. ‘Porque alugando aluguei-te pelos dudaim do meu filho’; que signifique assim estipulado por provisão, vê-se pela significação de ‘alugando aluguei-te’, que é o que foi estipulado, como isso é ainda evidente pelo que precede. Que seja por provisão, é porque toda conjunção do vero com o bem e do bem com o vero, no homem, existe pela provisão, isto é, pela Providência do Senhor. Com efeito, trata-se aqui da conjunção do bem com o vero e do vero com o bem, assim, do bem que é apropriado ao homem, pois o bem não é o bem no homem antes que ele tenha sido conjunto com o vero; e porque do Senhor vem todo bem, isto é, toda apropriação do bem por sua conjunção com o vero, por isso se diz aqui por provisão. A Providência do Senhor volta-se principalmente sobre essa conjunção; por meio dela o homem se torna homem e se distingue dos animais, e ele se torna homem tanto quanto recebe dela, isto é, tanto quanto ele deixa que o Senhor opere tal [conjunção]. Este é, pois, o bem no homem; outro bem que seja espiritual e que permaneça pela eternidade, não existe. [2] E do mesmo modo os bens do homem externo, que são os prazeres da vida quando o homem vive no mundo, não são bens senão tanto quanto eles têm desse bem neles. Por exemplo, o bem das riquezas. As riquezas são bens tanto quanto tiverem consigo o bem espiritual, isto é, tanto quanto elas têm por fim o bem ao próximo, o bem à pátria (ou ao bem público), e o bem à igreja. Mas os que concluem que o bem espiritual, de que se falou, não possa existir na opulência mundana, e que por esta razão se persuadem de que, para que se ocupem do céu, eles devem se abdicar das riquezas, muito se enganam. Com efeito, se eles abdicam ou se privam delas, depois eles não podem fazer o bem a quem quer que seja, nem viver eles próprios no mundo senão na miséria, assim, eles não podem mais ter por fim o bem do próximo e o bem da pátria, nem mesmo o bem da igreja, mas só têm por fim a si próprios, para serem salvos e se tornarem maiores do que os outros nos céus. Além disso, ainda, quando abdicam das coisas mundanas, eles se expõem também ao desprezo, porque também se tornam vis aos olhos dos outros, por conseguinte, se tornam inúteis para servir e prestar ofícios. Mas quando se tem essas coisas por fim, tem-se também por fim e por meio o estado para estar na faculdade de desempenhar o fim. [3] Acontece absolutamente com isso como com a nutrição do homem; a nutrição tem por fim que haja uma mente sã em um corpo são; se o homem privar o seu corpo da nutrição, ele então priva também a si próprio do estado do fim; razão por que aquele que é homem espiritual, este não despreza a nutrição, nem também os seus prazeres, mas não os tem por fim, ele os tem por meio de servir ao fim; disto, como exemplo, se pode concluir para [todo] o resto.