. ‘E pela manhã levantou-se Labão ao amanhecer’; que signifique a iluminação desse bem pelo Divino Natural do Senhor, é o que se vê pela significação de ‘pela manhã’ e ‘ao amanhecer’, que é a iluminação (n 3458, 3723); e pela representação de ‘Labão’, que é o bem tal qual é o das nações (n. 4189). Que seja a iluminação desse bem pelo Divino Natural do Senhor que se entende aqui, isso resulta evidentemente da série. Quanto ao que se diz respeito à iluminação, ela procede toda do Senhor, e vem pelo bem que está no homem; tal é o bem, tal é também a iluminação. [2] A maioria dos homens crê que sejam iluminados aqueles que podem raciocinar sobre o bem e o vero, sobre o mal e sobre o falso, e que eles se acham em um estado de iluminação tanto maior quanto mais eles podem falar a respeito com mais sutileza e habilidade e, ao mesmo tempo, confirmar por um grande número de coisas do conhecimento, e fazer verossímil o que eles dizem por meio de comparações tiradas, sobretudo, das coisas dos sentidos e por outros modos persuasivos. Entretanto, esses tais não podem estar em iluminação alguma, ainda que estejam na faculdade imaginativa e perceptiva; essa faculdade é dupla, uma vem da luz do céu, a outra vem de um lumefátuo. Uma e outra se mostram semelhantes na forma externa, mas na forma interna elas são absolutamente dissemelhantes. Aquilo que procede da luz do céu, isto está no bem, isto é, naqueles que estão no bem. Eles, a partir do bem, podem ver o vero e saber, como na claridade do dia, se tal coisa é ou não é assim; mas aquilo que provém de um lume fátuo [ou um lume fantasioso] está no mal, isto é, naqueles que estão no mal. Que eles possam raciocinar sobre essas coisas, é porque eles estão em alguma faculdade de sabê-las, mas não estão em nenhuma afeição de fazê-las. Que isso não é estar na iluminação, qualquer um pode compreender. [3] Assim acontece com o lume fátuo na outra vida: Aqueles que no mundo estiveram em um tal lume estão, na outra vida, em um lume semelhante, e ali raciocinam sobre o bem e o vero, sobre o mal e o falso, e até com muito mais perfeição e excelência do que na vida do corpo, pois os seus pensamentos não são ali retraídos e impedidos pelos cuidados que têm relação com o corpo e com o mundo; e esses pensamentos não estão ali delimitados como quando eles estavam no corpo e no mundo. Mas logo se torna manifesto, não diante deles, mas diante dos bons espíritos e dos anjos, que os seus raciocínios pertencem a um lume fátuo, e que a luz do céu, que influi neles, é logo mudada em tal lume, pelo fato de que neles a luz do céu é sufocada, como quando a luz do Sol recai sobre um objeto opaco e se torna preta, ou refletida, o que acontece nos que estão nos princípios do falso; ou é pervertida, como quando a luz do Sol influi em objetos horrendos e sujos, e produz cores horríveis e também cheiros infectos. É assim que acontece aos que estão em um lume fátuo; e ele se creem mais esclarecidos do que os outros, pelo fato de poderem raciocinar com inteligência e sabedoria e, apesar disso, viverem mal. [4] Vê-se quem e quais eles são por cada palavra que eles pronunciam, contanto que eles não finjam o bem na intenção de enganar. Entre eles se acham os que negam ou desprezam o Senhor e que em si mesmos zombam daqueles que O confessam. Entre eles se acham também os que amam os adultérios e escarnecem dos que creem que os casamentos são santos e não devem jamais ser violados. Entre eles estão igualmente os que creem que os preceitos e as coisas doutrinais da igreja são para o povo, a fim de que por esse modo ele seja mantido em vínculos, e que entre eles essas coisas nada fazem. Entre eles se acham igualmente os que atribuem todas as coisas à natureza e consideram como simples e de um fraco juízo aqueles que as atribuem ao Divino. Entre eles também estão os que atribuem todas e cada uma das coisas à sua prudência, e dizem que há um Ente Supremo que governa alguma coisa no geral ou no universal, mas nada no particular ou no singular, e se confirmaram nessa opinião; e assim muitos outros. [5] Tais homens estão no lume fátuo, eles também se acham nele na outra vida e, lá, entre os seus semelhantes, eles raciocinam também com sagacidade, mas quando eles se aproximam de alguma sociedade celeste, esse lume se extingue e se torna tenebroso; consequentemente, o pensamento deles se obscurece a tal ponto que eles sequer podem pensar, porquanto eles ali são fortemente oprimidos pela luz do céu, que neles, como foi dito, é ou apagada, ou refletida, ou pervertida; por isso eles se precipitam para longe dali, e se lançam no inferno, onde há um tal lume. A partir disso se pode ver o que é a verdadeira iluminação, isto é, que ela provém do bem que procede do Senhor, e o que é a falsa iluminação, isto é, que ela vem do mal que provém do inferno.