. Antes de tudo, é necessário dizer quais são os que estão dentro do Máximo Homem, e os que estão fora. Todos aqueles que estão no amor ao Senhor e na caridade para com o próximo, e que de coração lhe fazem bem segundo o bem que há nele, e que têm a consciência do justo e do equitativo, esses estão dentro do Máximo Homem, já que estão no Senhor, por conseguinte, no céu. Mas todos aqueles que estão no amor de si e no amor do mundo, e daí nas concupiscências e fazem o bem unicamente por causa das leis, de sua própria honra e das riquezas do mundo, e por causa da fama que daí obtêm, assim, aqueles que são interiormente sem piedade e vivem no ódio e na vingança contra o próximo por causa de si próprios e do mundo, e se deleitam com os seus danos quando não lhe são favoráveis, esses estão fora do Máximo Homem, porquanto estão no inferno; eles correspondem não a alguns órgãos e alguns membros no corpo, mas aos diferentes vícios e às diversas doenças que nele foram introduzidas, a respeito dos quais se tratará, pela Divina Misericórdia do Senhor, pela experiência. [2] Aqueles que estão fora do Máximo Homem, isto é, fora do céu, esses não podem nele entrar, já que as vidas são contrárias; ainda mais, se há alguns que ali somente entram, como acontece às vezes aos que, na vida do corpo, aprenderam a disfarçar-se em anjos de luz, mas quando ali chegam, o que às vezes é permitido para que se saiba quais eles são, mas eles são admitidos apenas na primeira entrada, isto é, somente para aqueles que são ainda simples e não plenamente instruídos, então esses que entram como se fossem anjos de luz, dificilmente podem demorar ali alguns momentos, porque ali há a vida do amor ao Senhor e do amor para com o próximo; e porque ali nada corresponde à vida deles, dificilmente podem respirar. (Que os espíritos e os anjos também respirem, n. 3884 a 3893). Daí eles começam a se angustiar, pois a respiração existe de acordo com o livre da vida; e, o que é admirável, dificilmente podem se mover, mas tornam-se como os que têm um peso de cabeça por causa de uma angústia e de um tormento que invadem os seus interiores; é por isso que eles se retiram dali se precipitando, e isso até o inferno onde eles recuperam a respiração e a mobilidade. Daí vem que a vida, na Palavra, é representada pela mobilidade. [3] Porém, aqueles que estão no Máximo Homem, esses estão no livre da respiração quando estão no bem do amor; mas mesmo assim eles se distinguem segundo a qualidade e a quantidade do bem, daí vem que há tantos céus, que na Palavra são denominados ‘moradas’ (João, 14:2). E cada um em seu céu está em sua vida, e tem o influxo que vem do céu inteiro. Cada um ali é o centro de todos os influxos, por isso está em perfeitíssimo equilíbrio, e isso segundo a forma estupenda do céu, que procede só do Senhor, assim, com toda variedade.