ac 4096

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E respondeu Raquel e Leah, e disseram-lhe’; que signifique o recíproco das afeições do vero, vê-se pela significação de ‘responder’, quando há consentimento[cum annuitur], que é o recíproco (n. 2919), e que é a recepção (n. 2941, 2957), e pela representação de ‘Raquel’, que é a afeição do vero interior, e pela de ‘Leah’, que é a afeição do vero externo (n. 3758, 3782, 3793, 3819). Nas coisas que precedem, tratou-se, no sentido interno, do bem do natural, que é significado por Jacó, quando separado do bem intermediário, que é Labão, e do modo como aquele, a saber, o bem do natural juntava a si as afeições do vero que são significadas por Raquel e Leah. Agora se trata da aplicação recíproca das afeições do vero ao bem. Essa aplicação está contida no sentido interno das palavras que Raquel e Leah disseram agora.
[2] Mas essas coisas são tais que não caem no entendimento, salvo no entendimento daquele que foi instruído e que percebe prazer no conhecimento de tais coisas, por conseguinte, aquele que tem por fim as cognições espirituais. Todos os outros não se importam de modo algum com essas coisas, e não podem dirigir a sua mente a este assunto. Com efeito, aqueles que têm por fim as coisas mundanas e terrestres não podem desviar daí os seus sentidos, e se os desviassem, perceberiam um desprazer, pois então eles separariam e se afastariam das coisas que eles têm por fim, isto é, que eles amam. Cada um experimente em si se é tal, se quer saber de que maneira o bem se ajunta às afeições do vero, e como as afeições do vero se aplicam ao bem, e se não experimentará desgosto em saber tais coisas, e se não dirá que elas não lhe são úteis, depois, que nada compreenda a respeito delas.
[3] Mas se lhe fossem informadas coisas que têm relação com os seus negócios no mundo, mesmo que fossem coisas escondidíssimas, e se lhe mostrasse qual é o outro homem quanto às afeições, e como ele pode, pelas afeições, aplicando-se ao seu ânimo e às suas falas [animo et dictis], não só ele compreenderia isso, como também perceberia as coisas interiores. O mesmo acontece àquele que, por afeição, se aplica a investigar as coisas abstrusas das ciências; este ama intuir e mesmo intui o quanto possível as coisas mais intrincadas. Quando, porém, se trata do bem e do vero espirituais, ele sente tédio e até aversão. Estas coisas foram ditas para que se saiba qual é o homem da igreja de hoje.
[4] Mas como a coisa acontece em relação ao bem quando ele junta a si os veros pelas afeições, e em relação aos veros quando eles se aplicam, não se pode ver assim, quando a ideia ou o pensamento é mantido no bem e no vero; mas vê-se melhor quando se está nas sociedades dos espíritos e dos anjos, por meio das quais se faz o influxo; pois, como se disse (n. 4067), o querer e o pensar do homem vêm dali, ou influem dali, e aparecem como nele. Saber a partir delas, a saber, das sociedades dos espíritos e dos anjos, de que modo a coisa ocorre, é saber a partir da causa mesma, e saber a partir do céu dos anjos é saber a partir dos fins das coisas. Há também coisas históricas que se juntam e esclarecem, assim, se mostram de um modo mais manifesto.
[5] No sentido interno, trata-se da adjunção do bem aos veros e da aplicação dos veros, no natural, porque aí Jacó é o bem (como foi dito muitas vezes) e as mulheres dele são as afeições do vero. O bem, que pertence ao amor e à caridade, influi do Senhor, e de fato por meio dos anjos, que estão junto ao homem, e não em outra coisa no homem senão nas cognições que estão nele. E porque é aí que é fixado o bem, o pensamento é mantido nos veros que pertencem às cognições, e daí são estimuladas muitas coisas que estão em afinidade e na conveniência, e isso por muito tempo, até que ele pense que assim seja, e até que queira (porque assim é) por afeição. Quando isso acontece, então o bem se conjunge aos veros e os veros se aplicam [ao bem], no livre, pois toda afeição faz o livre (n. 2870, 2875, 3158, 4031).
[6] Mas quando isso acontece, os espíritos que foram adjuntos ao homem também excitam dúvidas, por vezes também negativas, mas quanto mais prevalece a afeição [do vero], tanto mais [o homem] é conduzido para o afirmativo, e então ao mesmo tempo, por meio de tais dúvidas, é confirmado nos veros. Quando o bem influi assim, não se percebe que é por meio dos anjos, porque ele influi assim interiormente e no obscuro do homem, que lhe vem das coisas mundanas e corporais. Mas cumpre saber que o bem influi não dos anjos, mas do Senhor por meio dos anjos, é isso o que também todos os anjos confessam, é também por isso que eles nunca reivindicam a si bem algum, e até ficam indignados quando alguém lhes atribui isso. Agora, do que foi dito, pode-se ver, como a partir das causas mesmas, de que modo a coisa se passa com relação à adjunção do bem aos veros, e com a aplicação dos veros ao bem, de que se trata aqui no sentido interno.

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