ac 4060

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. Que, portanto, por essas palavras que são referidas aqui, é significado o estado da igreja então quanto ao bem, isto é, quanto à caridade para com o próximo e ao amor ao Senhor, é o que se vê pelo sentido interno dessas palavras, que é este:
“Logo, porém, depois da aflição destes dias” significa o estado da igreja quanto ao vero que pertence à fé, estado de que brevemente se trata nas coisas precedentes. Na Palavra, aqui e ali a desolação do vero é denominada ‘aflição’; que os ‘dias’ sejam os estados, foi visto (n. 23, 487, 488, 493, 893, 2788, 3462, 3785); daí, é evidente que por estas palavras é significado que, depois que não houver mais nenhuma fé, não haverá nenhuma caridade, pois é a fé que conduz para a caridade, porque ela ensina o que é a caridade, e a caridade recebe a sua qualidade pelos veros que pertencem à fé, mas os veros da fé recebem da caridade a sua essência e a sua vida, como foi demonstrado várias vezes nas partes precedentes [desta obra].
[2] “O sol se escurecerá e a lua não dará a sua luz” significa o amor ao Senhor, que é o ‘sol’, e a caridade para com o próximo, que é a ‘lua’; ‘escurecer-se e não dar a sua luz’ significa que esse amor e essa caridade não se mostrarão, assim, que desaparecerão. Que o ‘sol’ seja o celeste do amor, e a ‘lua’, o espiritual do amor, isto é, que o ‘sol’ seja o amor ao Senhor, e a ‘lua’ a caridade para com o próximo, caridade que existe pela fé, foi visto (n. 1053, 1529, 1530, 2120, 2441, 2495). A causa de ser essa a significação do sol e da lua, é porque o Senhor, na outra vida, aparece como Sol aos que, no céu, estão no amor a Ele, os quais são chamados celestes, e aparece como Lua aos que estão na caridade para com o próximo, os quais são chamados espirituais (ver n. 1053, 1521, 1529, 1530, 1531, 3536, 3643).
[3] Nunca o Sol e a Lua nos céus, ou o Senhor são escurecidos nem perdem seu lume, mas brilham perpetuamente; assim também nem o amor ao Senhor nos celestes e a caridade para com o próximo nos espirituais, nos céus, nem na terra naqueles entre os quais os anjos estão, isto é, os que estão no amor e na caridade. Mas entre aqueles que não estão em amor algum nem em caridade alguma, mas que estão no amor de si e do mundo e, por isso, nos ódios e nas vinganças, eles introduzem em si próprios essa escuridão; tem-se isso como com o Sol do mundo, o Sol brilha perpetuamente, mas quando nuvens se interpõem, ele não aparece (ver n. 2441).
[4] “E as estrelas cairão do céu” significa que perecerão as cognições do bem e do vero. Na Palavra, por ‘estrelas’, onde são mencionadas, não é significada outra coisa (n. 1808, 2849). “E os poderes dos céus serão abalados” significa os fundamentos da igreja, dos quais se diz que são abalados e sacudidos quando perecem. De fato, a igreja na terra é o fundamento do céu, pois o influxo do bem e vero procedente do Senhor por meio dos céus nos bens e veros que estão no homem da igreja termina no último, razão por que quando o homem da igreja se acha em tal estado pervertido, como não admite mais o influxo do bem e vero, então se diz que os poderes dos céus estão abalados. É por isso que é sempre provido pelo Senhor que permaneça alguma coisa da igreja, e quando a velha igreja perece, que uma nova seja instaurada.
[5] “E então aparecerá o sinal do Filho do homem no céu” significa então a aparição do Vero Divino; o ‘sinal’ é a aparição, o ‘Filho do homem’ é o Senhor quanto ao Vero Divino (ver n. 2803, 2813, 3704); é a respeito dessa aparição, ou desse sinal, que os discípulos perguntam, quando dizem ao Senhor: “Dize-nos, quando estas coisas acontecerão, sobretudo, qual o sinal da Tua vinda e da consumação do século” (vers. 3 desse capítulo); pois eles sabiam, da Palavra, que, quando fosse consumado o século, o Senhor haveria de vir; e eles sabiam, pelo Senhor, que Ele havia de vir outra vez, e por isto tinham compreendido que o Senhor viria pela segunda vez ao mundo, não sabendo ainda que o Senhor tinha vindo outras tantas vezes quando a igreja tinha sido devastada; não que Ele tivesse vindo em pessoa, como quando Ele tomou o Humano por nascimento e o fez Divino, mas tinha vindo por aparições quer manifestas quais quando Ele apareceu a Abrahão em Mamre, a Moisés na sarça, ao povo de Israel na montanha de Sinai, a Josué quando ele entrou na terra de Canaã, quer por modos não assim manifestos, como pelas inspirações pelas quais [Ele deu] a Palavra; e enfim pela Palavra. Com efeito, na Palavra o Senhor está presente, pois todas as coisas que pertencem à Palavra procedem d’Ele e são a respeito d’Ele, como se pode ver pelas coisas que se tem mostrado muitas vezes até aqui.
[6] É essa aparição que é significada aqui pelo ‘sinal Filho do homem’ e de que se trata neste versículo. “E então gemerão todas as tribos da terra” significa que estarão na dor todos que estão no bem do amor e no vero da fé. Que o ‘gemido’ ou o pranto signifique isto, vê-se em Zacarias (cap. 12:10, 11, 12, 13, 14); e que as ‘tribos’ signifiquem todas as coisas do bem e do vero, ou do amor e da fé (n. 388, 3926); consequentemente, daqueles que estão no bem do amor e no vero da fé se diz as tribos da terra, porque aqui são significados os que estão dentro da igreja. Que a ‘terra’ seja a igreja, foi visto (n. 662, 1066, 1067, 1262, 1733, 1850, 2117, 2928, 3355).
[7] “E verão o Filho do homem vindo nas nuvens dos céus com poder e muita glória” significa que então será a Palavra revelada quanto ao seu sentido interno, no qual está o Senhor; o ‘Filho do homem’ é o Vero Divino que está na Palavra (n. 2803, 2813, 3704); a ‘nuvem’ é o sentido literal; o ‘poder’ se diz do bem e a ‘glória’ se diz do vero, que ali estão. Que seja isso o que é significado por ‘ver o Filho do homem vir nas nuvens do céu’, é o que foi explicado no Prefácio ao capítulo 18 do Gênesis. Essa vinda do Senhor é a que se entende aqui, mas não que aparecerá nas nuvens segundo a letra. O que segue agora diz respeito à instauração da nova igreja, a que se efetua quando a velha igreja foi devastada e rejeitada.
[8] “Enviará os anjos com trombeta e grande voz” significa a eleição, não por anjos visíveis, e ainda menos com trombetas e grandes vozes, mas pelo influxo do santo bem e do santo vero procedentes do Senhor por meio dos anjos, por isso é que pelos anjos, na Palavra, é significada alguma coisa que pertence ao Senhor (n. 1925, 2821, 3039); aqui eles significam coisas que são provenientes do Senhor e tratam do Senhor; pela ‘trombeta’ e a ‘grande voz’ é significada a evangelização, como também em outra passagem na Palavra.
[9] “E ajuntarão os eleitos dos quatro ventos desde a extremidade dos céus até a extremidade deles” significa a inauguração da nova igreja. Os ‘eleitos’ são os que estão no bem do amor e da fé (n. 3955 no fim, 3900); os ‘quatro ventos dos quais eles serão ajuntados’ são todos os estados do bem e do vero (n. 3708); ‘desde a extremidade dos céus até a extremidade deles’ são os internos e os externos da igreja. São essas então as coisas que são significadas por essas palavras do Senhor.

Versão impressa (opcional)

Para estudo mais confortável, você pode adquirir esta obra em formato impresso: ver orientações.