. ‘Jacó foi ao seu caminho’; que signifique o sucessivo do vero para ser conjungido ao bem espiritual e celeste, é o que se vê pela representação de ‘Jacó’, que é aqui o vero do natural. O que Jacó tinha representado foi dito antes, a saber, o Natural do Senhor; e porque, em toda parte onde se trata historicamente de Jacó, se trata, no sentido interno, do Senhor e do modo como Ele mesmo tornou Divino o Seu Natural, por isso Jacó primeiramente representou o vero ali, e depois o vero ao qual foi adjunto o bem colateral (que era Labão); e depois de tê-lo adjunto, então Jacó representou um tal bem; porém, tal bem não é o bem Divino no Natural, mas é o bem médio por meio do qual Ele pôde receber o Bem Divino. Jacó representou um tal bem quando ele [Jacó] se retirava de junto de Labão, mas esse bem em si mesmo é, entretanto, o vero, que por isso tem a faculdade de se conjungir com o Bem Divino no Natural. É um tal vero que Jacó representa agora. [2] No entanto, o Bem com o qual ele devia ser conjungido é representado por Esaú. Que Esaú seja o Divino Bem do Divino Natural do Senhor, foi visto (n. 3300, 3302, 3494, 3504, 3527, 3576, 3599, 3669, 3677). É dessa conjunção mesma, a saber, da conjunção do Vero Divino com o Bem Divino do Divino Natural do Senhor, que se trata agora no sentido supremo; pois depois que Jacó se retirou de junto de Labão e veio para o Jordão, assim, para a primeira entrada na terra de Canaã, começou a representar essa conjunção. Com efeito, a terra de Canaã, no sentido interno, significa o céu, e no sentido supremo, o Divino Humano do Senhor (n. 3038, 3705). Daí vem que por estas palavras, “E Jacó foi pelo seu caminho”, é significado o sucessivo do vero para ser conjungido ao bem espiritual e celeste. [3] Contudo, essas coisas são tais que elas não podem de modo algum ser expostas plenamente à compreensão [do homem]; a causa é porque as coisas muitíssimo gerais desse assunto são ignoradas no mundo erudito, até mesmo entre os cristãos, pois dificilmente se sabe o que é o natural no homem e o que é o racional, e que eles são inteiramente distintos entre si; e também dificilmente se sabe o que é o vero espiritual e o que é o bem desse vero, e que eles também são muitíssimo distintos; sabe-se ainda menos que o homem, quando está sendo regenerado, o vero é conjungido com o bem distintamente no natural e distintamente no racional, e isso por inúmeros meios; ainda mais, nem sequer se sabe que o Senhor fez Divino o Seu Humano de acordo com a ordem segundo a qual o Senhor regenera também o homem. [4] Quando, pois, essas coisas mais gerais são ignoradas, é inteiramente impossível que não pareça obscuro tudo que se disser sobre esse assunto. Não obstante, isso deve ser dito, pois de outro modo a Palavra não pode ser explicada quanto ao sentido interno; pelo menos se pode, por esse modo, ver o que é e qual é a sabedoria angélica, pois o sentido interno da Palavra é principalmente para os anjos.