. ‘E chamou os seus irmãos para comer pão’; que signifique a apropriação do bem pelo Divino Natural do Senhor, é o que se vê pela significação dos ‘irmãos’, que são os que tinham agora sido conjuntos pela aliança, isto é, pela amizade e, no sentido interno, os que estão no bem e vero; que estes são chamados irmãos, foi visto (n. 367, 2360, 3303, 3459, 3803, 3815, 4121, 4191); pela significação de ‘comer’, que é a apropriação (n. 3168, 3515, 3832); que as refeições e os banquetes entre os antigos significavam a apropriação e a conjunção pelo amor e a caridade, n. 3596; e pela significação do ‘pão’, que é o bem do amor (n. 276, 680, 1798, 3478, 3735), e, no sentido supremo, o Senhor (n. 2165, 2177, 3478, 3813). Como o ‘pão’, no sentido supremo, significa o Senhor, ele significa, por essa razão, toda santidade que procede d’Ele, isto é, todo bem e vero; e porque não há outro bem que seja bem senão o que pertence ao amor e à caridade, o pão significa, por isso, o amor e a caridade. Os sacrifícios de outrora também não significavam outra coisa, é por isso que, de uma só palavra, eles eram chamados‘pão’ (ver n. 2155); e comia-se também a carne dos sacrifícios para representar o banquete celeste, isto é, a conjunção pelo bem que pertence ao amor e à caridade. É isso que é hoje significado pela Santa Ceia, porque ela substituiu os sacrifícios e os banquetes feitos com coisas santificadas; e esta, a saber, a Santa Ceia, é o externo da igreja que tem em si o interno, e pelo interno conjunge com o céu o homem que está no amor e na caridade, e pelo céu, com o Senhor. Com efeito, na Santa Ceia, ‘comer’ significa também a apropriação, o ‘pão’ significa o amor celeste, e o ‘vinho’, o amor espiritual; e isso a um tal ponto que, o homem está no [estado] santo quando come, no céu não se percebe outra coisa. [2] Que se diga a apropriação do bem pelo Divino Natural do Senhor, é porque se trata do bem das nações, porquanto o bem das nações é o que Labão agora representa (n. 4189). A conjunção do homem com o Senhor não é com o Supremo Divino mesmo d’Ele, mas é com o Seu Divino Humano, pois o homem não pode ter absolutamente nenhuma ideia do Supremo Divino do Senhor; a ideia desse Divino está de tal modo acima de sua ideia, que ela perece inteiramente e se torna nula, mas ele pode ter uma ideia do Divino Humano d’Ele. Com efeito, cada um é conjunto pelo pensamento e pela afeição a respeito daquilo que ele tem alguma ideia, e não a respeito do que não se pode ter nenhuma ideia. Quando se pensa no Humano do Senhor, então se há santidade na ideia, pensa-se também a respeito do [estado] santo que, procedendo do Senhor, enche o céu; e assim também se pensa a respeito do céu, pois o céu em seu complexo se refere a um só homem, e isto procede do Senhor (n. 684, 1276, 2995, 2998, 3524 ao 3649). Vem daí que a conjunção não pode se efetuar com o Supremo Divino do Senhor, mas sim com Seu Divino Humano, e por meio do Divino Humano com o Seu Supremo Divino. Daí vem que se diz em João: “Que Deus ninguém jamais viu, senão o Filho Unigênito” (1:18), e que não há acesso ao Pai senão por Ele346; e enfim que Ele é o mediador. Pode-se também sabê-lo de um modo manifesto no fato que todos que, dentro da igreja, dizem que creem em um Ente Supremo e que desprezam o Senhor, são os que não acreditam absolutamente em coisa alguma, nem sequer que haja um céu e que haja um inferno, e esses adoram a natureza; e se quiserem também ser instruídos pela experiência, ficarão convencidos de que os maus, e até os indivíduos mais perversos, dizem a mesma coisa. [3] O homem pensa, porém, diversamente a respeito do Humano do Senhor, um indivíduo[homo] de modo diferente de um outro, e um mais santamente do que o outro. Aqueles que estão dentro da igreja podem pensar que o Humano do Senhor é Divino, e também que Ele é um com o Pai, como Ele mesmo diz, que o Pai está n’Ele e Ele está no Pai. Aqueles que estão, porém, fora da igreja não o podem, não só porque eles nada sabem a respeito do Senhor, mas também porque eles não têm outra ideia do Divino senão as que eles tiram das imagens que eles veem com seus olhos e dos ídolos que eles podem tocar. Contudo, ainda assim o Senhor se conjunge com eles por meio do bem da caridade e da obediência deles em sua ideia grosseira. Daí vem que se diga, aqui, que eles têm a apropriação do bem pelo Divino Natural do Senhor. Com efeito, a conjunção do Senhor com o homem se opera segundo o estado do pensamento do homem e da afeição daí proveniente. Aqueles que estão em uma santíssima ideia a respeito do Senhor e, ao mesmo tempo, nos pensamentos e nas afeições do bem e do vero — assim como podem estar os que estão dentro da igreja — foram conjuntos com o Senhor quanto ao Seu Divino Racional; mas os que não estão em uma tal santidade, nem em uma tal ideia interior, nem em uma tal afeição, e que estão, todavia, no bem da caridade, foram conjuntos com o Senhor quanto ao seu Divino Natural. Aqueles que têm uma santidadeainda mais grosseira são conjuntos ao Senhor quanto ao Seu Divino Sensual. É esta conjunção que é representada pela serpente de bronze, no fato que os que olharam para ela foram revividos da mordedura das serpentes (Nm. 21:9). Nessa conjunção estão os que, entre as nações, adoraram ídolos e, entretanto, vivem na caridade de acordo com a sua religiosidade. Pelo que acaba de ser dito, pode-se ver agora o que se entende pela apropriação do bem pelo Divino Natural do Senhor, apropriação que é significada pelo fato de Jacó chamar os seus irmãos para comerem pão.