. Como no mundo se ignora absolutamente que haja uma correspondência do céu, ou Máximo Homem, com cada uma das coisas que estão no homem e que daí venha que homem exista e subsista, e que, em consequência, parecerão paradoxais e inacreditáveis as coisas que se dirão a respeito dela, é-me permitido relatar coisas que pertencem à experiência e, portanto, a uma fé confirmada comigo. Um dia, quando me foi aberto o céu interior, e eu estava falando com os anjos ali, permitiu-se-me observar as coisas que seguem. Deve-se saber que, embora ali estivesse, ainda assim eu não estava fora de mim, mas em meu corpo, pois o céu está no homem em qualquer lugar onde o homem esteja. Assim, quando agrada ao Senhor, o homem pode estar no céu e, contudo, não estar separado do corpo. Por isso, foi-me concedido perceber as operações gerais do céu tão manifestamente como o que eu percebo por algum sentido. Houve quatro operações que então percebi: a primeira no cérebro para a têmpora esquerda: essa operação era geral quanto aos órgãos da razão, uma vez que a parte esquerda do cérebro corresponde às coisas racionais ou às intelectuais, a direita por sua vez, às afeições ou às coisas voluntárias. [2] Percebi uma segunda operação geral na respiração dos pulmões; dirigia-se brandamente essa minha respiração, mas pelo interior, de modo que não tinha necessidade de conduzir o meu sopro [spiritum] ou de respirar por alguma coisa da minha vontade; então percebi a respiração mesma do céu de forma manifesta. Ela é interna e, por isso, imperceptível ao homem, mas influi por uma admirável correspondência na respiração do homem, que é externa, ou pertence ao corpo; se o homem fosse privado desse influxo, ele cairia morto imediatamente. [3] A terceira operação que percebi era na sístole e na diástole do coração; então esses movimentos eram mais brandos em mim do que jamais em toda outra situação. Os tempos de pulsação eram regulares, cerca de três entre cada volta da respiração e, contudo, de tal natureza, que terminavam nas coisas do pulmão, e assim regiam as coisas pulmonares. Era-me concedido observar o modo como, no fim de cada respiração, os movimentos alternados do coração se insinuavam nos movimentos alternados dos pulmões. As alternâncias do pulso eram tão fáceis de observar que teria podido contá-las; elas eram distintas e brandas. [4] A quarta operação geral era nos rins, a qual também me foi concedido perceber, mas de um modo obscuro. Vi claramente por esse fato que há no céu, ou Máximo Homem, pulsações cardíacas, e que há respirações; e que as pulsações cardíacas do céu, ou Máximo Homem, têm uma correspondência com o coração e com os seus movimentos de sístole e de diástole, e que as respirações do céu, ou Máximo Homem, têm uma correspondência com o pulmão e com as suas respirações; mas que um e outro desses fatos não poderia ser observado pelo homem, porque isso é imperceptível em razão de tais fatos serem internos.