ac 3960

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E disse Leah: Dotou-me DEUS a mim com um bom dote; esta vez coabitará comigo o meu varão, porque pari para ele seis filhos’; que signifique, no sentido supremo, o Divino mesmo do Senhor e Seu Divino Humano, no sentido interno, o casamento celeste, no sentido externo, o amor conjugal, é o que se vê pela significação de ‘coabitar’, e também pelas outras palavras que Leah pronunciou. Que ‘coabitar’ ou a coabitação seja, no sentido supremo, o Divino mesmo do Senhor e Seu Divino Humano, é porque o Divino mesmo que é chamado o Pai está no Divino Humano que é chamado Filho de Deus, mútua e reciprocamente, segundo as palavras do Senhor mesmo em João:
“Jesus disse: Felipe, quem Me vê, vê o Pai; crede-Me que Eu [estou] no Pai e o Pai em Mim” (14:9, 10, 11; 10:38).
Que essa união seja o Casamento Divino mesmo, foi visto (n. 3211, 3952); é uma união e não uma coabitação, mas isso é expresso, no sentido da letra, pela coabitação; com efeito, as coisas que são um se apresentam como dois no sentido da letra, por exemplo, o Pai e o Filho, e até como três, por exemplo, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, e isso por muitas razões de que, pela Divina Misericórdia do Senhor, se tratará em outro lugar.
[2] Daí vem que ‘coabitar’, ou a coabitação, no sentido interno, seja o casamento celeste, porque pelo Casamento Divino, que é a união do Pai e do Filho, ou do Divino mesmo do Senhor com o Seu Divino Humano, existe o casamento celeste, é o casamento celeste que é chamado Reino do Senhor e também céu, e isso, porque ele existe pelo Casamento Divino, que é o Senhor. É, pois, isso o que é significado, no sentido interno, pela coabitação; daí também o céu é chamado ‘o habitáculo de Deus’, por exemplo, em Isaías:
“Olha dos céus, e vê do habitáculo da tua santidade, e do teu decoro; onde o teu zelo, e as tuas virtudes, a comoção das tuas vísceras, e as tuas comiserações para comigo se mantêm” (63:15).
O ‘habitáculo da santidade’ está em lugar do Reino celeste, e o ‘habitáculo do decoro’ em lugar do Reino espiritual; nesta passagem, o ‘habitáculo’ é expresso pela mesma palavra que é aqui empregada para ‘coabitar’ e para Zebulon.303
[3] Que por isso ‘coabitar’, ou a coabitação, no sentido externo, seja o amor conjugal, é porque todo genuíno amor conjugal não existe de outro lugar senão do casamento celeste, que é o do bem e do vero, e este pelo Casamento Divino, que é o Senhor quanto ao Seu Divino mesmo e ao Seu Humano; ver sobre este assunto as coisas que foram ditas precedentemente, a saber: que o Casamento Celeste existe a partir do Divino Bem que está no Senhor, e pelo Divino Vero que procede d’Ele (n. 2508, 2618, 2803, 3132); que daí vem o amor conjugal (n. 2728, 2729); que os que estão no genuíno amor conjugal coabitem nos íntimos da vida (n. 2732), assim, no amor do bem e do vero, pois são esses os íntimos da vida. Que o amor conjugal seja o amor fundamental de todos os amores, n. 2737, 2738, 2739; que o casamento do bem e do vero esteja no céu, na igreja, em cada um dos que neles estão, em cada coisa da natureza, n. 718, 747, 917, 1432, 2173, 2516, 2712, 2758; em cada coisa da Palavra, n. 683, 793, 801, 2516, 2712; assim, ele é, no sentido supremo, o Senhor mesmo. Que por Jesus Cristo seja significado o Casamento Divino, n. 3004.
[4] São essas as coisas que são significadas não só por ‘coabitar’, ou por estas palavras: “esta vez coabitará comigo o meu varão”, mas também pelas que precedem: “dotou-me Deus a mim com um bom dote”; mas por aquelas é significado o vero que pertence ao bem, por estas, por sua vez, o bem que pertence ao vero, pois um e outro faz o casamento celeste. E porque isto é uma conclusão, é dito: “porque pari para ele seis filhos”, porquanto ‘os seis’ aqui significam coisas de forma semelhante ao doze, a saber, todas as coisas que pertencem à fé e ao amor. Na Palavra, a metade ou o dobro de um número têm a mesma significação quando se trata de uma coisa semelhante.

Versão impressa (opcional)

Para estudo mais confortável, você pode adquirir esta obra em formato impresso: ver orientações.