. ‘E disse: Designa o teu salário sobre mim, e dá-lo-ei’; que signifique que de si mesmo ele daria o que ele quisesse, é o que se pode ver sem necessidade de explicação. As coisas que foram ditas até agora são coisas tais que não podem ser explicadas com clareza diante do entendimento, tanto porque a mente não pode se desviar em um momento dos [relatos] históricos a respeito de Labão e de Jacó para as coisas espirituais das quais trata o sentido interno (pois o histórico está sempre ligado a isso e ocupa a ideia, quando todavia ele deve ser como nulo, para que as coisas que não são históricas sejam compreendidas na série), como porque é necessário ter uma noção clara sobre esses bens que são representados por um e outro, a saber, por Labão e por Jacó, e que o bem que é representado por Labão é tal que é simplesmente um bem útil, a saber, para introduzir os veros e os bens genuínos, e que depois ele é abandonado quando tiver sido cumprida essa utilidade. Anteriormente se tratou desse bem e se disse qual ele é. Acontece com esse bem o que acontece com as fibras prematuras pelas quais a seiva é introduzida nos frutos em primeiro lugar, que, logo que elas desempenharam essa função, elas murcham e os frutos amadurecem por meio de outras fibras, e finalmente pelas fibras da seiva genuína. [2] É notório que o homem, na infância e na meninice, aprende muitas coisas, cujo único uso consiste no fato que por meio dessas coisas, como por intermediários, ele aprende outras mais úteis, e sucessivamente, por meio destas, outras mais úteis ainda e, por fim, as que dizem respeito à vida eterna, e quando aprende estas últimas; as precedentes são quase obliteradas. Do mesmo modo também, quando o homem nasce de novo pelo Senhor, ele é conduzido por meio de várias afeições do bem e do vero que não são afeições do bem e do vero genuínos, mas simplesmente afeições úteis para compreender esses bens e esses veros genuínos, em seguida o homem deve ser imbuído deles, e uma vez que ele foi imbuído, essas afeições anteriores são esquecidas e deixadas de lado, porque tinham somente servido de meios. O mesmo se dá com o bem colateral, que é significado por Labão, relativamente ao bem que pertence ao vero, que é significado por Jacó, como também pelo rebanho de um e de outro, de que se tratará no que segue. [3] São esses os arcanos que estão contidos nessas palavras e nas seguintes, mas eles são apresentados historicamente, para que a Palavra, quando lida com deleite, mesmo pelos meninos e pelos simples, a fim de que, quando os que a lerem estejam pelo sentido histórico em um santo prazer, os anjos com eles estejam na santidade e no sentido interno, a saber, [sentido] que é adequado à inteligência angélica, enquanto que o sentido externo é adequado à inteligência humana, daí a consociação do homem com os anjos, o que o homem ignora completamente, mas ele percebe daí simplesmente uma sorte de prazer no qual há um [estado] santo.