Texto
. ‘E acendeu-se a ira de Jacó contra Raquel’; que signifique a indignação da parte do bem do natural, é o que se vê pela significação de ‘acender a ira’, que é se indignar, a respeito do que se tratará; e pela representação de ‘Jacó’, que é o bem do natural, de que se tratou. Diz-se ‘contra Raquel’, porque o vero interior, representado por Raquel, não podia ainda ser reconhecido pela fé e em ato da parte do bem do natural, que é Jacó. Que, no sentido interno, ‘acender a ira’ seja indignar-se, é porque toda afeição do natural, quando se volta para os interiores, ou sobe para o céu, torna-se mais branda, e finalmente se muda em afeição celeste. Com efeito, as coisas que se apresentam no sentido da letra, como aqui ‘acender a ira’, são relativamente duras, porque são coisas naturais e corporais, mas se tornam mais brandas e mais calmas à medida que se elevam do homem corporal e natural para o homem interno ou espiritual; é daí que o sentido literal é tal, porque ele é acomodado a compreensão do homem natural, e que o sentido interno não é tal, porque ele é acomodado compreensão do homem espiritual. Daí se vê que por ‘acender a ira’ é significado indignar-se; a indignação mesma do espiritual, e menos ainda a indignação do celeste, não trazem coisa alguma da ira do homem natural, mas procedem da essência interior do zelo, e esse zelo na forma externa se mostra como ira [ou cólera], mas na forma interna não há ira e nem sequer a indignação da ira, mas há alguma coisa de triste com um voto que a coisa não seja assim; e, em uma forma ainda mais interior, há somente alguma coisa obscura que se mescla ao prazer celeste pelo não bem e o não vero em um outro.