. ‘E disse: DEUS recolheu a minha ignomínia. E chamou o nome dele José, dizendo: Adicione JEHOVAH a mim outro filho’; que signifique, no sentido supremo, o Senhor quanto ao Divino Espiritual, no sentido interno, o reino espiritual ou o bem da fé, no sentido externo, a salvação, e também a frutificação e a multiplicação, é o que se vê pela representação de ‘José’ na Palavra, de que se tratará no que segue; então pela significação de ‘recolheu Deus a minha ignomínia’, e de ‘adicione JEHOVAH a mim outro filho’, pois José foi nomeado a partir de recolher e de acrescentar304. ‘Recolheu Deus a minha ignomínia’ significa que agora Raquel não era mais estéril, que assim ela não era mais morta, como ela disse de si para Jacó (vers. 1 deste capítulo, n. 3908). Com efeito, por Raquel é representada a afeição do vero mais interior, ou o homem interior quanto ao vero (n. 378, 3782, 3793, 3819). O homem interior quanto ao vero e ao bem é como morto se o homem exterior, ou natural, não lhe corresponde quanto aos bens e veros (ver n. 3493, 3620, 3623). [2] Esses dois homens devem estar conjuntos um ao outro a ponto de serem não dois, mas conjuntamente um só homem. Essa conjunção não pode existir antes que o homem natural ou externo tenha sido preparado, isto é, antes que ele tenha recebido e reconhecido os veros gerais que foram significados pelos dez filhos que Jacó teve de Leah e das servas, e antes que o bem do homem natural tenha sido aí conjunto com os veros; essa conjunção que foi significada pelo último filho que Jacó teve de Leah, a saber, por Zebulon, assim chamado a partir da palavra coabitação (n. 3960, 3961). Depois que essa conjunção foi feita, o homem interior e o homem exterior contraem o casamento celeste, de que se falou (n. 3952). A causa pela qual este casamento não foi contraído anteriormente é um arcano secretíssimo; é, com efeito, o bem do homem interior que então se conjunge com o bem do homem exterior, e por este bem com o vero aí, e também o bem do homem interior, pela afeição do vero aí, com o bem do homem exterior, e também com o vero aí, assim, mediata e imediatamente (ver sobre essa conjunção os n. 3314, 3573, 3616). Como então o homem interior é pela primeira vez conjungido com o homem exterior, e que antes que essa conjunção tenha sido feita o homem interior é por assim dizer nulo, assim, quase morto, como foi dito, por isso se diz: “recolheu Deus a minha ignomínia”. É isto então que é significado pela ‘ignomínia’ quando se disse que ‘Deus recolhia’, isto é, que arrebatava ou da qual livrava. [3] Mas pelas palavras que seguem, a saber, por “adicione JEHOVAH a mim outro filho”, a partir das quais José foi nomeado, é significado um outro arcano, que é este: Por ‘José’ é representado o Reino espiritual do Senhor, assim, o homem espiritual, pois em cada homem espiritual há esse Reino. Há duas coisas que constituem o homem espiritual, a saber, a caridade e a fé, ou, que é o mesmo, o bem e o vero; a caridade, de que provém a fé, ou o bem, de que provém o vero, é o que é representado por José; e a fé em que há a caridade é o que significa o ‘outro filho’, e o que é representado por Benjamin (de quem se trata no Gn. 35:16, 17, 18). Assim, José é o homem celeste espiritual, e Benjamin, o homem espiritual celeste. Quanto a qual seria a diferença, pode-se ver qual ela é pelas coisas que antes foram ditas muitas vezes sobre o bem do qual provém o vero e sobre o vero no qual está o bem; é isso então o que é significado por estas últimas palavras de Raquel: “JEHOVAH adicione a mim outro filho”. Contudo, esses arcanos não podem ser vistos senão pelos que estão na caridade da fé, pois estes estão, quanto aos interiores, na luz do céu, luz em que também está a inteligência; mas não podem ser vistos pelos que estão somente na luz do mundo, porque nesta luz não há inteligência a não ser tanto quanto essa luz tiver em si mesma a luz do céu. Para os anjos, que estão na luz do céu, essas coisas estão entre as mais gerais. [4] Agora, a partir dessas explicações, pode-se ver que estas palavras, a saber: “recolheu Deus a minha ignomínia”, e “JEHOVAH adicione a mim outro filho”, significam, no sentido supremo, o Senhor quanto ao Divino Espiritual, e, no sentido interno, o Reino espiritual do Senhor, ou o bem da fé, pois é este o espiritual que está nesse Reino. Que, no sentido externo, por essas palavras é significada a salvação e também a frutificação e multiplicação, é porque é a uma consequência (n. 3971). Quanto ao Reino espiritual do Senhor, pode-se ver o que é pelo que já se disse e se mostrou tantas vezes sobre esse Reino, a saber, que são aqueles que estão na caridade e, daí, na fé. Este Reino se distingue do Reino celeste do Senhor, porque neste se acham os que estão no amor ao Senhor e, daí, na caridade; estes constituem o terceiro céu, ou céu íntimo; os espirituais, por sua vez, constituem o segundo céu, ou o céu interior. [5] Que primeiro se disse ‘Deus’, a saber: “recolheu DEUS a minha ignomínia”, e depois, ‘JEHOVAH’, a saber, “JEHOVAH adicione outro filho”, a causa é porque o primeiro enunciado diz respeito à ascensão [ou subida] do vero ao bem, e o segundo à descida do bem ao vero. O homem espiritual está no bem da fé, isto é, no bem de que provém o vero, mas antes que ele se torne espiritual ele está no vero da fé, isto é, no vero no qual está o bem. Com efeito, se diz ‘Deus’ quando se trata do vero, mas ‘Jehovah’, quando se trata do bem (n. 2586, 2807, 2822, 3921). [6] Que por ‘José’ seja representado o Reino espiritual do Senhor, ou o homem espiritual, assim, o bem da fé, pode-se também ver pelas passagens da Palavra, em que ele é mencionado; por exemplo, na profecia de Jacó, então Israel: “Filho da fecunda, José, filho da fecunda junto à fonte, da filha, [que] caminha sobre o muro. E exacerbá-lo-ão e o flecharão, e ódio lhe terão os flecheiros. E se assentará na firmeza do seu arco, e serão vigorados os braços das suas mãos, pelas mãos do forte de Jacó; daí [vem] o Pastor, a Pedra de Israel. Pelo Deus de teu pai, e auxiliar-te-á, e com Shaddai, e abençoar-te-á com as bênçãos do céu de cima, com as bênçãos do abismo que jaz embaixo, com as bênçãos das mamas e do útero. As bênçãos do teu pai prevalecerão sobre as bênçãos dos meus genitores até o desejo das colinas do século, serão para a cabeça de José e [para] o vértice [da cabeça] do nazireu dos irmãos dele” (Gn. 49:22–26). Nestas palavras proféticas está contida, no sentido supremo, a descrição do Divino Espiritual do Senhor; no sentido interno, a descrição de Seu Reino espiritual; na explicação desse capítulo, pela Divina Misericórdia do Senhor, se dirá o que envolve cada uma dessas palavras. [7] Igualmente na profecia de Moisés: “De José disse: Bendita de JEHOVAH seja a terra dele, das coisas preciosas do céu, do orvalho, do abismo também que jaz embaixo, e das coisas preciosas das produções do Sol, e das coisas preciosas do produto dos meses; e das primícias dos montes do oriente, e das coisas precisas das colinas do século, e das coisas preciosas da terra e da plenitude dela; e o beneplácito de quem habita na sarça; venha [isso] sobre a cabeça de José, e sobre o vértice [da cabeça] do nazireu dos irmãos dele” (Dt. 33:13–17). [8] Como por Israel é representada a igreja espiritual do Senhor, (n. 3305, 3654), é por isso que Jacó, então Israel, antes de sua morte, disse a José: “Os teus dois filhos, que nasceram a ti na terra do Egito, antes que eu viesse para ti no Egito, serão meus Efraim e Manassés, como Rúben e Simeão. [...] O Anjo que me redimiu de todo o mal, e abençoe [esses] meninos, para que seja chamado neles o meu nome, e o nome dos meus pais, Abrahão e Isaque, e cresçam em multidão no meio da terra” (Gn. 48:5, 16). Há, com efeito, as duas coisas que constituem a igreja espiritual, o intelectual e o voluntário; o intelectual é o que é representado por Efraim, e o voluntário é o que é representado por Manassés; vê-se, pois, claramente porque os dois filhos de José foram adotados e reconhecidos como seus por Jacó, então Israel. Na Palavra, principalmente na Palavra profética, Efraim é muitas vezes mencionado, e aí, por ele é significado o intelectual do vero e do bem, que pertence à igreja espiritual. [9] Em Ezequiel: “JEHOVAH disse: Filho do homem, toma, tu, uma madeira e escreve sobre ela a JEHOVAH e aos filhos de Israel seus companheiros; e toma uma madeira, e escreve sobre ela a José, a madeira de Efraim e de toda a casa de Israel seus companheiros; e conjunge-os um ao outro para ti em uma só madeira, para que sejam um, ambos na minha mão. Assim disse o Senhor JEHOVIH: Eu, eis, Eu que tomo a madeira de José, que [está] na mão de Efraim e das tribos de Israel, seus companheiros, e adicioná-los-ei sobre a madeira de Judá, e torná-los-ei em uma só madeira, e serão um na Minha mão; ... e torná-los-ei em uma só nação na terra, nas montanhas de Israel; e um Rei será para todos eles como Rei, e não serão mais duas nações, e não serão divididos mais em dois reinos de novo” (37:16, 17, 19, 22); trata-se aí do Reino celeste e do Reino espiritual do Senhor, o Reino celeste é Judá (n. 3654, 3881, 3921 no fim); o Reino espiritual é José, e que esses Reinos serão não dois, mas um só; eles até foram constituídos em um só pelo advento do Senhor ao mundo. [10] Que pela vinda do Senhor os espirituais foram salvos, foi visto (n. 2661, 2716, 2833, 2834); é a respeito deles que o Senhor fala em João: “E outras ovelhas tenho, que não são deste aprisco; convêm a Mim também trazê-las, e a Minha voz ouvirão, e se fará um só rebanho e [haverá] um só Pastor” (10:16); isto é o que é significado pelas duas madeiras, a saber, de Judá e de José, que serão conjungidos em um, e serão um só na mão do Senhor, porquanto os celestes constituem o terceiro céu, que é o céu íntimo, e os espirituais formam o segundo céu, que é o céu interior, e ali eles são um só céu, porque um influi no outro; a saber, o celeste no espiritual; o Reino espiritual é como um plano para o Reino celeste, assim eles foram estabelecidos solidamente; por isso que o Divino Celeste no terceiro céu (ou céu íntimo) é o amor ao Senhor, o celeste espiritual ali é a caridade; esta, a saber, a caridade, é o principal no segundo céu (ou céu interior), onde estão os espirituais; daí se vê claramente qual é o influxo e também qual é o estabelecimento sólido pelo influxo. A ‘madeira’ significa o bem, tanto o bem do amor ao Senhor, como o bem da caridade para com o próximo (n. 2784, 2812, 3720); é por isso que se mandou escrever Judá e José sobre as madeiras que deviam constituir uma só madeira. [11] Em Zacarias: “Poderosa farei a casa de Judá, e a casa de José salvarei, e fá-los-ei habitar, porque terei compaixão deles, e serão como se não os tivesse abandonado, porque Eu, JEHOVAH, [sou] Deus deles e responder-lhes-ei” (10:6); aí também se trata dos dois Reinos, a saber, do celeste e do espiritual: o Reino celeste é Judá, e o Reino espiritual é José; trata-se também da salvação dos espirituais. [12] Em Amós: “Assim disse JEHOVAH à casa de Israel: Buscai-Me e vivereis, buscai a JEHOVAH, e vivereis, para que não se apodere como o fogo da casa de José, e a consuma, e ninguém extingue; tende ódio ao mal e amai ao bem305, e estabelecei ao portão o juízo, talvez terá compaixão JEHOVAH Deus Zebaoth dos restos de José” (5:4, 6, 15); aí também os espirituais são significados por José; a casa de Israel é a igreja espiritual (n. 3305, 3654); José é o bem dessa igreja, por isso se diz: “Assim disse JEHOVAH à casa de Israel: Buscai-Me e vivereis, ... para que não se apodere como o fogo da casa de José”. [13] Em Davi: “Ó Pastor de Israel, dá ouvidos, [tu] que conduzes como um rebanho a José, que te assentas sobre os querubins, resplandece diante de Efraim, e de Benjamin, e de Manassés, desperta o teu poder, e vá em salvação para nós” (Sl. 80:2, 3, 4 [Em JFA, 80:1, 2, 3]); igualmente; aí também José é o homem espiritual; Efraim, Benjamin e Manassés são as três coisas que pertencem a essa igreja. [14] No mesmo: “Elevai o canto e trazei o adufe, a cítara suave com o alaúde, tocai a trombeta no mês, na feria no dia da nossa festa, porque [era] isto estatuto para Israel, um juízo ao Deus de Jacó, um testemunho para José [ele] o estabeleceu, ao sair ele contra a terra do Egito; [onde] um lábio [que] não tinha conhecido ouvi” (Sl. 81:3, 4, 5, 6). Que José seja aqui a igreja espiritual ou o homem espiritual, é isso evidente por cada expressão e cada palavra, pois há na Palavra palavras que exprimem coisas espirituais, e palavras que exprimem coisas celestes, e isso constantemente em toda parte; aqui, são palavras que exprimem coisas espirituais como o canto, o adufe, a cítara com o alaúde, tocar a trombeta no mês, na feria no dia da festa; por esse modo é ainda evidente que se trará da igreja espiritual, que é José. [15] Em Ezequiel: “Assim disse o Senhor JEHOVIH: Aqui [está] o limite até o qual herdardes a terra, segundo as doze tribos de Israel, a José as cordas” (47:13)); Trata-se aí do Reino espiritual do Senhor, por isso se diz: a José as cordas: O Divino Espiritual do Senhor é também o que é chamado Sua Realeza [Regium], porque a Realeza do Senhor é o Divino Vero, e o Seu Sacerdócio [Sacerdotale] é o Divino Bem (n. 2015, 3009, 3670). É a própria Realeza do Senhor que é representada por José, no fato de ele ter sido feito Rei na terra do Egito; a respeito dessa representação se tratará ali, pela Divina Misericórdia do Senhor. [16] Quanto ao que diz respeito ao Divino Espiritual do Senhor, ou o Divino Vero, que, no sentido supremo, é representado por José, esse Divino não está no Senhor, mas procede do Senhor, pois o Senhor não é senão o Divino Bem, mas do Divino Bem procede o Divino Vero; tem-se isso comparativamente como com o Sol e a sua luz; a luz não está no Sol, mas procede do Sol; ou, como com o fogo, o lume não está no fogo, mas o lume procede do fogo. O Divino Bem mesmo é também, na Palavra, comparado ao Sol, então ao fogo, e também é chamado Sol e fogo. O Reino celeste do Senhor vive pelo bem [ex bono] que procede do Senhor, mas o Reino Espiritual vive pelo vero que procede desse bem, por isso o Senhor, na outra vida, aparece aos celestes como sol, e aos espirituais como lua (ver os n. 1053, 1521, 1529, 1530, 1531, 3636, 3643); com efeito, é o calor e é a luz que procede do Sol, o calor é comparativamente o bem do amor, que é também chamado calor celeste e calor espiritual, a luz é comparativamente o vero procedente desse bem, que é também chamado luz espiritual (n. 636, 3643); mas no calor celeste e na luz espiritual, que procedem do Senhor como de um Sol na outra vida, há o bem do amor e o vero da fé, assim, a sabedoria e a inteligência (n. 1521, 1522, 1523, 1542, 1619 a 1632, 2776, 3138, 390, 3195, 3222, 3223, 3339, 3485, 3636, 3862), porquanto as coisas que procedem do Senhor são vivas. [17] Por tudo isso, pode-se ver o que é o Divino Espiritual, e de onde provém o Reino do espiritual e o Reino celeste, e que o Reino espiritual é o bem da fé, isto é, a caridade que influi do Senhor imediatamente, e também mediatamente pelo Reino celeste. O Divino Espiritual que procede do Senhor é chamado, na Palavra, o ‘espírito da verdade’, e é o Santo Vero; e ele pertence não a algum espírito, mas ao Senhor que o envia por um espírito, como se pode ver pelas palavras do Senhor mesmo, em João: “Quando ele vier, o espírito da verdade, guiar-vos-á a toda verdade; pois não falará por Si mesmo, mas tudo que tiver ouvido pronunciará; ele também vos anunciará as coisas futuras. Ele Me glorificará, porque do Meu receberá e vos anunciará” (16:13, 14). * * * * * * *