. ‘Epartiu. E Labão voltou ao seu lugar’; que signifique o fim da representação por Labão, é o que se vê pela significação de ‘voltar ao seu lugar’, que é retornar ao estado anterior. Que o lugar seja o estado, foi visto (n. 2625, 2837, 3356, 3387, 3404); daí vem que essas palavras signifiquem o fim da representação por Labão. Pelas coisas que foram demonstradas, pode-se ver que, na Palavra, todas e cada uma das coisas contêm coisas interiores, 351e que essas coisas interiores são tais que são adequadas à percepção dos anjos que estão com o homem, como, para exemplo, quando na Palavra se fala do pão, os anjos não sabem o que vem a ser o pão material, mas sabem o que é o pão espiritual; assim, em vez do pão eles percebem o Senhor, Que é o Pão da vida; Ele mesmo o ensina em João, 6:33, 35. E como em vez do pão eles percebem o Senhor, eles percebem também as coisas que procedem do Senhor, por conseguinte, o Seu amor para com todo o gênero humano, e então eles percebem ao mesmo tempo o amor recíproco do homem ao Senhor, pois essas coisas são coerentes em uma só ideia do pensamento e da afeição. [2] O homem que está no [estado] santo não pensa de outro modo quando recebe o pão da Santa Ceia, pois ele pensa então não a respeito do pão, mas do Senhor e de Sua Misericórdia, e também a respeito das coisas que pertencem ao amor a Ele e à caridade para com o próximo, porque ele pensa a respeito da penitência e da correção da vida; isso, porém, com variedade segundo o [estado] santo em que ele está não só quanto ao pensamento, mas também quanto à afeição. Por esse modo, é evidente que o pão, na Palavra, não apresenta a ideia de pão entre os anjos, mas apresenta a ideia do amor com inumeráveis coisas que pertencem ao amor. Do mesmo modo o vinho; quando se lê este na Palavra, e também quando ele é recebido na Santa Ceia, então os anjos não pensam de forma alguma no vinho, mas pensam na caridade para com o próximo; e porque assim acontece e daí vem o elo do homem com o céu e, pelo céu, com o Senhor, eis por que o pão e o vinho foram feitos símbolos, e unem o homem que está no [estado] santo da vida, com o céu e, pelo céu, com o Senhor. [3] O mesmo acontece com cada uma das coisas que estão na Palavra, por isso é que a Palavra é o meio que une o homem com o Senhor; que a não ser que esse meio de união existisse, o céu não poderia influir no homem; pois sem o meio não haveria nenhuma união, mas ele se afastaria do homem; que se o céu se afastasse ninguém poderia ser conduzido ao bem, nem sequer ao bem corporal e mundano, mas todos os vínculos, até os vínculos externos, seriam rompidos. Com efeito, o Senhor governa, pelos vínculos internos, que pertencem à consciência, o homem que está no bem; mas aquele que está no mal, Ele o governa somente pelos vínculos externos, que uma vez rompidos, cada um se arremessará a uma loucura semelhante a de quem não teme a lei, nem teme a sua vida, nem tem receio de perder a honra e o ganho, e, por conseguinte, a reputação, pois são esses os vínculos externos; assim o gênero humano pereceria. Por aí se vê claramente a razão por que há uma Palavra, e qual é a Palavra. Que a igreja do Senhor, onde está a Palavra, seja equivalente ao coração e equivalente aos pulmões, e a igreja do Senhor, onde não está a Palavra, seja equivalente às outras vísceras que vivem pelo coração e pelos pulmões, foi visto (n. 637, 931, 2054, 2853).