. Apareceu-me a princípio uma sorte de face sobre uma janela azul; essa face retirou-se logo depois para o interior. Vi então uma estrelinha para a região do olho esquerdo, depois muitas estrelinhas rutilantes que lançavam relâmpagos brancos. Depois disso, vi paredes, mas sem teto, as paredes somente do lado esquerdo, e enfim uma sorte de céu estrelado. E como tivesse visto isso em um lugar em que havia maus, acreditava que era alguma coisa má que me tinha sido apresentada à vista. Logo, porém, a parede e o céu desapareceram, e vi um poço de onde saiu uma nuvem branca ou um vapor branco, e também me parecia que alguma coisa era tirada do poço. [2] Perguntei o que tudo isso significava e representava e disseram-me que era a representação do infundíbulo [ou funil] no cérebro; que o cérebro que estava acima é significado pelo céu; que o que tinha sido visto era esse vaso, que é significado pelo poço e chamado funil; que a nuvem e o vapor que dele saiam era a linfa que passa através e que daí é tirada; e que essa linfa era de duas espécies, a saber, a que é mesclada com os espíritos animais, a qual está entre as linfas úteis, e a que está misturada com as serosidades, que está entre as linfas excrementícias. [3] Mostrou-se-me, depois, quais eram os que pertencem a essa província, mas unicamente os que eram de uma sorte vil; até mesmo os vi também correndo desordenadamente aqui e ali. Eles se apegam aos que eles veem, prestam atenção às mínimas coisas, e anunciam aos outros o que ouvem dizer; são propensos a suspeitas, impacientes, irrequietos, à imitação dessa linfa que está ali e que é levada de um lado para o outro; os seus raciocínios são representados pelos fluidos que ali estão; mas estes são de uma sorte mediana. [4] Quanto aos que se referem às linfas excrementícias do funil, são os que fazem descer as verdades espirituais até as coisas terrestres, e aí as conspurcam; por exemplo, aqueles que, quando ouvem dizer alguma coisa sobre o amor conjugal, a aplicam a escortações e a adultérios, e fazem assim descer até essas abominações as coisas que pertencem ao amor conjugal, e assim por diante. Estes apareceram-me na frente, a alguma distância à direita. Mas aqueles que são de boa sorte são semelhantes aos de que se falou (n. 4049).