. ‘E disse Raquel: Julgou-me DEUS, e também ouviu minha a voz’; que signifique, no sentido supremo, a Justiça e a Misericórdia, no sentido interno, o [estado] santo da fé, no sentido externo, o bem da vida, vê-se pela significação de ‘Deus me julgar’, e pela significação de ‘ouvir a minha voz’. Que ‘Deus me julgar’ seja a Justiça do Senhor, é o que se pode ver sem necessidade de explicação; e que ‘ouvir a minha voz’ seja a Misericórdia, igualmente, porquanto o Senhor julga a todos pela Justiça [ex justitia], e a todos ouve pela Misericórdia. Ele julga pela justiça porque é a partir do Divino Vero, e Ele ouve pela Misericórdia porque é a partir do Divino Bem; pela Justiça aqueles que não recebem o Divino Bem, e pela Misericórdia aqueles que recebem. Contudo, quando é pela Justiça, é também ao mesmo tempo pela Misericórdia, com efeito, em toda Divina Justiça há a Misericórdia, assim como no Divino Vero há o Divino Bem. Mas, porque todas essas coisas são secretíssimas para que possam ser ditas em poucas palavras, elas serão, pela Divina Misericórdia do Senhor, expostas mais plenamente em outro lugar. [2] Que no sentido interno “Julgou-me Deus e também ouviu a minha voz” sejam o [estado] santo da fé, é porque a fé, que se predica do vero, corresponde à Justiça Divina, e que o [estado] santo, que é o bem, corresponde à Misericórdia Divina do Senhor; e, além disso, julgar ou o julgamento se diz do vero que pertence à fé (n. 2235); e porque é de DEUS que se diz ‘[Ele] julgou’, é o bem ou o [estado] santo. Daí, é evidente que é o [estado] santo da fé que é significado, ao mesmo tempo, por uma e outra expressão. Visto que por uma e outra ao mesmo tempo é significado um só, as duas são conjungidas por ‘e também’. Que, no sentido externo, seja o bem da vida, é também pela correspondência, pois ao [estado] santo da fé corresponde o bem da vida. Que sem o sentido interno não se possa saber o que significa “julgou-me Deus e também me ouviu”, é evidente a partir disso, que, no sentido da letra, [essas expressões] não sejam de tal modo coerentes que apresentem uma única ideia do entendimento. [3] Que nestes versículos e nos seguintes, até José, se diga DEUS, e nos que precedem imediatamente se tenha dito JEHOVAH, é porque nestes se trata da regeneração do homem espiritual, e nos precedentes se tratava da regeneração do homem celeste; porquanto ‘Deus’ é nomeado quando se trata do bem da fé, que pertence ao homem espiritual, mas ‘JEHOVAH’, quando se trata do bem do amor que pertence ao homem celeste (ver n. 2586, 2769, 2807, 2822). Com efeito, por Judá, até quem é continuado, no capítulo precedente, é representado o homem celeste (ver n. 3881), mas por José, até quem é continuado, neste capítulo, é representado o homem espiritual, de quem se trata nos versículos seguintes (23 e 24). Que JEHOVAH seja nomeado quando se continua até Judá, foi visto no capítulo precedente (vers. 32, 33, 35); que Deus seja nomeado onde se continua até José, vê-se neste capítulo (vers. 6, 8, 17, 18, 20, 22, 23); e depois, JEHOVAH é nomeado de novo, porque [então] procede desde o homem espiritual até o homem celeste. É esse um arcano que está escondido nessas expressões, o que ninguém pode saber senão pelo sentido interno, então também exceto se souber o que é o homem celeste e o que é o homem espiritual. 3922. ‘E deu-me um filho’; que signifique este vero reconhecido, vê-se pela significação do 'filho', que é o vero (489, 491, 533, 1147); e da significação de ‘dar um filho’, que seja dar este vero, que é o mesmo que reconhecer; com efeito, todo vero que é reconhecido, este é dado pelo Senhor. ‘Dar um filho’ envolve semelhantemente o que parir [envolve]; que ‘parir’ seja reconhecer, foi visto (n. 3905, 3915, 3919).