Texto
. ‘E tudo que tu vês, isso é meu’; que signifique todo o perceptivo e intelectual, vê-se pela significação de ‘ver’, que é perceber e entender (n. 2150, 3863), assim, que todo o perceptivo e intelectual do vero e bem lhe pertenciam. De que modo essas coisas ocorrem, foi dito e ilustrado anteriormente por meio das coisas que acontecem na outra vida, a saber, que os espíritos, sobretudo os de sorte média, quando estão em alguma sociedade angélica, outra coisa não sabem, senão que as afeições do bem e do vero, que influem dessa sociedade, lhes pertencem. De fato, tal é a comunicação das afeições e dos pensamentos na outra vida, e quanto mais eles foram conjuntos com essa sociedade, tanto mais eles têm essa crença. Esses mesmos espíritos, quando são separados delas, ficam indignados, e quando se acham no estado de indignação, vêm também ao estado obscuro de que acima se falou (n. 4184), estado no qual, porque não têm a percepção interior, eles atribuem a si os bens e os veros que pertencem à sociedade angélica e que eles tiveram por meio da comunicação de que se falou; é esse estado que é descrito neste versículo. Além disso, por numerosas experiências, deu-se-me conhecer como as afeições do bem e do vero são comunicadas aos outros. Espíritos dessa sorte estiveram algumas vezes comigo, e, quando estiveram reunidos por uma sorte de afeição, eles não sabiam outra coisa senão que o que era meu lhes pertencia. E fui informado que o mesmo acontece com todos os homens. Com efeito, cada homem tem consigo espíritos que, desde que eles vêm para o homem e entram em sua afeição, não conhecem outra coisa senão que aquilo que pertence ao homem, isto é, tudo que pertence à sua afeição e ao seu pensamento, é deles. É assim que são conjungidos ao homem os espíritos por meio dos quais o Senhor governa o homem (n. 2488). Na sequência, ao fim dos capítulos, se tratará a respeito pela experiência mesma.