. ‘E os pôs na albarda do camelo’; que signifique nos conhecimentos, é o que se vê pela significação da ‘albarda do camelo’, que são os conhecimentos (n. 3114). Os conhecimentos são denominados ‘albarda’ [de palha], tanto porque a palha, de que é feita a albarda, é uma comida para os camelos, quanto porque elas são relativamente grosseiras e sem ordem; é também por isso que os conhecimentos são significados pelo ‘entrelaçado’ das árvores e pela ‘floresta’ (n. 2831). Que os ‘camelos’ sejam os conhecimentos gerais que pertencem ao homem natural, foi visto (n. 3048, 3071, 3143, 3145). [2] Que os conhecimentos sejam relativamente grosseiros e sem ordem e que, em consequência, eles sejam significados pela ‘albarda’ e também pelo ‘entrelaçado’, como foi dito, é o que se não manifesta diante dos que estão somente nos conhecimentos, e que, por isso, têm reputação de eruditos. Estes creem que quanto mais um homem sabe ou possui conhecimento, tanto mais possui sabedoria; mas que a coisa se dê diferente, é o que pude ver na outra vida pelos que, durante a sua vida no mundo, tinham estado unicamente nos conhecimentos e tinham, por esse modo, almejado o nome e a fama de eruditos, e que às vezes eles são muito mais estúpidos do que os que não possuíram conhecimento algum. Foi-me descoberta também a razão desse fato, é que os conhecimentos são, de fato, meios de saber, mas os que estão na vida do mal, para eles são meios de enlouquecer. Para os que estão na vida do bem, os conhecimentos são meios de adquirir sabedoria, mas para os que estão na vida do mal, eles são meios de cair na loucura, pois pelos conhecimentos estes confirmam não só a vida do mal, mas também os princípios do falso, e isso com arrogância e persuasão, pois eles se creem mais sábios do que os outros. [3] Daí vem que eles destruam o seu próprio racional. Com efeito, aquele que pode raciocinar a partir dos conhecimentos e, às vezes, na aparência, de um modo mais sublime do que os outros, este não goza do racional, pois é apenas um lume fátuo que produz essa habilidade; mas tem eficácia pelo racional aquele que pode ver distintamente que o bem é o bem, que o vero é o vero, por conseguinte, que o mal é o mal e que o falso é o falso. Ora, quem considera o bem como mal e o mal como bem, o vero como falso e o falso como vero não pode de modo algum ser tido como racional, mas deve antes receber o título de irracional, seja qual for o modo pelo qual ele possa raciocinar. Com aquele que vê claramente que o bem é o bem e que o vero é o vero, e, vice-versa, que o mal é o mal e que o falso é o falso, a luz influi do céu, ilumina o seu intelectual e faz com que as razões que ele vê pelo entendimento sejam outros tantos raios dessa luz; a mesma luz esclarece também os conhecimentos, para que eles confirmem; e, além disso, os dispõe na ordem e na forma celeste. Ao contrário, aqueles que são contra o bem e o vero, como são todos que estão na vida do mal, não admitem essa luz celeste, mas somente encontram deleites em seu lume fátuo. A natureza é tal, que ela vê como aquele que, nas trevas, vê sobre uma parede listras manchadas, e daí, por fantasia, faz com elas imagens de todo gênero, as quais não são, contudo, imagens, pois à volta da luz do dia, ele vê que são apenas listras manchadas. [4] Daí se pode ver que os conhecimentos são meios de se saber e, também, são meios de enlouquecer, isto é, que eles são meios de aperfeiçoar o racional e meios de destruir o racional. Aqueles que, portanto, destruíram o racional por meio dos conhecimentos, esses, na outra vida, são muito mais estúpidos do que os que não possuíram conhecimento algum. Que os conhecimentos sejam relativamente grosseiros, isso é evidente pelo fato de que eles pertencem ao homem natural externo, e que o racional, que é cultivado por eles, pertence ao homem espiritual ou interno. Pode-se ver que diferença e que distância há entre essas coisas, quanto à pureza, pelo que se disse e se demonstrou sobre as duas memórias (n. 2469 ao 2094).