ac 3942

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E achou dudaim no campo’; que signifique as coisas pertencentes ao amor conjugal no vero e bem da caridade e do amor, é o que se vê pela significação dos ‘dudaim’, que são as coisas que pertencem ao amor conjugal (do que se tratará na sequência); e pela significação do ‘campo’, que é a igreja, por conseguinte, o vero da fé e o bem da caridade, porque essas coisas fazem a igreja (n. 368, 2971, 3196, 3310, 3500, 3508, 3766). Os tradutores não sabem o que são os dudaim, opinam eles que tenham sido frutos ou flores, eles também os nomeiam cada um segundo sua opinião; mas não importa saber de que gênero [eram os dudaim]. Como entre os antigos — os que foram da igreja — todos os frutos e flores tinham sido significativos, eles conheceram, pois, que toda a natureza era o teatro representativo do Reino do Senhor (n. 3483), e que todas as coisas que estão em seus três reinos tinham representado, e que cada coisa representava alguma coisa específica no mundo espiritual, assim também cada fruto e cada flor. Que os dudaim tenham significado o conjugal do bem e do vero, pode-se ver pela série das coisas aqui no sentido interno, e também pela derivação desse vocábulo na língua original, porquanto ele é derivado da palavra dudim, que significa os amores e, por eles, a conjunção. Que dudaim venha daí e que signifique o conjugal, é isso evidente por estas palavras:
“De manhã nos levantaremos para as vinhas; veremos se floresceu a vide, se produziu a uva, se as romeiras produziram as romãs: ali dar-te-ei os meus amores (dudim)298. Os dudaim deram o seu odor...”. (Cânticos 7:12, 13);
daí se vê o que são os dudaim.
[2] Quanto ao que se diz respeito ao livro em que estão essas palavras, e que é chamado Cântico[dos Cânticos], ele não está entre aqueles que são chamados ‘Moisés e os Profetas’, porque não têm um sentido interno; mas foi escrito no estilo antigo, e está repleto de significativos recolhidos299 dos livros da Igreja Antiga, e de muitas outras expressões que, na Igreja Antiga, significaram o amor celeste e o amor espiritual, e principalmente o [amor] conjugal. Que esse livro seja tal, é isso ainda evidente a partir disto, que no sentido da letra, difere nisto dos livros que são denominados ‘Moisés e Profetas’, ele apresenta muitas coisas que são indecentes; mas porque tais coisas, que são significativas do amor celeste e do amor conjugal, nele foram acumuladas, por isso parece como se alguma coisa mística também estivesse nele.
[3] Pela significação dos dudaim pode-se ver agora que por ‘Rúben achou dudaim no campo’ é significado o conjugal que está no vero e bem do amor e da caridade, isto é, que pode ser conjungido, pois o conjugal, no sentido espiritual, não é outra coisa senão o vero que pode ser conjungido ao bem e este bem que pode ser conjungido ao vero; daí também procede todo amor conjugal (n. 2728, 2729, 3132). Por isso é que o amor conjugal genuíno não existe a não ser que estejam no bem e vero, assim, ao mesmo tempo no casamento celeste.

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