ac 4149

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘Com quem achares os teus deuses, esse não viverá diante dos nossos irmãos’; que signifique que o vero não era dele [isto é, de Labão], e que o vero que era dele não subsistiria em seu bem [isto é, no bem de Jacó], é o que se vê pela significação dos ‘deuses’, aqui os terafins, que são os veros (n. 4111), mas veros pertencentes não ao bem significado por Labão, mas à afeição que é representada por Raquel. Como os deuses significam aqui esses veros, por isso é lembrado que Raquel os tinha furtado, e na continuação não se trata mais deles, o que não teria sido lembrado a não ser que esse fato envolvesse arcanos que só se manifestam no sentido interno; e porque esses veros, de que se trata aqui, pertenciam não ao bem significado por Labão, mas à afeição do vero, que Raquel representa, eis por que por estas palavras, a saber, “com quem achares os teus deuses, esse não viverá diante dos nossos irmãos”, é significado que o vero não era dele, e que o vero dele não subsistiria em seu bem [ou seja no bem de Jacó].
[2] Acontece com esse arcano o seguinte: Todo bem espiritual tem seus veros, pois onde está o bem, aí estão os veros. O bem considerado em si mesmo é um, mas pelos veros ele se torna variado, porquanto os veros podem ser comparados às fibras que compõem algum órgão do corpo; segundo a forma das fibras o órgão se constitui, por conseguinte, a operação do órgão, a saber, operação que acontece por causa da vida que influi por meio da alma, e a vida vem do bem que procede do Senhor. Daí vem que o bem, apesar de ser um, é, contudo, variado em cada um, e tão variado, que ele nunca é de modo algum semelhante em um como ele é em um outro. Vem também daí que o vero de um nunca pode subsistir no bem de um outro. Com efeito, todos os veros em cada um que está no bem comunicam entre si e constituem uma certa forma, por isso o vero de um não pode ser transferido a um outro, mas quando é transferido, então ele passa para a forma daquele que o recebe e reveste uma outra face. Mas este arcano é de uma investigação demasiado elevada para ser exposto em poucas palavras. Daí vem que a mente de um nunca pode ser absolutamente semelhante a de um outro, mas que quantos são os homens, tanto eles diferem quanto às afeições e aos pensamentos; e que todo o céu consiste em formas angélicas que estão em uma perpétua variedade, que, dispostas pelo Senhor em forma celeste, fazem um. Com efeito, toda unidade nunca se compõe das mesmas coisas, mas de coisas variadas na forma, as quais fazem um segundo a forma. Sendo assim, vê-se agora o que se entende por estas palavras, “o vero que era dele [ou seja, o de Labão] não subsistiria em seu bem [ou seja, no de Jacó]333.”

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