ac 4075

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E o DEUS do meu pai esteve comigo’; que signifique que todas as coisas que eram d’Ele procediam do Divino, é o que se vê por isso, que o ‘Deus do pai’, quando predicado do Senhor, é o Divino que pertence a Ele, e porque ‘esteve comigo’ significa que daí vêm todas as coisas que Lhe pertencem. Quando o Senhor fez Divino o Humano n’Ele, também tinha ao redor de Si sociedades de espíritos e de anjos, pois Ele quis que todas as coisas se fizessem segundo a ordem; mas Ele só chamava a Si as que eram próprias a servir, e as mudava conforme Lhe agradava. Contudo, Ele não tinha dessas sociedades coisa alguma do bem nem do vero, e não aplicou a Si coisa alguma, mas obteve [tudo] do Divino, é assim que Ele repôs em ordem não só o céu, mas também o inferno, e isso sucessivamente, até o momento em que Se glorificou plenamente. Que sociedades de espíritos e de anjos tenham podido servir ao uso, e que o Senhor, ainda assim, não tenha tomado nada dessas sociedades, é o que pode ser ilustrado por exemplos.
[2] As sociedades que são tais que creem ser procedente delas próprias o bem, e que por isso põem o mérito nos bens, Lhe tinham servido ao uso de Se introduzir no conhecimento de tal bem e, daí, na sabedoria sobre o bem sem o mérito, tal qual é o bem que provém do Divino; esse conhecimento e a sabedoria daí procedente não vinham dessas sociedades, mas por meio delas. Sejam também para exemplo as sociedades que creem ter muita sabedoria, e que, entretanto, raciocinam sobre o bem e o vero, e sobre cada coisa para decidir se assim é. Tais sociedades são, na sua maioria, de espirituais; elas Lhe tinham servido ao uso de Se introduzir no conhecimento sobre essas coisas, e de saber quanto elas estavam relativamente na sombra, e que, a não ser que o Divino tivesse misericórdia delas, elas pereceriam; e [tinham servido ao uso de Se introduzir] em muitas coisas que provêm do Divino, as quais vinham não dessas sociedades, mas por meio dessas sociedades.
[3] Sejam ainda para exemplos as sociedades que estão no amor a Deus, e que creem que, se intuem323 o Infinito e adoram um Deus oculto, que elas podem estar no amor a Ele, quando todavia não estão nesse amor, exceto se por alguma ideia elas tornarem finito esse infinito, ou se por ideias intelectuais finitas elas formarem visível nelas o Deus oculto, pois de outro modo seria intuir nas trevas, e abranger por amor o que se acha nessas trevas, por conseguinte, muitas coisas grosseiras e confusas segundo as ideias de cada um. Essas sociedades Lhe tinham servido também ao uso de Se introduzir no conhecimento sobre a qualidade dessas sociedades e, depois, sobre a qualidade do amor delas, e também na comiseração e [no conhecimento] que elas não podiam ser salvas a não ser que o Humano do Senhor também se tornasse Divino, no qual elas intuiriam [o Divino]; essa sabedoria também não provinha dessas sociedades, mas do Divino por meio dessas sociedades; o mesmo se tem com as restantes. Sendo assim, vê-se claramente como se deve entender que nada foi tomado do bem significado por Labão, mas todas essas coisas que eram do Senhor procediam do Divino, isto é, d’Ele mesmo.

Versão impressa (opcional)

Para estudo mais confortável, você pode adquirir esta obra em formato impresso: ver orientações.