Texto
. ‘E camelos e jumentos’; que signifique os veros exteriores e externos que pertencem ao bem, é o que se vê pela significação dos ‘camelos’, que são os conhecimentos gerais do homem natural (n. 3048, 3071, 3143, 3154); os conhecimentos gerais são os veros do bem, inferiores, ou exteriores; e pela significação dos ‘jumentos’, que são os veros do bem natural ainda mais inferiores, ou externos (n. 2781). O que são os bens e veros interiores, depois, os bens e os veros médios, assim como os bens e os veros exteriores e externos, pode-se ver pelas coisas que foram ditas (n. 4009).
[2] Há no homem três coisas em geral, a saber, o corporal, o natural e o racional; o corporal é o mais externo, o natural é o médio, e o racional é o interior. Quanto mais no homem reina um mais do que o outro, tanto mais se diz dele ou corporal, ou natural, ou racional. Essas três partes do homem comunicam-se de um modo admirável, a saber, o corporal com o natural, e o natural com o racional. O homem, quando nasce, primeiro é meramente corporal, mas há nele essa faculdade de poder ser aperfeiçoado; depois ele se torna natural, e finalmente, racional. Daí é possível ver que há comunicação de um com o outro; o corporal comunica com o natural por meio das coisas dos sentidos, e isso de um modo distinto pelas coisas que pertencem ao entendimento e pelas que pertencem à vontade, pois [o entendimento e a vontade] devem ser ambos aperfeiçoados no homem, para que venha ser e seja homem. Os sentidos da visão e da audição316 são as coisas que principalmente aperfeiçoam a sua faculdade intelectual, os três sentidos restantes dizem respeito principalmente à vontade. Por esses sensuais o corporal do homem comunica com o seu natural, que é a parte média, como foi dito; de fato, as coisas que entram pelos sentidos colocam-se no natural como em uma sorte de receptáculo, este receptáculo é a memória. Aí, o prazer, a volúpia e a cobiça pertencem à vontade, e chamam-se bens naturais, mas os conhecimentos aí pertencem ao entendimento, e chamam-se veros naturais.
[3] Por esses bens e esse veros que foram agora indicados, o natural do homem comunica com o seu racional, que é, como foi dito, a parte interior. As coisas que daí se elevam para o racional colocam-se também no racional como em uma sorte de receptáculo, receptáculo que é a memória interior, de que se tratou (n. 2469. 2470, 2471, 2472, 2473 a 2480); ali, a bem-aventurança e a felicidade pertencem à vontade, e pertencem ao bem do racional, mas as intuições interiores das coisas e as percepções pertencem ao entendimento, e as coisas que dizem respeito a essas intuições e a essas percepções chama-se veros racionais. São essas as três coisas que constituem o homem; entre essas três coisas há comunicações; é pelos sentidos externos que o corporal do homem comunica com o seu natural, e é pelos sentidos interiores que o natural do homem comunica com o seu racional. Portanto, as coisas que, no natural do homem, são trazidas dos sentidos externos, que são os próprios do corpo, são as coisas que são chamadas veros exteriores e externos do bem; e as que derivam dos sentidos internos, que são os próprios de seu espírito, e comunicam com o racional, são as que são chamadas bens e os veros interiores; as coisas que estão entre aquelas e estas, e participam do corporal e do racional, são as que são chamadas bens e veros médios [ou intermediários]. São essas três sortes de bens e veros, postos em ordem desde os interiores, que são significados, no sentido interno, pelo ‘rebanho’, pelas ‘servas e os servos’, e pelos ‘camelos’ e os ‘jumentos’.
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