ac 3941

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘Rúben foi, nos dias da ceifa dos trigos’; que signifique a fé quanto ao seu estado de amor e de caridade, é o que se vê pela representação de ‘Rúben’, que é a fé, que é a primeira coisa da regeneração (n. 3861, 3866); pela significação dos ‘dias’, que são os estados (n. 23, 487, 488, 493, 893, 2788, 3462, 3785); pela significação dos ‘trigos’, que são o amor e a caridade, de que se tratará na sequência; por conseguinte, a ‘ceifa dos trigos’ é o estado de amor e de caridade procedente. Pelos quatro filhos de Jacó oriundos das servas, tratou-se dos meios de conjunção do homem externo com o homem interno; agora se trata da conjunção do bem e do vero pelos filhos restantes, é por isso que primeiro se fala dos dudaim, pelos quais é significada essa conjunção ou o conjugal. Que a ‘ceifa dos trigos’ seja o estado de amor e de caridade procedente, é porque o ‘campo’ significa a igreja, assim, as coisas que são da igreja, e porque as ‘sementes’, que são plantadas no campo, significam as coisas que pertencem ao bem e ao vero, e as coisas que brotam delas, como trigos, cevadas e várias outras, significam as coisas pertencentes ao amor e à caridade, bem como à fé. Os estados da igreja quanto a essas coisas são, por isso, comparados às sementeiras e à ceifa, e também são chamados, sementeiras e ceifa, por exemplo, em Gênesis 8:22 (n. 932).
[2] Que os ‘trigos’ sejam as coisas pertencentes ao amor e à caridade, também se pode ver pelas passagens seguintes: Em Moisés:
“JEHOVAH o faz cavalgar sobre as alturas da terra, e alimenta [com] o produto dos campos; faz sugar o mel da rocha e o azeite do seixo da pedra; a manteiga do gado e o leite do rebanho, com a gordura dos cordeiros e dos carneiros, dos filhos de Bashan, e dos cabritos, com a gordura dos rins de trigo, e bebes o sangue da uva, o vinho puro” (Dt. 32:13, 14);
aí, no sentido interno, se trata da Igreja Antiga e de seu estado quando ela foi instaurada; todas as coisas do amor e da caridade e todas as da fé, que estavam ali, são descritas por meio de coisas significativas; a ‘gordura dos rins do trigo’ é o celeste do amor e da caridade; e porque a gordura significa o celeste (n. 353), e o trigo, o amor, eis por que na Palavra eles estão aqui e ali conjungidos, como também em Davi:
“Ah! Se Meu povo obedecesse a Mim, se Israel andasse nos Meus caminhos! [...] Daria de comer a eles da gordura do trigo, do mel da rocha saciá-los-ia!” (Salmo 81:14, 17 [JFA, 81:13, 16]);
e em outra passagem no mesmo:
“JEHOVAH, Que põe o teu limite em paz, [com] a gordura do trigo sacia-te” (Salmo 147:14).
[3] Que o ‘trigo’ seja o amor e a caridade, [vê-se] em Jeremias:
“Muitos pastores destruíram a Minha vinha, pisaram a porção do meu campo, reduziram a porção do meu campo a um deserto de solidão. ... Sobre todas as colinas no deserto vieram os vastadores, porque [a] espada de JEHOVAH devora desde o fim da terra até o fim da terra; nenhuma paz [há] para alguma carne; semearam trigos, e ceifaram espinhos” (12:10, 12, 13);
a ‘vinha’ e o ‘campo’ são a igreja; o ‘deserto da solidão’ é a vastação da igreja; a ‘espada que devora’ é a vastação do vero; ‘nenhuma paz’ é nenhum bem que afeta; ‘semear trigos’ são os bens que pertencem ao amor e à caridade; ‘ceifaram espinhos’ são os males e os falsos pertencentes ao amor de si e do mundo. (Que a ‘vinha’ seja a igreja espiritual, n. 1069; que o ‘campo’ seja a igreja quanto o bem, n. 2971; que o ‘deserto’ seja a vastação, n. 1927, 2708; que a ‘espada que devora’ seja a vastação do vero, n. 2799; que a ‘paz’ seja o bem que afeta, n. 3780).
[4] Em Joel:
“Devastado está o campo, pranteia o húmus, porque devastado está o grão de trigo, secou-se o mosto, falta o óleo. Envergonhados [estão] os lavradores, uivam os vinhateiros, sobre o trigo e sobre a cevada, porque pereceu a sega do campo. ... Cingi-vos e lamentai-vos, sacerdotes; uivai, ministros do altar” (1:10, 11, 13);
qualquer um vê claramente que aqui se descreve o estado da igreja vastada; portanto, que o ‘campo’ e o ‘húmus’ sejam a igreja; o ‘grão de trigo’, seu bem; o ‘mosto’, seu vero (n. 3580); o ‘trigo’ é o amor celeste, a ‘cevada’, o amor espiritual. E porque se trata do estado da igreja, se diz “Cingi-vos e lamentai-vos, sacerdotes; e uivai, ministros do altar”.
[5] Em Ezequiel:
“O Espírito de JEHOVAH [disse] ao profeta: Toma para ti trigo, e cevada, e fava, e lentilhas, e milho, e aveia, e ponha-os em uma vasilha, e faze-os para ti por pão, ...com o estrume das fezes do homem farás bolos diante dos olhos deles; ... assim comerão os filhos de Israel o seu pão imundo” (4:9, 12, 13);
aí se trata da profanação do bem e do vero; o ‘trigo’, a ‘cevada’, as ‘favas’, as ‘lentilhas’, o ‘milho’, a ‘aveia’, são gêneros do bem e do vero que provém do bem; daí o pão ou o bolo feito com esterco de fezes humanas é a profanação de todos esses bens e de todos esses veros.
[6] Em João:
“Vi, e eis um cavalo preto, e quem estava montado sobre ele tinha uma balança na sua mão; ouvi uma voz no meio dos quatro animais, que dizia: Uma medida [choenix] de trigo por um denário, e três medidas [choenices] de cevada por um denário; ao azeite, porém, e ao vinho não danifiques” (Apocalipse 6:6);
onde também se trata da vastação do bem e do vero; ‘uma medida de trigo por um denário’ está no lugar de ‘que o amor seja de tal modo raro’; ‘três medidas de cevada por um denário’ está no lugar de que a caridade [seja assim rara].
[7] Em Ezequiel:
“Judá e a terra de Israel foram os teus mercadores, em trigo [de] minnith e pannag, e mel e azeite e bálsamo forneceram os teus negócios” (27:17);
onde se trata de Tiro, por quem são significadas as cognições do bem e do vero; os bens do amor e da caridade e as suas felicidades são significados pelos ‘trigos de Minnith e pannang’, e pelo ‘mel’, o ‘azeite’, o ‘bálsamo’; ‘Judá’ é a igreja celeste, e a ‘terra de Israel’ é a igreja espiritual, igrejas das quais provêm essas coisas; os ‘negócios’ são as aquisições.
[8] Em Moisés:
“Uma terra de trigo e de cevada, e vides e figueiras, e de romeiras, terra de oliveiras, de azeite e de mel” (Dt. 8:8);
é a descrição da terra de Canaã, que, no sentido interno, é o Reino do Senhor (n. 1413, 1437, 1585, 1607, 3038, 3705); os bens do amor e da caridade são, nesta passagem, ‘o trigo e a cevada’; os bens da fé são ‘a vide e a figueira’.
[9] Em Mateus:
“E tem a pá em Sua mão, e expurgará a Sua eira, e ajuntará o seu trigo no celeiro; a palha, porém, queimará em um fogo inextinguível” (3:12);
João Batista falou assim do Senhor; o ‘trigo’ significa os bens do amor e da caridade, a ‘palha’ aqueles em que nada há de bem. No mesmo:
“Deixai crescer juntamente um e o outro até a ceifa, e pelo tempo da ceifa direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio e atai-o em feixes para queimá-lo, o trigo, porém, ajuntai no Meu celeiro” (Mt. 13:30);
o ‘joio’ está em lugar dos males e falsos, o ‘trigo’, dos bens; são comparações, mas as comparações na Palavra se fazem todas por meio de coisas significativas.

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