Texto
. ‘E o DEUS do meu pai esteve comigo’; que signifique que todas as coisas que eram d’Ele procediam do Divino, é o que se vê por isso, que o ‘Deus do pai’, quando predicado do Senhor, é o Divino que pertence a Ele, e porque ‘esteve comigo’ significa que daí vêm todas as coisas que Lhe pertencem. Quando o Senhor fez Divino o Humano n’Ele, também tinha ao redor de Si sociedades de espíritos e de anjos, pois Ele quis que todas as coisas se fizessem segundo a ordem; mas Ele só chamava a Si as que eram próprias a servir, e as mudava conforme Lhe agradava. Contudo, Ele não tinha dessas sociedades coisa alguma do bem nem do vero, e não aplicou a Si coisa alguma, mas obteve [tudo] do Divino, é assim que Ele repôs em ordem não só o céu, mas também o inferno, e isso sucessivamente, até o momento em que Se glorificou plenamente. Que sociedades de espíritos e de anjos tenham podido servir ao uso, e que o Senhor, ainda assim, não tenha tomado nada dessas sociedades, é o que pode ser ilustrado por exemplos.
[2] As sociedades que são tais que creem ser procedente delas próprias o bem, e que por isso põem o mérito nos bens, Lhe tinham servido ao uso de Se introduzir no conhecimento de tal bem e, daí, na sabedoria sobre o bem sem o mérito, tal qual é o bem que provém do Divino; esse conhecimento e a sabedoria daí procedente não vinham dessas sociedades, mas por meio delas. Sejam também para exemplo as sociedades que creem ter muita sabedoria, e que, entretanto, raciocinam sobre o bem e o vero, e sobre cada coisa para decidir se assim é. Tais sociedades são, na sua maioria, de espirituais; elas Lhe tinham servido ao uso de Se introduzir no conhecimento sobre essas coisas, e de saber quanto elas estavam relativamente na sombra, e que, a não ser que o Divino tivesse misericórdia delas, elas pereceriam; e [tinham servido ao uso de Se introduzir] em muitas coisas que provêm do Divino, as quais vinham não dessas sociedades, mas por meio dessas sociedades.
[3] Sejam ainda para exemplos as sociedades que estão no amor a Deus, e que creem que, se intuem323 o Infinito e adoram um Deus oculto, que elas podem estar no amor a Ele, quando todavia não estão nesse amor, exceto se por alguma ideia elas tornarem finito esse infinito, ou se por ideias intelectuais finitas elas formarem visível nelas o Deus oculto, pois de outro modo seria intuir nas trevas, e abranger por amor o que se acha nessas trevas, por conseguinte, muitas coisas grosseiras e confusas segundo as ideias de cada um. Essas sociedades Lhe tinham servido também ao uso de Se introduzir no conhecimento sobre a qualidade dessas sociedades e, depois, sobre a qualidade do amor delas, e também na comiseração e [no conhecimento] que elas não podiam ser salvas a não ser que o Humano do Senhor também se tornasse Divino, no qual elas intuiriam [o Divino]; essa sabedoria também não provinha dessas sociedades, mas do Divino por meio dessas sociedades; o mesmo se tem com as restantes. Sendo assim, vê-se claramente como se deve entender que nada foi tomado do bem significado por Labão, mas todas essas coisas que eram do Senhor procediam do Divino, isto é, d’Ele mesmo.