Texto
. ‘E saiu da tenda de Leah, e entrou na tenda de Raquel’; que signifique o [estado] santo desse vero, é o que se vê pelas coisas que foram ditas logo acima. Acontece com os veros como com os bens, que são exteriores e interiores, pois o homem é interno e externo. Os bens e os veros do homem interno são os que são denominados bens internos e veros internos, e os bens e os veros do homem externo são denominados bens externos e veros externos. Os bens e os veros do homem interno são de três graus, tais quais eles são nos três céus; os bens e os veros do homem externo são também de três graus e correspondem aos internos. Com efeito, há os bens e os veros intermediários entre o homem interno e o homem externo, ou os que medeiam, pois sem os intermediários ou os que medeiam não há comunicação. Há os bens e os veros próprios ao homem natural, que são chamados bens e veros externos; e há também os bens e os veros sensuais, que pertencem ao corpo, assim, os mais externos. Esses bens e esses veros de três graus pertencem ao homem externo, e correspondem, como se disse, a outros tantos bens e veros do homem interno; destes, pela Divina Providência do Senhor, se tratará em outro lugar.
[2] Os bens e os veros de cada grau são muito distintos entre si e não se confundem absolutamente. Os que são interiores são os componentes334, e os que são exteriores são os compostos; estes, ainda que sejam muito distintos entre si, ainda assim não se apresentam ao homem como distintos. Quem é homem sensual não vê de outro modo senão que todas as coisas interiores, e até as internas, são somente coisas sensuais, pois ele vê pelas coisas sensuais, por conseguinte, pelas mais externas, as coisas interiores nunca podem ser vistas pelas mais externas, mas as mais externas são vistas pelas interiores. Aquele que é homem natural, isto é, que pensa a partir dos conhecimentos, outra coisa não sabe senão que as coisas naturais, a partir das quais ele pensa, são íntimas, quando, entretanto, são externas. O homem interior que julga e conclui a partir das detecções analíticas oriundas dos conhecimentos naturais, crê igualmente que essas coisas são os íntimos do homem, porque essas coisas se lhe apresentam como íntimas; contudo, estão abaixo das coisas racionais, portanto, em relação às coisas racionais genuínas elas são exteriores, ou inferiores. É assim que acontece com a compreensão do homem. São essas as coisas das quais se acaba de tratar, do natural, ou do externo do homem em grau tríplice; mas aquelas que pertencem ao homem interno são também, como já se disse, em grau tríplice, tais quais são nos três céus.
[3] Do que acaba de ser dito, pode-se ver como ocorre em relação aos veros que são significados pelos terafins, que não foram encontrados nas tendas de Jacó, de Leah e das servas, mas que estavam na tenda de Raquel, isto é, no [estado] santo da afeição do vero interior. Todo vero que procede do Divino está no [estado] santo, pois não pode ser de outro modo, porque o vero que procede do Divino é santo. O [estado] santo se diz da afeição, isto é, do amor, que influi do Senhor e faz com que o homem seja afetado do vero.