Texto
. ‘E deitou-se com ela naquela noite’; que signifique a conjunção, é o que se pode ver também sem necessidade de explicação. Que as coisas que precedem não foram explicadas no sentido interno, pela maior parte, senão quanto às significações das palavras, é porque elas são tais, que não podem ser compreendidas exceto se forem expostas em uma única série; trata-se, com efeito, da conjunção do vero com o bem e do bem com o vero, conjunção que é o conjugal entendido no sentido espiritual, isto é, que faz no homem e na igreja o casamento celeste. Os arcanos desse casamento, a saber, do casamento celeste, foram descritos nesses versículos, e neles foram revelados; os arcanos são estes: O casamento celeste é, como foi dito, o casamento do bem com o vero e do vero com o bem, mas não entre o bem e o vero de um só e [no] mesmo grau, mas entre o bem de um grau inferior e o vero do grau superior, isto é, não entre o bem do homem externo e o vero desse mesmo homem, mas entre o bem do homem externo e o vero do homem interno, ou, o que é o mesmo, não entre o bem do homem natural e o vero desse homem, mas entre o bem do homem natural e o vero do homem espiritual, é essa conjunção que faz o casamento.
[2] Acontece o mesmo no homem interno ou espiritual, não é entre o seu bem e o seu vero que há casamento celeste, mas é entre o bem do homem espiritual o vero do homem celeste; é que o homem celeste está relativamente em um grau superior. E no homem celeste, não é também entre o seu bem e o seu vero que há casamento celeste, mas é entre o bem do homem celeste e o Vero Divino que procede do Senhor. Daí também se vê que o Casamento Divino mesmo do Senhor não é entre o Bem Divino e o Vero Divino em Seu Divino Humano, mas é entre o Bem do Divino Humano e o Divino mesmo, isto é, entre o Filho e o Pai, pois o Bem do Divino Humano do Senhor é o que, na Palavra, é chamado o Filho de Deus, e o Divino mesmo é o que é chamado o Pai.
[3] São esses os arcanos que estão contidos no sentido interno das coisas que são ditas sobre os dudaim. Qualquer [um] pode ver que aí há algum arcano, pois contar que Rúben achou dudaim no campo, que Raquel os desejou, que para recebê-los ela assegurou que o seu varão se deitaria com ela, e que Leah foi ao encontro de Jacó, quando ele vinha do campo à tarde, e lhe disse que ela o tinha alugado pelos dudaim, tudo isso seria de muito pouca importância para constituir algum histórico na Palavra se algum Divino não estivesse aí escondido; qual será porém esse Divino, é o que ninguém pode saber se não souber o que é significado pelos ‘filhos de Jacó’ e pelas ‘tribos’ que tinham deles os seus nomes; então, se não souber a série da coisa no sentido interno, e principalmente se não souber o que é o casamento celeste, pois se trata desse casamento, isto é, se não souber que o casamento celeste é a conjunção do bem do homem externo com a afeição do vero do homem interno.
[4] Mas para que esses arcanos sejam conhecidos de um modo mais manifesto, permite-se ilustrá-lo ainda: Os veros do homem externo são os conhecimentos e as coisas doutrinais que ele hauriu primeiro com os pais, depois com seus professores, em seguida pelos livros e, finalmente, por seu próprio estudo. O bem do homem externo é a voluptuosidade e o prazer que ele percebe nesses veros; os conhecimentos, que são os veros, e os prazeres, que são o bem, são conjuntos, mas não fazem nele o casamento celeste, pois naqueles que estão no amor de si e do mundo e, por conseguinte, no mal e no falso, há também conhecimentos e até coisas doutrinais conjuntos aos prazeres, mas esses prazeres são os de seus amores, com os quais os veros podem também ser conjuntos; mas ainda assim tais homens estão fora do casamento celeste. Mas quando a voluptuosidade ou o prazer, que é o bem do homem externo (ou natural), provém do amor espiritual, isto é, do amor para com o próximo, para com a pátria ou o [bem] público, para com a igreja, para com o Reino do Senhor, e ainda mais, se ele vem do amor celeste que é ao Senhor, e que essas coisas influem desde o homem interno (ou espiritual) no prazer do homem externo (ou natural) e fazem esse prazer, então essa conjunção com os conhecimentos e as coisas doutrinais do homem externo (ou natural) faz nele o casamento celeste. Esse casamento não pode existir nos maus, mas existe nos bons, a saber, nos que têm por fim aquelas coisas. Mas de que maneira se dá o influxo do homem interno (ou espiritual) no homem externo (ou natural), vejam-se as coisas que foram ditas anteriormente a respeito disso (n. 3286, 3288, 3314, 3321).
[5] Quando essas coisas são antes conhecidas, então pode-se saber o que é significado por cada uma das coisas que foram acima explicadas somente quanto ao sentido interno das palavras; por exemplo, quando se diz que Rúben, que é o vero da fé, o qual é a primeira coisa da regeneração, achou dudaim; que ele os trouxe a Leah, sua mãe, que é a afeição do vero externo; que Raquel, que é a afeição do vero interior, os desejou, e que eles lhe foram também dados; que por isso Leah se deitou com seu varão, Jacó, que é o bem do vero no homem natural; depois, em consequência, que nasceram de Leah [dois] filhos a Jacó, Issascar e Zebulon, pelos quais são significadas e representadas as coisas que pertencem ao amor conjugal, por conseguinte, que pertencem ao casamento celeste; e que depois nasceu José, por quem é significado e representado o Reino espiritual do Senhor, o que é o casamento mesmo de que se trata.