. ‘Isso será furtado comigo’; que signifique que isso não lhe pertenceria, é o que se pode ver sem necessidade de explicação. Isto, de fato, soa rigoroso no sentido da letra, mas quando essa expressão passa para o céu, tal rigor fica afastado e a expressão se torna branda e suave; o mesmo acontece em Mateus: “Vigiai, pois não sabeis em que hora o vosso Senhor há de vir. Isto conhecei: se o pai de família soubesse em que hora o ladrão deve vir, vigiaria certamente, e não deixaria arrombar a sua casa” (24:42, 43); em João: “Se não vigiares, virei sobre ti como ladrão, e não saberás a que hora virei sobre ti” (Ap. 3:3); no mesmo: “Eis, venho como um ladrão; feliz quem vigia e conserva as suas vestimentas” (Ap. 16:15); trata-se do Senhor nessas passagens, em que ‘como um ladrão’ não significa outra coisa senão inopinada e inesperadamente. No sentido interno, ‘furtar’ é atribuir a si o que pertence ao Senhor, a saber, o bem e o vero, e como todos fazem isso no começo da regeneração, e este é o primeiro estado da inocência (ver logo acima n. 4001), é por isso que a palavra é mais branda do que soa na letra; por consequência, ‘furtado comigo’ significa que isso não lhe pertenceria.