Texto
. ‘Por isso chamou o nome dele Dã’; que signifique a sua qualidade, é o que se vê pela significação de ‘nome’ e de ‘chamar o nome’, que é a qualidade (n. 144, 145, 1754, 1896, 2009, 2724, 3421). A qualidade mesma está no nome de Dã, pois este filho foi chamado da palavra julgar; mas ainda que o nome que se lhe atribuiu venha da palavra julgar, ele envolve entretanto as coisas que são significadas por todas estas palavras de Raquel: “julgou-me Deus e também ouviu minha voz”; isto é, o bem da vida e a santidade da fé, então, no sentido supremo, a Justiça e a Misericórdia do Senhor. É esse o geral da igreja, que é significado por Dã e que é representado pela tribo que obtivera o seu nome de Dã. Esse geral é o primeiro que deve ser afirmado ou reconhecido antes que o homem possa ser regenerado, ou tornar-se igreja; a não ser que essas coisas sejam afirmadas e reconhecidas, todas as outras que pertencem à fé e que pertencem à vida não podem de modo algum ser recebidas, nem, portanto, ser afirmadas, nem mesmo ainda ser reconhecidas. Com efeito, aquele que somente afirma consigo a fé, e não o [estado] santo da fé, isto é, a caridade (pois esta é o [estado] santo da fé), e se não afirma este [estado santo] por meio do bem da vida, isto é, pelas obras da caridade, este não pode mais compreender a essência da fé, pois a rejeitou. A afirmação, e então o reconhecimento, é o primeiro geral no homem que está sendo regenerado, mas é o último no homem que foi regenerado, razão por que Dã é o primeiro no [homem] que deve ser regenerado, e José é o último; com efeito, José é o homem espiritual mesmo; mas José é o primeiro no regenerado e Dã é o último; porque o [homem] que deve ser regenerado começa pela afirmação que esse exista, a saber, o [estado] santo da fé e o bem da vida; mas o regenerado, que é espiritual, está no bem espiritual mesmo, e daí ele considera como a última coisa essa afirmação, pois consigo foram confirmados os [estados] santos da fé os bens da vida.
[2] Que ‘Dã’ seja o afirmativo que deve ser o primeiro [ou a primeira coisa] quando o homem está sendo regenerado, pode-se também ver por outras passagens na Palavra, onde Dã é mencionado; por exemplo, na profecia de Jacó, então Israel, sobre seus filhos:
“Dã julgará o seu povo, como uma das tribos de Israel. Será Dã uma serpente sobre o caminho, uma áspide sobre a vereda, a que morde os calcanhares do cavalo, e cai o seu cavaleiro para trás; a Tua salvação espero, ó JEHOVAH!” (Gn. 49:16, 17, 18);
‘Dã’ aqui está pelo afirmativo do vero; dele, a saber, do afirmativo, se diz que ‘será uma serpente sobre o caminho e uma áspide sobre a vereda’, quando se raciocina sobre o vero a partir das coisas dos sentidos; que ‘morde os calcanhares do cavalo’, quando ele consulta as coisas intelectuais ínfimas ou os conhecimentos, e quando deles chega a conclusões; e que então ele é separado do vero é significado por ‘o seu cavaleiro cai para trás’, razão por que se acrescenta ‘a tua salvação espero, ó JEHOVAH!’ Que a ‘serpente’ seja aquele que raciocina sobre os arcanos Divinos a partir das coisas dos sentidos e dos conhecimentos, foi visto (n. 195, 196, 197); que ‘caminho e vereda’ seja o vero (n. 627, 2333), e que ‘os calcanhares do cavalo’ sejam as coisas intelectuais ínfimas, ou os conhecimentos (n. 259), já que o ‘cavalo’ é o intelectual (n. 2761, 2762) cujo ínfimo é o ‘calcanhar’.
[3] Na profecia de Moisés a respeito das doze tribos:
“A Dã disse: Dã [é] é um leãozinho, ele se arremessa de Bashan” (Dt. 33:22);
o ‘leão’, no sentido interno da Palavra, significa o vero da igreja em virtude da força, pois é o vero que combate e que vence; daí, o ‘leãozinho’ está pelo primeiro do vero, que é a afirmação e o reconhecimento; diz-se de Bashan porque provém do bem do natural. Em Jeremias:
“Lava da malícia o teu coração, Jerusalém, para que sejas salva; até quando fazes morar no meio de ti os pensamentos da tua iniquidade? Porque a voz de quem indica [vem] de Dã, e [a] de quem faz ouvir a iniquidade, e [vem] do monte de Efraim” (4:14, 15);
‘vir de Dã’ é do vero que deve ser afirmado; ‘do monte de Efraim’ é da afeição desse vero.
[4] No mesmo:
“Espera a paz, e não [há] bem; ao tempo da cura, e eis o terror. Desde Dã ouviu-se o frêmito dos seus cavalos, pela voz dos rinchos dos seus fortes treme toda a terra; e vieram e consumiram a terra e a plenitude dela, a cidade e os habitantes nela; porque eis Eu envio contra vós serpentes basiliscos, contra os quais não [há] encanto, e morder-vos-ão” (Jr. 8:15, 16, 17);
O ‘frêmito dos cavalos ouvido desde Dã’ é o raciocínio do vero proveniente do não afirmativo; a ‘terra que tremeu e cuja plenitude eles consumiram’ é a igreja e todas as coisas da igreja, uma vez que os que raciocinam a respeito do vero a partir do não afirmativo ou do negativo, esses destroem todas as coisas da fé; as ‘serpentes basiliscos’ são os raciocínios, como acima.
[5] Em Ezequiel:
“Dã e Javã chegando aos teus mercados forneceram ferro polido, a cássia e a cana estiveram nos teus negócios” (27:19);
onde se trata de Tiro, por quem são significadas as cognições do vero e bem (n. 1201); ‘Dã’ significa os primeiros veros que são afirmados; os ‘mercados’ e os ‘negócios’ são as aquisições do vero e bem (n. 2967); o ‘ferro polido’ é o vero natural, que é o primeiro (n. 425, 426); a ‘cássia’ e a ‘cana’ são veros semelhantes, mas dos quais provém o bem.
[6] Em Amós:
“Nesse dia desfalecerão as virgens belas e os jovens pela sede; os que juraram pela culpa de Samaria, e disseram: Viva o [teu] Deus, Dã! E viva o caminho de Beersheba! e cairão e não se reerguerão mais” (8:13, 14);
‘viva o [teu] Deus, Dã! E viva o caminho de Beersheba!’ significa que estão no negativo de todas as coisas que pertencem à fé e à sua doutrina; que o ‘caminho’ seja o vero, n. 627, 2333; ‘Beersheba’, a doutrina, n. 2723, 2858, 2859, 3466. Que seja o negativo de todas as coisas que pertencem à fé, é porque Dã era o último limite da terra de Canaã, e que Beersheba o primeiro, ou o meio, ou então íntimo da terra. Com efeito, pela terra de Canaã é representado e significado o Reino do Senhor, assim, a igreja (n. 1607, 3038, 3481); por conseguinte, todas as coisas do amor e da fé, pois são essas as coisas que pertencem ao Reino do Senhor e à igreja; daí, todas as coisas que estavam na terra de Canaã foram representativas conforme as distâncias, as posições, os limites (n. 1585, 1866, 3686).
[7] O primeiro limite, ou o meio ou o íntimo da terra tinha sido Beersheba, antes que Jerusalém existisse, porque Abrahão esteve ali, e depois Isaque, mas o último limite ou o mais externo era Dã; daí, como são significadas todas as coisas em um só complexo, dizia-se ‘desde Dã até a Beersheba’ como no segundo livro de Samuel:
“Para transportar o Reino da casa de Saul, e para estabelecer o trono de Davi sobre Israel e sobre Judá, desde Dã até Beersheba” (2Sm. 3:10).
No mesmo:
“Reunindo será reunido todo Israel desde Dã até a Beersheba” (2Sm. 17:11).
No mesmo:
“Disse Davi a Joab: Percorre todas as Tribos de Israel desde Dã até Beersheba” (2Sm. 24:2, 15).
No Primeiro Livro dos Reis:
“Habitou Judá e Israel em segurança, cada um debaixo da sua videira e debaixo da sua figueira, desde Dã até Beersheba” (1 Reis 4:25);
por essa expressão se entendem, no sentido histórico, todas as partes da terra de Canaã, mas, no sentido interno, todas as coisas do Reino do Senhor, então todas as coisas da igreja.
[8] Que Dã seja o primeiro limite e que também seja o último, como se disse acima, é porque o afirmativo do vero e bem é o primeiro de todas as coisas quando começa a fé e a caridade no homem, e o último quando o homem está na caridade e, portanto, na fé. Era também por causa disso, que a última sorte coube a Dã, quando a terra de Canaã foi herdada (Josué 19:40 e seg.), pois a sorte foi lançada perante JEHOVAH (Josué 18:6); portanto, coube conforme a representação de cada tribo.
[9] E porque a sorte não coube a Dã entre as heranças dos restantes das tribos, mas além de seus limites (Juízes 18:1), é também por isso que essa tribo foi omitida em João (no Apocalipse, cap. 7:5 ao 8), onde se trata dos doze mil assinalados. Com efeito, os que estão somente no afirmativo do vero e também no do bem, e que não vão além, não estão no Reino do Senhor, isto é, entre os assinalados; os piores [dentre os homens] também podem saber os veros e os bens, e até afirmá-los, mas pela vida se conhece qual é a afirmação.
[10] Lembra-se também de Dã, como limite em Gênesis, 14:14, onde se diz de Abrahão que perseguiu os inimigos até lá, e por Dã ali é significada a mesma coisa. A cidade chamada Dã não tinha sido então de fato construída pelos descendentes de Dã, mas o foi mais tarde (Josué 19:47; Juízes 18:29); mas assim também era chamado então nesse tempo o primeiro limite relativamente à entrada na terra de Canaã, ou o último relativamente à saída, e o interno dessa terra era Hebron, e depois Beersheba, onde [viviam] Abrahão e Isaque.