Texto
. ‘Labão tinha ido a tosquiar o seu rebanho’; que signifique o estado do uso e do fim do bem, que é o ‘rebanho de Labão’, é o que se vê pela significação de ‘tosquiar’, que é o uso, assim, o fim, pois o uso é o fim, do que se tratará no que segue; e pela significação do ‘rebanho’, que é o bem (n. 343, 2566); daí, é evidente que o estado do uso e do fim é significado por ‘ir a tosquiar’. Trata-se agora da separação do bem intermediário, que é ‘Labão’, de junto do bem que foi daí adquirido, que é ‘Jacó’; mas de que modo se faz essa separação, é o que não se pode saber exceto pelas sociedades dos espíritos que estão nesse bem, e por quem esse bem influi no homem. Sobre esse assunto, é permitido, pela experiência, relatar o que segue:
[2] Há espíritos bons, há espíritos de uma sorte intermediária, e há espíritos maus, que são adjuntos ao homem, quando ele se regenera, a fim de que por meio deles seja instruído nos bens e nos veros genuínos, e isso pelo Senhor por intermédio dos anjos. Mas há tais espíritos ou tais sociedades de espíritos que não concordam senão por um certo tempo com aquele que deve ser regenerado; por isso, quando prestaram o uso, eles são separados. A sua separação se faz de diversos modos, e de um modo se opera a separação dos espíritos bons, de outro modo a dos espíritos de uma sorte intermediária, e de outro modo a dos espíritos maus. A separação dos espíritos bons se faz quando eles não o sabem, pelo beneplácito do Senhor, [esses espíritos] sabendo que eles estão bem em qualquer parte que estiverem, ou em qualquer lugar para onde são transferidos pelo Senhor. A separação dos espíritos de uma sorte intermediária, por sua vez, se faz por muitos meios, até que eles se retirem no livre; com efeito, eles são reenviados ao estado de seu bem, por conseguinte, ao estado do uso e do fim que daí procedem, a fim de que eles aí percebam o seu prazer e sua bem-aventurança; mas porque da consociação anterior obtiveram volúpia, eles são reconduzidos para ali algumas vezes, e são dali algumas vezes rejeitados, até que sintam desprazer em demorar ali por muito mais tempo, e assim eles se retiram no livre. Mas os espíritos maus de fato também se afastam no livre, mas no livre que se lhes mostra como livre. Eles aí são adjuntos para induzir coisas negativas que devem ser dissipadas, para que o homem se confirme melhor nos veros e nos bens; e quando o homem começa a se confirmar neles, eles percebem desprazer, e um prazer na separação; assim, eles se separam pelo livre pertencente ao prazer deles. É isso o que acontece em relação à separação dos espíritos junto ao homem quando ele se regenera, por conseguinte, assim com relação às mudanças de seu estado quanto ao bem e ao vero.
[3] Que ‘tosquiar o rebanho’, é fazer o uso, vê-se por isto, que a tosquia do rebanho, no sentido interno, não é outra coisa senão o uso, pois a lã provém daí. Que a tosquia do rebanho seja o uso, isso é ainda evidente por estas palavras em Moisés:
“Todo primogênito, que nasce no teu gado, e no teu rebanho, santificarás a JEHOVAH, teu Deus; não farás trabalho pelo primogênito do teu boi, e não tosquiarás o primogênito do teu rebanho. Mas diante de JEHOVAH, teu Deus, comê-lo-ás, cada ano no lugar que JEHOVAH terá escolhido, ...” (Dt. 15: 19, 20);
onde ‘não tosquiar o primogênito do rebanho’, é não fazer, pois, um uso doméstico. Como a tosquia do rebanho significava o uso, por isso entre os ofícios e as funções notáveis daquele tempo estava o tosquiar o rebanho e o estar presente às tosquias, como se pode ver por Judá no fato que “ele tosquiava o se rebanho” (Gn. 38:12, 13); e pelos filhos de Davi, no Segundo Livro de Samuel:
“Aconteceu que, depois de dois anos de dias, e havia tosquiadores para Absalão em Baal-Hazor, que [está] em Efraim, e chamou Absalão a todos os filhos do rei. E veio Absalão ao Rei, e disse: Eis, peço, tosquiadores do teu servo; venha, peço, o Rei e os teus servos com o teu servo” (13:23, 24)