. O cérebro, do mesmo modo que o céu, está na esfera dos fins, que são os usos; uma vez que tudo que influi do Senhor é um fim visando a salvação do gênero humano, é este fim que reina no céu e que, portanto, também reina no cérebro. Com efeito, o cérebro, onde está a mente do homem, visa os fins no corpo, a saber, para que o corpo sirva à alma, para que a alma seja feliz pela eternidade. Existem, contudo, sociedades que não têm fim algum de uso, lá só se quer estar entre amigos e amigas, e nas voluptuosidades, assim, só se é favorável a si, e só se cuida da sua pequena pele; se se trata de coisas domésticas ou de coisas públicas, elas são para o mesmo fim. As sociedades de tais espíritos são hoje em maior número do que é possível crer. Desde que tais espíritos se aproximam, sua esfera opera e extingue nos outros as afeições do vero e do bem; estas, quando extintas, eles então estão na voluptuosidade de sua amizade. São essas as obstipações do cérebro, e elas lhes induzem a estupidezes. Muitas sociedades de semelhantes espíritos estiveram comigo, e eu percebi a sua presença por um embotamento, uma lentidão e uma privação de afeição. Algumas vezes também conversei com eles: são pestes e flagelos, ainda que na vida civil, quando estavam no mundo, eles se tivessem mostrado bons, agradáveis e amáveis, e também engenhosos, pois, eles conhecem as boas maneiras e os modos de se insinuarem por elas, principalmente nas amizades. Eles não sabem nem querem saber o que é ser amigo pelo bem, ou o que é a amizade do bem. Triste sorte os aguarda; eles vivem por fim no lamaçal, e em tal estupidez, que dificilmente lhes resta alguma coisa de humano quanto à compreensão. Com efeito, o fim faz o homem, e tal qual é o fim, tal é o homem, por conseguinte, tal é o humano que lhe resta depois da morte.