. ‘E disse Labão: Este montão [seja] por testemunha entre mim e entre ti hoje. Por isso chamou o nome dele Galeed’; que signifique que ele será assim pela eternidade, daí a sua qualidade pela segunda vez, é o que se vê pela significação do ‘montão’, que é o bem de que se tratou (n. 4192); e pela significação de ‘testemunha’, que é a confirmação do bem pelo vero, de que se seguirá tratando; pela significação de ‘hoje’, que é a eternidade (n. 2838, 3998); e pela significação de ‘chamar o nome’, que é a qualidade (n. 144, 145, 1754, 2009, 2724, 3421). A qualidade mesma está contida no nome Galeed, pois antigamente os nomes impostos continham a qualidade (n. 3340, 1946, 2643, 3422). Daí, claramente se vê o que é significado por “disse Labão: Este montão [seja] por testemunha entre mim e entre ti hoje. Por isso chamou o nome dele Galeed”, a saber, que é a testificação da conjunção do bem significado aqui por Labão com o Bem Divino do Natural do Senhor, por conseguinte, a conjunção do Senhor, pelo bem, com as nações, pois é esse bem que é representado agora por Labão (n. 4189). São os veros desse bem que testificam da conjunção; mas o bem das nações, enquanto elas vivem no mundo, está pelo lado, porque elas não têm os Veros Divinos; mas ainda assim aqueles que estão nesse bem, isto é, que vivem na caridade mútua, ainda que eles não tenham os veros Divinos diretamente da fonte Divina, isto é, da Palavra, têm entretanto, não um bem fechado, mas um bem que pode ser aberto, e que até é aberto na outra vida, quando lá são instruídas nos veros da fé e sobre o Senhor. É diferente com os cristãos, os dentre eles que estão na caridade mútua, e mais ainda os que estão no amor ao Senhor, estão, quando eles vivem no mundo, no bem direto, porque eles estão nos veros Divinos, por isso eles entram no céu sem uma tal instrução se não houve em seus veros falsos que cumpre previamente destruir. Quanto aos cristãos que não viveram na caridade, esses fecharam para si o céu, e a maioria, a tal ponto que ele não pode ser aberto, pois eles sabem os veros e os negam, e se confirmam contra eles, se não for de boca ainda assim de coração. [2] Que Labão tenha chamado o montão primeiramente em seu idioma, Jegar-Sahadutha, e depois no idioma de Canaã, Galeed, quando, todavia, uma e outra palavras são de uma significação quase semelhante, é por causa da aplicação e, portanto, da conjunção. Falar no idioma de Canaã, ou pelo lábio de Canaã, é aplicar-se ao Divino, porquanto por ‘Canaã’ é significado o Reino do Senhor, e, no sentido supremo, o Senhor (n. 1607, 3038, 3705), como se vê em Isaías: “Nesse dia haverá cinco cidades na terra do Egito falando pelos lábios de Canaã, e jurando a JEHOVAH Zebaoth;... Nesse dia haverá um altar a JEHOVAH no meio da terra do Egito, e uma coluna a JEHOVAH perto do seu limite. E será para sinal e para testemunho a JEHOVAH Zebaoth na terra do Egito; ...” (19:18, 19, 20). [3] Que o testemunho seja a confirmação do bem por meio do vero e do vero procedente do bem, e que, por conseguinte, o testemunho seja o bem do qual procede o vero e o vero que provém do bem, é o que se pode ver pela Palavra em outras passagens. Que o testemunho seja a confirmação do bem por meio do vero e do vero procedente do bem, por estas passagens: Em Josué343: “Disse Josué ao povo: Vós [sois] testemunhas contra vós, que vós elegestes a JEHOVAH para servir a Ele. E disseram [somos] testemunhas. E agora afastai os deuses estrangeiros que [estão] no meio de vós, e inclinai o vosso coração a JEHOVAH, Deus de Israel. E disseram, o povo a Josué: Serviremos a JEHOVAH, nosso Deus, e à voz d’Ele obedeceremos. E cortou Josué aliança com o povo nesse dia, e lho pôs estatuto e juízo em Siquém. E escreveu Josué essas palavras no livro da lei de Deus, e tomou uma pedra grande, e erigiu-a ali, debaixo do carvalho que [estava] no santuário de JEHOVAH. E disse Josué a todo o povo: Eis que esta pedra nos será para testemunho, porque ela ouviu todos os ditos de JEHOVAH, que pronunciou conosco, e vos será para testemunho; não renegueis ao vosso Deus.” (24:22–27); é evidente que ali a testemunha é a confirmação e até a confirmação da aliança, por conseguinte, da conjunção, pois a aliança significa a conjunção (n. 665, 666, 1023, 1038, 1864, 1996, 2003, 2021), e porque a conjunção com JEHOVAH, ou o Senhor, só existe por meio do bem, e que não há bem que conjunge senão o que tem a sua qualidade pelo vero, daí resulta que a testemunha é a confirmação do bem por meio do vero; ali, o bem é a conjunção com JEHOVAH, ou o Senhor, pela qual O escolheram para O servir; o vero pelo qual se faz a confirmação é a ‘pedra’. Que a pedra seja o vero, foi visto (n. 643, 1298, 3720); no sentido supremo, [a pedra] é o Senhor mesmo, porque todo vero procede dele; é por isso mesmo que Ele é chamado a Pedra de Israel (Gn. 49:24); e também se diz: “Eis esta Pedra nos será para testemunho, porque ela ouviu todos os ditos de JEHOVAH que [Ele] pronunciou conosco”. [4] Em João: “Darei as Minhas duas testemunhas, para que profetizem 1260 dias, vestidos de sacos; estas são as duas oliveiras, e os dois castiçais, que estão diante de Deus da terra; e se alguém a eles quiser fazer dano, um fogo sairá da sua boca, e devorará os seus inimigos;... Estes têm o poder de fechar o céu;... mas quando tiverem concluído os seus testemunhos, a besta que sobe do abismo, fará guerra contra eles e os vencerá e os matará; [...] depois, porém, de três dias e meio, um espírito de vida vindo de Deus entrará neles, para que se ponham sobre os seus pés, ...” (Ap. 11:3, 4, 5, 6, 7, 11); que aí, as duas testemunhas sejam o bem e vero, isto é, o bem em que há o vero e o vero que provém do bem, um e outro confirmados nos corações, vê-se claramente pelo fato de se dizer que as duas testemunhas são as duas oliveiras e os dois castiçais. Que a ‘oliveira’ seja um tal bem, foi visto (n. 886); as duas oliveiras estão no lugar do bem celeste e no lugar do bem espiritual; o bem celeste pertence ao amor ao Senhor e o bem espiritual pertence à caridade para com o próximo. Os ‘castiçais’ são os veros desses bens, o que será visto quando, pela Divina Misericórdia do Senhor, se tratar dos castiçais. Que neles, isto é, nos bens e veros, haja o poder de fechar o céu e de abrir o céu, foi visto no prefácio ao cap. 22 deGênesis. Que a besta que sobe do abismo ou do inferno as matará, significa a vastação do bem e do vero dentro da igreja; e que um espírito de vida procedente de Deus entrou nelas, e se puseram sobre os seus pés, significa a Nova Igreja. [5] Que antigamente para testemunha erguiam-se montões e mais tarde altares, vê-se em Josué: “Disseram os rubenitas e os gaditas: Vede a figura do altar de JEHOVAH, que os nossos pais fizeram, não para holocausto, e não para sacrifício, mas para [que fosse] testemunho ele entre nós e vós. [...] E os filhos de Rúben e os filhos de Gad chamaram... o altar, [para] que [seja] testemunho ele entre nós, que JEHOVAH [é] Deus” (22:28, 34); o altar é o bem do amor e, no sentido supremo, é o Senhor mesmo (n. 921, 2777, 2811); o testemunho está no lugar da confirmação, no sentido interno, do bem por meio do vero. [6] Como o testemunho significa a confirmação do bem por meio do vero, e do vero proveniente do bem, por isso por testemunho, no sentido supremo, é significado o Senhor, porque o Senhor é o Divino Vero confirmando, como em Isaías: “...Firmarei convosco uma aliança de eternidade, as verdadeiras misericórdias de Davi. Eis que o dei por testemunha aos povos, como príncipe e chefe dos povos” (55:3, 4); em João: “E da parte de JESUS CRISTO, que é a Testemunha fiel, o primogênito dentre os mortos e o príncipe dos reis da terra” (Ap. 1:5); no mesmo: “Isto diz [o Amém], a Testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus” (Ap. 3:14). [7] Que tenha sido ordenado na Igreja Representativa que todo vero seria estabelecido sobre a declaração [super ore] de duas ou três testemunhas, e não sobre a de um só (Nm. 35:30; Dt. 17:6, 7; 19:15; Mt. 18:16), isso é fundado na Lei Divina que um só vero não confirma o bem, mas que são necessários muitos veros. Com efeito, um só vero sem ligação com outros não é o que confirma, mas há confirmação quando existem muitos veros, pois a partir de um se pode ver o outro, um só não produz forma alguma344, por conseguinte, nenhuma qualidade, mas muitos em série conexa as produzem, porquanto, do mesmo modo que um só tom não produz acorde algum, e ainda menos uma harmonia, do mesmo modo também não um só vero. São sobre essas coisas que está fundada essa lei, embora na forma externa pareça estar fundada no estado civil, mas um não é contra o outro; o mesmo acontece com os preceitos do Decálogo, de que se tratou no n. 2609. [8] Que o testemunho seja o bem do qual procede o vero e o vero que provém do bem, é uma consequência do que acaba de ser dito, e se vê também por isso, que os dez preceitos do Decálogo, escritos sobre tábuas de pedra, são chamados por uma só palavra, Testemunho, como em Moisés: “JEHOVAH deu a Moisés, quando acabou de falar com ele no monte Sinai, as duas tábuas do Testemunho, tábuas de pedra, escritas pelo dedo de DEUS” (Êx. 31:18). No mesmo: “Desceu Moisés do monte, e as duas tábuas do Testemunho [estavam] na mão dele, tábuas escritas pelos dois lados delas” (Êx. 32:15). E porque aquelas tábuas foram colocadas na Arca, a Arca é denominada a Arca do Testemunho, da qual se fala em Moisés: “JEHOVAH [disse] a Moisés: Porás na Arca do Testemunho, que darei a ti” (Êx. 25:16, 21); “Moisés tomou e pôs oTestemunho na Arca” (Êx. 40:20); no mesmo: “Achar-me-ei contigo, e falarei contigo de cima do Propiciatório dentre os dois querubins, que [estão] sobre a arca do Testemunho” (Êx. 25:22). No mesmo: “Cobriu a nuvem do perfume o Propiciatório, que [estava] sobre o Testemunho” (Lv. 16:13). No mesmo: “As varas das doze tribos foram deixadas na Tenda da convenção, diante do Testemunho” (Nm. 17:19 [Em JFA, 17:4]); que por isso a Arca também foi chamada a Arca do Testemunho, além da passagem citada, Êx. 25:22, vejam-se também, Êx. 31:7; Ap. 15:5. [9] Os preceitos do Decálogo foram, por essa razão, chamados o Testemunho, porque pertenciam à aliança, assim, à conjunção entre o Senhor e o homem, conjunção que não pode existir a não ser que o homem guarde os preceitos não só na forma externa, mas também na forma interna. (O que é a forma interna desses preceitos, foi visto n. 2609). É essa a razão por que é o bem confirmado pelo vero e o vero derivado do bem que são significados pelo Testemunho. Como assim é, até mesmo as tábuas foram chamadas Tábuas da Aliança, e a arca, Arca da Aliança. Daí se vê agora o que é significado, no sentido genuíno, pelo Testemunho na Palavra, por exemplo em Dt. 4:15; 6:17, 20; Is. 8:16; 2Rs. 17:15; Sl. 19:8; Sl. 25:10; Sl. 78: 5, 6; Sl. 93:5; Sl. 119:1, 2, 23, 24, 59, 79, 88, 138, 167; Sl. 122:3, 4; Ap. 6:9; 12:17; 19:10.