extraída da Palavra, porquanto o homem de si próprio nada sabe a respeito das coisas celestes e espirituais, razão por que deve extraí-la da revelação Divina, que é a Palavra. Que ‘confessar’, no sentido supremo, seja o Senhor, é porque o Senhor é a Palavra, por conseguinte, a doutrina extraída da Palavra, e porque a Palavra no sentido interno visa o Senhor somente e trata de Seu Reino (n. 1871, 2859, 2894, 3245, 3305, 3393, 3432, 3439, 3454), daí vem que ‘confessar a JEHOVAH’ significa o Divino do amor e o Reino celeste do Senhor, porque o Senhor é o Divino Amor mesmo, e o influxo desse amor faz o Reino d’Ele, e isso por meio da Palavra, que procede d’Ele. Que por ‘Judá’, cujo nome é derivado de ‘confessar JEHOVAH’, é significado o Divino do amor e o Reino celeste do Senhor, isso foi demonstrado antes (n. 3654), daí vem que se diga que confessar tem aqui essa significação.
[2] Quanto ao que é ‘confessar’ e o que é a confissão, pode-se ver pelas passagens na Palavra, em que são lembradas; por exemplo, em Isaias:
“Dirás nesse dia: Confessar-Te-ei JEHOVAH, porque [ainda que Te] iraste contra mim; retirou-se a Tua ira, e consolaste-me [...] E direis nesse dia: CONFESSAI JEHOVAH, invocai o Nome d’Ele, tornai conhecidas ao povo as obras d’Ele, lembrai quão exaltado é o Nome d’Ele” (12:1, 4).
Em Davi:
“Confessamos a Ti, ó Deus, confessamos, e próximo [está] o Teu Nome; narrarão as Tuas maravilhas” (Salmo 75:2 [Em JFA, 75:1]).
No mesmo:
“Salmo para aconfissão: Celebrai com jubilo a JEHOVAH, toda a terra; ...Ele nos fez, e não nós, Seu povo e rebanho da Sua pastagem, por isso d’Ele nós [somos], povo d’Ele e rebanho da pastagem d’Ele. Entrai pelos portões d’Ele com confissão, nos átrios d’Ele com louvor; confessai-O, bendizei o Nome d’Ele, porque bom [é] JEHOVAH, para a eternidade [é] a Misericórdia d’Ele, e de geração em geração a verdade d’Ele” (Salmo 100:1 a 5);
aí se vê claramente o que é ‘confessar’, e o que é a ‘confissão’, isto é, que é reconhecer JEHOVAH, ou o Senhor, e as coisas que Lhe pertencem; que esse reconhecimento é a Doutrina e a Palavra, isto é evidente.
[3] Em Isaias:
“JEHOVAH consolará Sião, consolará todas as vastações dela, alegria e regozijo será encontrado nela, confissão e voz de canto” (51:3).
Em Jeremias:
“Assim disse JEHOVAH: Eis Eu tomarei o cativeiro das tendas de Jacó, e dos habitáculos d’Ele me apiedarei, e será edificada a cidade sobre o seu túmulo, e o palácio segundo o seu costume será habitado; e sairá deles confissão e voz dos tocadores” (30:18, 19).
Em Davi:
“Confessarei JEHOVAH segundo a justiça d’Ele, e cantarei o Nome de JEHOVAH, o Altíssimo” (Sl. 7:18).
No mesmo:
“Quando passar até a casa de Deus com voz de canto e de confissão, com a multidão fazendo festa” (Salmo 42:5).
No mesmo:
“Confessarei a Ti entre as nações, ó Senhor; salmodiarei a Ti entre os povos, porque grande [é] até ao céu a Tua Misericórdia” (Salmo 57:10, 11).
[4] Por essas passagens é evidente que a ‘confissão’ se refere ao celeste do amor; com efeito, ela se distingue das coisas que pertencem ao espiritual do amor, pois se diz ‘confissão e voz de canto’, ‘confissão e voz de tocadores’, ‘confessarei a Ti entre as nações’ e ‘salmodiarei a Ti entre os povos’. A ‘confissão’ e ‘confessar’ é para o celeste; a ‘voz de canto’, a ‘voz de tocadores’ e ‘salmodiar’ são para os espirituais; também ‘confessar entre as nações’ e também ‘salmodiar entre os povos’, porque as ‘nações’ significam os que estão no bem, e os ‘povos’ os que estão no vero (n. 1416, 1849, 2928); isto é, aqueles que estão no amor celeste e os que estão no amor espiritual. Com efeito, na Palavra, nos Profetas, ocorrem na maioria das vezes duas expressões, uma das quais se refere ao celeste ou ao bem, e a outra, ao espiritual, ou ao vero, para que haja o casamento Divino em cada coisa da Palavra, assim o casamento do bem e do vero (ver os n. 683, 793, 801, 2173, 2596, 2712, 3132). Daí é ainda evidente que a confissão envolva o celeste do amor, e que a confissão genuína ou que provém do coração não existe senão a partir do bem, enquanto a que provém do vero é dita ‘voz do canto’, a ‘voz dos que cantam’ e ‘salmodiar’.
[5] O mesmo acontece nessas passagens: Em Davi:
“Louvarei o Nome de Deus por um cântico, e O farei grande [por uma] confissão” (Sl. 69:31 [Em JFA, 69:30]).
No mesmo:
“Eu confessar-Te-ei com o instrumento de corda, [bem como] a Tua verdade, ó meu Deus, cantar-Te-ei com a cítara, ó Santo de Israel” (Salmo 71:22).
Que por ‘cantar com a cítara e os outros instrumentos de corda’ sejam significados os espirituais, ver n. 418, 419, 420. No mesmo:
“Entrai pelos portões d’Ele com confissão, nos átrios d’Ele com louvor; confessai-O, bendizei o Nome d’Ele” (Salmo 100:4);
‘confissão’ e ‘confessar’ provêm do amor do bem; mas o ‘louvor’ e o ‘bem-dizer’ provêm do amor do vero. No mesmo:
“Respondei a JEHOVAHpor meio da confissão, salmodiarei ao nosso Deus com cítara” (Sl. 147:7).
No mesmo:
“Confessar-Te-ei em congregação grande, entre um povo numeroso louvar-Te-ei” (Sl. 35:17, 18).
No mesmo:
“Confessarei a JEHOVAH pela minha boca, e no meio de muitos O louvarei” (Sl. 109:30).
No mesmo:
“Nós, Teu povo, e rebanho do Teu pasto, confessar-Te-emos eternamente, de geração a geração cantaremos o Teu louvor” (Sl. 79:13).
No mesmo:
“Confessem a JEHOVAH pela Misericórdia d’Ele, e pelas maravilhas d’Ele aos filhos do homem. Sacrifiquem sacrifícios de confissão, e anunciem as obras d’Ele com canto” (Sl. 107:21, 22).
[6] Que nessas passagens há duas expressões de uma só coisa, é evidente, estas pareceriam inúteis repetições exceto se uma envolvesse o celeste, que é o bem, e a outra, o espiritual, que é o vero; assim, o casamento Divino; o Reino do Senhor mesmo é um tal casamento. Este arcano se encontra em toda a parte da Palavra, mas não pode jamais ser desvendado senão por meio do sentido interno e, por isso, pela cognição que uma das palavras pertence à classe celeste, e a outra, à espiritual; mas em geral é preciso saber o que é o celeste e o que é o espiritual, dos quais antes se tratou muitas vezes.
[7] A confissão mesma do coração, porque vem do amor celeste, é a confissãono seu sentido genuíno. O homem que está nessa confissão, este reconhece que todo bem procede do Senhor e que todo mal procede de si mesmo; quando ele está nesse reconhecimento, ele se acha no estado de humilhação, porquanto reconhece então que o Senhor é tudo nele, e que ele mesmo nada é relativamente; quando a confissão se faz a partir desse estado, então ela provém do amor celeste.
[8] Os sacrifícios de confissão, que se efetuaram na Igreja Judaica, eram ações de graças, e se chamavam, em um sentido universal, sacrifícios eucarísticos292 e retributivos; eram de dois gêneros, a saber, de ‘confissão’ e ‘votivos’. Que os ‘sacrifícios de confissão’ tenham envolvido o celeste do amor, é o que se pode ver por sua instituição, de que assim se fala em Moisés:
“Esta é a lei do sacrifício dos eucarísticos, que será oferecido a JEHOVAH: Se por confissão oferecê-lo, então oferecerá, além do sacrifício de confissão, bolos ázimos amassados com azeite, e bolinhos ázimos untados com azeite, e da flor de farinha frita, bolos amassados com azeite, sobre bolos de pães fermentados oferecerá o seu presente, além do sacrifício de confissão” (Levítico, 7:11, 12, 13, 15).
Por todos os objetos que estão aqui mencionados, como os ‘bolos ázimos amassados com azeite’, os ‘bolinhos ázimos amassados com azeite’, a ‘flor de farinha frita’, os ‘bolos de pão fermentados’, são significadas as coisas celestes do amor e da fé e, portanto, as confissões, e que elas devem se fazer na humilhação. Que a flor de farinha, e os bolos que dela provêm são o celeste do amor e, daí, o espiritual da fé, que é a caridade, foi visto (n. 2177); viu-se também que o ázimo é a purificação dos males e dos falsos (n. 2342); que o azeite é o celeste do amor (n. 886, 3728); e que o pão é também esse celeste (n. 2165, 2177, 3464, 3478, 3735).
[9] Quanto aos sacrifícios votivos, que eram o segundo gênero de sacrifícios eucarísticos, eles significavam, no sentido externo, a retribuição; no sentido interno, a vontade que o Senhor provesse; no sentido supremo, o estado da Providência (ver n. 3732); daí vem que, na Palavra, se faz aqui e ali menção de um e do outro, como em Davi:
“Sacrifica a Deus a confissão, e presta ao Altíssimo os teus votos. Aquele que sacrifica a confissão honra a Mim, e àquele que dispõe o caminho, a ele mostrarei a salvação de Deus” (Salmo 4:14, 23).
No mesmo:
“Sobre Mim, ó Deus, [estão] os Teus votos; retribuirei as confissões a Ti” (Salmo 56:13 [Em JFA, 56:12]).
No mesmo:
“A Ti sacrificarei um sacrifico de confissão, e o Nome de JEHOVAH invocarei, os meus votos a JEHOVAH cumprirei” (Salmo 116:17, 18).
Em Jonas:
“Eu, com voz de confissão, sacrificarei a Ti, o que votei cumprirei” (2:10).
[10] Pelo que acaba de ser dito, vê-se agora o que é a ‘confissão’, a partir da qual Judá foi nomeado, a saber, que é, no sentido supremo, o Senhor e o Divino do amor, no sentido interno, a Palavra e também o Reino Celeste do Senhor, e no sentido exterior, a Doutrina proveniente da Palavra, a qual pertence à igreja celeste. Que sejam essas coisas o que significado Judá na Palavra, é o que se pode ver pelo que agora vai seguir.