Texto
. ‘E Jacó tomou uma pedra e erigiu-a como pilar’; que signifique um tal vero e o culto que daí provém, é o que se vê pela significação da ‘pedra’, que é o vero (n. 643, 1298, 3720); e pela significação do ‘pilar’, que é o culto que provém daí, ou do vero (n. 3727). Daí é evidente que essas palavras significam um tal vero e o culto que daí provém. Diz-se um tal vero, a saber, um vero tal qual existe entre as nações, porque, ainda que as nações nada saibam da Palavra, nem, por conseguinte, nada sobre o Senhor, mesmo assim elas têm os veros externos tais quais os que os cristãos têm; por exemplo, que é necessário adorar santamente uma Divindade, observar festas, honrar os pais, não furtar, não cometer adultério, não matar e também não cobiçar o que pertence a outrem; assim tais quais são os veros do decálogo, que também são como normas dentro da igreja. Os dentre eles que são sábios observam esses veros não apenas na forma externa, mas também na forma interna, pois eles pensam que tais coisas são não só contra a sua religiosidade, mas também contra o bem comum, assim, contra o dever interno imposto ao homem339, por conseguinte, contra a caridade, ainda que não saibam o que é a fé. Há neles, obscuramente, uma sorte de consciência, contra a qual eles não querem agir, e até contra a qual alguns não podem agir. Por esse fato, pode-se ver que o Senhor governa os seus interiores, que estão no obscuro, e que assim Ele lhes dá a faculdade de receber os veros interiores, que de fato eles recebem na outra vida. (Ver as coisas que foram demonstradas sobre as nações, n. 2589–2604.)
[2] Foi-me concedido falar algumas vezes com cristãos, na outra vida, a respeito do estado e da sorte das nações fora da igreja, e lhes dizer que elas recebem os veros e bens da fé mais facilmente do que os cristãos que não viveram segundo os preceitos do Senhor, e que os cristãos pensam com desumanidade a respeito das nações, a saber, que todos que estão fora da igreja estão danados, e isso por um cânone recebido, que fora do Senhor não há salvação; e que isso é verdadeiro, mas que as nações que viveram em uma caridade mútua e fizeram o justo e o equitativo a partir de uma sorte de consciência, recebem na outra vida a fé e reconhecem o Senhor mais facilmente do que os estavam dentro da igreja e não viveram em tal caridade. Que então os cristãos estão no falso, porque creem que o céu é para eles somente porque eles têm o livro da Palavra, escrito no papel, mas não nos corações, e porque conhecem o Senhor mas não creem n’Ele quanto ao Divino Humano, e mesmo não O reconhecem senão como um homem comum quanto à Sua segunda Essência que eles chamam natureza Humana; e, em consequência, até não O adoram, quando deixados a si próprios e aos seus pensamentos; e que assim são eles que estão fora do Senhor e para os quais não há salvação.