. Essas coisas que até aqui foram explicadas quanto ao sentido interno das palavras são interiores e, portanto, são muito secretas para que possam ser claramente expostas diante do entendimento. Com efeito, no sentido supremo, trata-se do Senhor, do modo como Ele fez Divino o Seu Natural; e, no sentido representativo, como o Senhor faz novo o natural do homem, quando o regenera. Todas essas coisas se apresentam aqui plenamente no sentido interno. [2] As coisas que estão contidas aí, no sentido supremo, tratam do Senhor, da maneira como Ele fez Divino o Natural n’Ele pelo próprio poder, elas são tais que excedem até mesmo o entendimento angélico. Pode-se ver algo a respeito dessas coisas na regeneração do homem, porque a regeneração do homem é a imagem da glorificação do Senhor (n. 3138, 3212, 3296, 3490). O homem pode ter alguma ideia a respeito, mas não outro senão aquele que foi regenerado, mas ainda assim uma ideia obscura enquanto ele vive no corpo, pois as coisas corporais e mundanas em que ele também está, derramam continuamente sombras, e retêm a mente nos inferiores; mas aqueles que não foram regenerados não podem compreender absolutamente coisa alguma; eles estão fora das cognições, porque estão fora das percepções; ainda mais, eles ignoram absolutamente o que é a regeneração, e não creem que ela possa ter lugar, nem sequer sabem o que é a afeição da caridade pela qual há a regeneração, nem, por conseguinte, o que é a consciência; eles sabem menos ainda o que é o homem interno, e ainda menos o que é a correspondência do homem interno com o homem externo. Eles podem, de fato, conhecer as palavras, e muitos as conhecem, mas ignoram a coisa mesma; razão pela qual, quando lhes falta a noção dessas coisas, por mais que fossem claramente expostos os arcanos que estão aqui contidos no sentido interno, seria sempre como se fosse apresentada alguma coisa à vista no meio das trevas, ou como se falasse a surdos; e, além disso, as afeições do amor de si e do mundo, que reinam neles, os impedem de saber, e até de escutar tais coisas, pois logo as rejeitam e as repelem até com tédio313. Não acontece o mesmo com aqueles que estão na afeição da caridade, essas coisas constituem as suas delícias, porque os anjos que estão com eles estão em sua felicidade, quando o homem está em tais coisas; a causa é porque então neles estão as coisas que tratam do Senhor, em Quem eles estão, e eles estão nas coisas que tratam do próximo e da regeneração dele. É dos anjos, isto é, do Senhor por meio dos anjos, que influem o prazer e bem-aventurança no homem que está na afeição da caridade quando ele lê essas coisas, e mais ainda quando ele acredita que a santidade está nelas, e ainda mais quando ele compreende alguma coisa que está contida no sentido interno. [3] Trata-se aí do influxo do Senhor no bem do homem interno e, de fato, pelo bem, no vero que aí está. Trata-se também do influxo que daí dimana no homem externo, ou natural, e da afeição do bem e do vero em que se faz o influxo, e também da recepção do vero e de sua conjunção com o bem que aí está; além disso, do bem que serve de intermediário, e que é significado aqui por Labão e por seu rebanho. A respeito dessas coisas, os anjos, que estão no sentido interno da Palavra, ou para os quais o sentido interno é a Palavra, veem e percebem coisas inúmeras, algumas das quais dificilmente podem chegar ao entendimento do homem, e o que ali chega, cai na obscuridade; esta é a causa por que essas coisas não são explicadas mais particularmente.