. ‘Porque desejando desejaste, para casa do teu pai’; que signifique o desejo da conjunção com o bem Divino influindo diretamente, é o que se vê pela significação aqui da ‘casa do pai’, isto é, de Isaque e de Abrahão, que é o bem influindo diretamente. Que a ‘casa’ seja o bem, foi visto (n. 2233, 2234, 3652, 3720); que o ‘pai’ também seja o bem, n. 3703; que ‘Isaque’ seja o bem do Racional, n. 3012, 3194, 3210; e, além disso, ‘Abrahão com Isaque’ representa o Bem Divino influindo diretamente, e ‘Labão’ o bem colateral, ou o que não influi diretamente, n. 3665, 3778. O bem colateral, ou o que influi não diretamente é esse bem que foi dito bem intermediário, porque esse bem traz muitas coisas dos mundanos que se mostram como boas mas não são boas; ao contrário, o bem influindo diretamente é o que procede imediatamente do Senhor, ou do Senhor mediatamente pelo céu, e é o bem Divino separado desse bem mundano tal qual acaba de ser descrito. [2] Todo homem que está sendo regenerado está primeiro no bem intermediário, e isso para que esse bem sirva para introduzir os bens e os veros genuínos, mas esse bem, depois de ter servido a esse uso, é separado e o indivíduo é conduzido até um bem que influi mais diretamente; assim o homem que está sendo regenerado é aperfeiçoado por graus. Por exemplo: o homem que está sendo regenerado primeiro crê que o bem que ele pensa e que ele faz vem de si próprio, e também que mereça alguma coisa, pois ele ainda não sabe, e se sabe não compreende, que o bem possa influir de outro lugar, nem que ele possa deixar de ser retribuído, pois o faz por si próprio. A não ser que ele cresse nisso primeiro, ele jamais faria o bem; mas por esse modo ele é iniciado tanto na afeição de fazer o bem como nas cognições a respeito do bem, e também a respeito do mérito, e quando ele foi introduzido até chegar à afeição de fazer o bem, ele começa a pensar de outro modo e a crer de outro modo, a saber, que o bem influi desde o Senhor, e que pelo bem que ele faz a partir do proprium ele nada merece, e, enfim, quando ele está na afeição de querer e de fazer o bem, ele rejeita inteiramente o mérito, e até o tem em aversão, e é afetado pelo bem em razão do bem; quando ele se acha nesse estado, então o bem influi diretamente. [3] Seja ainda para exemplo e amor conjugal: O bem que precede e inicia é a beleza, ou a conveniência dos costumes, ou a aplicação externa de um em relação ao outro, ou uma igual condição de uma e outra parte, ou a condição desejada. Esses bens são os primeiros bens intermediários do amor conjugal; depois vem a conjunção das mentes [animarum], em que um quer como o outro e percebem o prazer de fazer o que agrada ao outro; esse estado é o segundo, e então os bens anteriores, embora presentes, não são contudo considerados; enfim, sucede a união quanto ao bem celeste e ao vero espiritual, a saber, em que um crê como o outro, e que um é afetado pelo bem de que o outro é afetado; quando este estado existe, então um e outro está ao mesmo tempo no casamento celeste, que é o casamento do bem e do vero, assim, no amor conjugal, pois o amor conjugal não é outra coisa, e então o Senhor influi nas afeições de um e do outro como em uma só, este é o bem que influi diretamente, mas os bens anteriores que influíram indiretamente serviram de meios para introduzir para esse bem.