Texto
. ‘E [que ela] paira sobre os meus joelhos’; que signifique o reconhecimento pela afeição do vero interior, a partir do que há conjunção, é o que se vê pela significação de ‘parir’, que é reconhecer pela fé e então pelo ato (n. 3905); e pela significação dos ‘joelhos’ ou das ‘coxas’, que são as coisas que pertencem ao amor conjugal (n. 3021), assim, as que pertencem à conjunção do vero, que pertence à fé, e do bem, que pertence ao amor, pois essa conjunção é o conjugal mesmo no Reino do Senhor; assim, ‘parir sobre os meus joelhos’ significa o reconhecimento do vero interior que Raquel representa. Que, entre os antigos, os filhos e as filhas que nasciam das servas com o consentimento da esposa eram reconhecidos como legítimos, e para que fossem reconhecidos, as servas pariam sobre os joelhos da esposa, isso se derivou da Igreja Antiga, cujo culto consistia em ritos que eram os representativos e os significativos das coisas celestes e espirituais. Como, nessa igreja, ‘parir’ significava o reconhecimento do vero, e os ‘joelhos’ o amor conjugal, assim, a conjunção do bem e do vero oriunda da afeição, tal rito tinha sido recebido quando a esposa era estéril, a fim de que ela não representasse os mortos que não ressurgem para a vida, conforme as coisas que foram ditas logo acima (n. 3908).
[2] Por essas palavras, no sentido interno, é significado o segundo grau da afirmação ou do reconhecimento, o qual existe pela afeição, porquanto a afeição deve estar no reconhecimento (ou afirmação) para que se faça a conjunção. Com efeito, toda conjunção se faz pela afeição, pois sem a afeição os veros não têm vida; como, por exemplo, saber estes veros: que o próximo deve ser amado e que nisso consiste a caridade, e que na caridade está a vida espiritual, é simplesmente um conhecimento se a afeição não estiver aí, isto é, se aquele que sabe não quer de coração. Sem a afeição esses veros não vivem, mas embora o indivíduo os conheça, ainda assim não ama o próximo, mas prefere a sua pessoa a ele e está na vida natural e não na vida espiritual; é a afeição natural que impera sobre a afeição espiritual, e enquanto imperar a afeição natural, o homem é denominado morto, porque tem uma vida contrária à vida celeste. A vida celeste é a vida mesma.