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Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘[Lá] estive. No dia o calor ardente me comeu, e o frio na noite; e foi-se o meu sono dos meus olhos’; que signifique as tentações, é o que se vê pela significação do ‘calor ardente’ e do ‘frio’, que é aquilo que é a quantidade excessiva de amor e que é nada de amor, assim, os dois extremos. O ‘dia’ significa o estado da fé ou do vero, estado que se acha então em seu cume; e a ‘noite’ o estado da fé nula ou do vero nulo (n. 221, 935, 936); e pela significação do ‘sono expulso dos olhos’, que é continuamente ou sem descanso. Como são tais as coisas que existem nas tentações, por isso, aqui, por essas palavras são significadas as tentações em geral. Que o ‘calor ardente’ signifique a quantidade em excesso do amor, é porque o fogo e calor espirituais é o amor337; e por oposição, o frio espiritual é o amor nulo. Com efeito, a vida mesma do homem não é senão o amor, pois sem o amor o homem não tem absolutamente nada da vida; e mais, se o homem reflete, pode saber que todo fogo e todo calor vital, que estão no corpo, vem do amor; entretanto o frio não significa a privação de todo amor, mas a privação do amor espiritual e celeste, e a privação desse amor é a que é denominada morte espiritual. Quando o homem se priva desse amor, ele é abrasado do amor de si e do mundo; este amor é respectivamente o frio, e torna-se também o frio, não só no homem quando ele vive no corpo, mas também quando ele vem para a outra vida. Quando ele vive no corpo, se o amor de si e do mundo lhe for arrebatado, ele se esfria de tal modo que dificilmente tem alguma coisa da vida, o mesmo acontece se o forçasse a pensar santamente sobre as coisas celestes e Divinas. Na outra vida, quando ele está entre os infernais, ele está no fogo ou no calor ardente das cobiças, mas se ele se aproxima do céu, esse fogo e esse ardor se vertem em frio, tanto mais intenso quanto ele mais perto se aproxima, como uma tortura que aumenta em um grau semelhante. É esse frio que se entende pelo ranger de dentes dos que estão no inferno (Mateus, 8:12; 13:42, 50; 22:13; 24:51; 25:30; Lucas, 13:28).

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