. ‘E também comeu comendo a nossa prata’; que signifique que ele consumiria o vero dessas afeições caso elas não fossem separadas, é o que se vê pela significação de ‘comer’, que é consumir; e pela significação da ‘prata’, que é o vero (n. 1551, 2954); que ‘a nossa prata’, seja o vero dessas afeições, é isso evidente, pois por Raquel e Leah são representadas as afeições do vero, como foi demonstrado antes aqui e ali. O que estas palavras envolvem não se pode saber a não ser que se saiba como a coisa acontece em relação aos bens e veros que são insinuados por meio do bem intermediário, ou a não ser que se saiba quais são as sociedades de espíritos que servem por bem intermediário. As sociedades de espíritos que servem para bem intermediário estão nas coisas mundanas, mas as sociedades de anjos que servem para introduzir as afeições do vero não estão nas coisas mundanas, mas sim nas celestes. [2] Essas duas sortes de sociedades atuam no homem que se regenera. Tanto quanto o homem é iniciado nas coisas celestes pelos anjos, tanto são afastados os espíritos que estão nas coisas mundanas, e se eles não forem afastados, os veros são dissipados. Com efeito, as coisas mundanas e as celestes concordam no homem quando as celestes dominam sobre as mundanas; mas discordam quando as mundanas dominam sobre as celestes. Quando concordam, os veros são multiplicados no natural do homem; mas quando discordam, então os veros são diminuídos e mesmo consumidos, porque as coisas mundanas ofuscam as celestes; por conseguinte, as põem na dúvida; mas quando as coisas celestes têm o domínio, elas iluminam as mundanas, as põem a claro e fazem desaparecer as dúvidas. As coisas que são amadas mais do que as outras são as que têm o domínio. A partir dessas explicações, pode-se ver o que se entende por ‘ele consumiria o vero das afeições, se elas não fossem separadas’, coisas que são significadas por ‘comeu comendo a nossa prata’.