Texto
. Que as formas ainda mais interiores, que são também mais universais, não sejam compreensíveis, como foi dito, a causa é porque as formas, quando são nomeadas, trazem consigo a ideia do espaço, e também a do tempo, quando, todavia, nos interiores, onde está o céu, não se percebe coisa alguma pelos espaços nem pelos tempos, porque os espaços e os tempos são os próprios da natureza, mas tudo ali é percebido pelos estados e pelas variações e mudanças dos estados. Como, porém, as variações e as mudanças não podem ser concebidas pelo homem sem as coisas pertencentes à forma, como foi dito, sem as coisas que pertencem ao espaço e ao tempo, quando, entretanto, tais coisas não existem nos céus, pode-se ver por esse modo quanto esses interiores são incompreensíveis e também quanto eles são inefáveis. Todas as palavras humanas por meio das quais quiséssemos divulgá-los e compreendê-los, porque envolvem coisas naturais, não seriam adequadas para exprimi-los. Nos céus esses interiores manifestam-se pelas variações da luz celeste e da chama celeste que procedem do Senhor, e isso é uma plenitude tal e tão grande, que milhares e milhares de percepções dificilmente poderiam cair em alguma coisa perceptível no homem. Mas, apesar disso, as coisas que se fazem nos céus são representadas no mundo dos espíritos por formas para as quais as formas que se oferecem no mundo se aproximem pela semelhança.