. ‘E beijou os seus filhos, e suas filhas’; que signifique o reconhecimento dessas verdades e das afeições das mesmas, é o que se vê pela significação de ‘beijar’, que é a conjunção proveniente da afeição (n. 3573, 3574), por conseguinte, o reconhecimento, pois onde há conjunção por meio do bem e do vero, aí há o reconhecimento deles; pela significação dos ‘filhos’, que são os veros, ou as verdades (n. 489, 411, 533, 1147, 2623, 3773); e pela significação das filhas, aqui Raquel e Leah, que são as afeições das mesmas, isto é, as afeições dessas verdades (n. 3758, 3782, 3793, 3819). [2] Que ‘beijar’ signifique a conjunção proveniente da afeição, isso vem da correspondência. Com efeito, há uma correspondência do céu com todos os órgãos e todos os membros do corpo (do que se tratou ao fim dos capítulos). Há uma correspondência dos internos com todas as partes da face, daí o ânimo se mostra com brilho pelo rosto, e ânimo interior, ou mente, pelos olhos. Há também uma correspondência dos pensamentos e das afeições 348com as ações e os gestos do corpo, e se sabe que ela existe com todos os voluntários e também com todos os involuntários. Com efeito, a humilhação do coração produz a genuflexão349, que é o gesto externo do corpo, uma humilhação ainda maior e interior produz a prostração em terra; a alegria do ânimo e o regozijo da mente produzem o canto e o brado de triunfo; a tristeza e o luto interno produzem as lágrimas e os prantos, mas a conjunção proveniente da afeição produz o beijo. Por esse modo é evidente que tais atos externos, porque correspondem, são os sinais dos internos; e que neles, bem como nos sinais, há um interno do qual eles recebem a sua qualidade. Contudo, entre os que querem disfarçar os internos pelos externos, tais atos são também sinais, mais de dissimulação, de hipocrisia e de fraude, por exemplo, os beijos, pois, cada um, por beijos, quer significar que ama o outro de todo coração, pois sabe que os beijos vêm daí; e que eles pertencem à conjunção oriunda da afeição, e porque por esses beijos ele quer persuadir o próximo de que ele o ama por causa do bem que está nele, 350quando, todavia, é por causa de si, e para sua reputação e o seu ganho, assim, não para o bem, mas para o mal, porque aquele que considera a si como fim, não como fim intermediário para o bem, e quem quer ser conjunto com um outro quanto a esse fim, está no mal.