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Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E removeu nesse dia os cabros matizados e malhados’; que signifique que os veros que pertencem ao bem, esparsos e misturados com os males e os falsos que são próprios ao bem significado por Labão, eram separados, vê-se pela significação de ‘remover’, que é separar; pela significação dos ‘cabros’, que são os veros que pertencem ao bem, de que se tratará no que segue; pela significação dos ‘matizados’, que são as coisas esparsas e misturadas com os males, do que também se tratará no que segue; e pela significação dos ‘malhados’, que são as coisas esparsas e misturadas com os falsos, de que se tratou acima. Aqui são nomeados os ‘cabros’ e depois as ‘cabras’, a causa é porque os ‘cabros’ significam os veros que pertencem ao bem, e as ‘cabras’, os bens que pertencem ao vero; qual a diferença entre eles, ver acima (n. 3995).
[2] Na Palavra, há uma acurada distinção entre os machos e as fêmeas, como se vê claramente pelos sacrifícios e os holocaustos, nos quais se ordenava de um modo específico que se oferecesse quer um cordeiro ou uma cordeira, quer uma cabra ou um cabro, quer uma ovelha ou um carneiro, e assim por diante. Pode-se ver daí que era significada uma coisa pelo macho e outra coisa pela fêmea; em geral, pelo macho era significado o vero, e pela fêmea, o bem; aqui, portanto, os cabros significam os veros que pertencem ao bem, e as cabras, que são nomeadas logo depois, significam os bens que lhes foram adjuntos; e porque há tal diferença, também se diz que foram removidos os cabros matizados, mas não os salpicados, o que também se diz das cabras. De fato, o ‘matizado’ significa o vero esparso e misturado com os males, enquanto o ‘salpicado’ significa o bem esparso e misturado com os males, do que se tratou (n. 3993). O vero misturado com os males pertence propriamente ao entendimento, mas o bem misturado com os males pertence propriamente à vontade; é esta a diferença. Que essas coisas procedam do bem significado por Labão, é isso evidente, porque procedem do rebanho de Labão. Com efeito, na Palavra, o ‘rebanho’ significa o bem e o vero, ou, o que é a mesma coisa, aqueles que estão no bem e no vero, assim, os que são da igreja do Senhor.
[3] Este arcano não pode mais ser explicado, porque ele não pode se manifestar senão a um entendimento instruído a respeito dos veros e bens e, ao mesmo tempo, esclarecido, pois é necessário saber o que são os veros que pertencem o bem e o que são os bens daí provenientes, então saber que de um único bem (que é aqui representado por Labão), tantos bens e veros variados podem se separar. Aqueles que não estão nessas cognições não sabem que em cada bem há inumeráveis coisas, e que de fato há tantas, que dificilmente poderiam ser distinguidas em gêneros comuns pelo mais sábio, pois há os bens adquiridos por meio dos veros, há os veros nascidos daí, e, por estes, novamente bens adquiridos; há os veros nascidos dos bens, e isso também em série. Há os bens misturados com os males, e os veros misturados com os falsos, dos quais se tratou (n. 3993), e as misturas e as composições deles são tão variadas e tão multiplicadas que excedem miríades de miríades; e também são variadas conforme todos os estados da vida, e os estados da vida diferem, no geral, conforme as idades, e no particular, conforme cada uma das afeições. Ora, sendo assim, pode-se de algum modo compreender que do bem de Labão se pôde separar tantos bens e veros variados, alguns dos quais foram adjuntos aos veros significados pelos filhos de Jacó, alguns outros foram deixados, e outros foram derivados destes. Mas essas coisas, como se disse, são tais que elas não caem senão em um entendimento instruído e, ao mesmo, tempo iluminado.

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