Texto
. No céu, ou no Máximo Homem, há dois reinos, um chamado celeste, o outro, espiritual: o reino celeste é constituído pelos anjos que são chamados celestes, e são aqueles que estiveram no amor ao Senhor e, portanto, em toda a sabedoria, pois eles estão mais do que os outros no Senhor, e, por isso, mais do que os outros no estado de paz e de inocência. Eles aparecem aos outros como crianças, pois o estado de paz e de inocência apresenta essa aparência. Tudo que existe ali diante deles vive, por assim dizer, pois o que procede imediatamente do Senhor vive; este é o reino celeste. O outro reino é chamado espiritual, este se constitui dos anjos que são chamados espirituais, e ali se acham os que estiveram no bem da caridade para com o próximo. Eles põem o prazer da vida em poder fazer bem aos outros sem retribuição; para eles a retribuição é que lhes seja permitido fazer o bem aos outros; quanto mais eles o querem e o desejam, tanto mais eles estão na inteligência e na felicidade, pois na outra vida cada um é dotado de inteligência e de felicidade pelo Senhor segundo o uso que presta proveniente da afeição da vontade; este é o reino espiritual.
[2] Aqueles que estão no reino celeste do Senhor pertencem todos à província do coração, e os que estão no reino espiritual, pertencem todos à província dos pulmões. Dá-se com o influxo proveniente do reino celeste no reino espiritual absolutamente como com o influxo do coração nos pulmões, então como o influxo de todas as coisas que pertencem ao coração nas que pertencem aos pulmões. Com efeito, o coração reina em todo o corpo e em cada uma de suas partes por meio dos vasos sanguíneos, e o pulmão reina também em cada parte do corpo por meio da respiração, de onde resulta que em toda a parte no corpo há como um influxo do coração nos pulmões, mas segundo as formas ali e segundo os estados. Daí existe toda sensação, bem como toda ação, coisas que são os próprios do corpo; coisa que também se pode ver pelos embriões e pelas crianças recém-nascidas; estes não podem ter sensação corporal alguma, nem ação voluntária, antes que os pulmões lhes tenham sido abertos, e que por esse modo o influxo do coração nos pulmões haja sido dado. Coisa semelhante acontece no mundo espiritual, mas com a diferença que ali há não coisas corporais e naturais, mas coisas celestes e espirituais, que são o bem do amor e o bem da fé. Daí os movimentos cardíacos neles são segundo os estados do amor, e os movimentos respiratórios segundo os estados da fé, o influxo de um no outro faz com que eles sintam espiritualmente e ajam espiritualmente. Essas coisas não podem deixar de se mostrarem ao homem senão como paradoxos, porque ele não tem outra ideia a respeito do bem do amor e do vero da fé senão que são uma sorte de coisas abstratas sem poder de efetuar alguma coisa, quando, todavia, é o contrário, a saber, daí vem toda percepção e sensação, e toda força e ação, emesmo as que estão no homem.