Texto
. ‘Tornaram os mensageiros a Jacó, dizendo: Viemos ao teu irmão, a Esaú,e também vai a encontrar-te’; que signifique que o bem influi continuamente, a fim de que aproprie a si, a saber, os veros, é o que se vê pela significação do ‘irmão’, aqui Esaú, que é o bem, a saber, [o bem] do Divino Natural do Senhor, de que acima se tratou; e pela significação de ‘vir ao encontro’, que é influir, como vai ser explicado; e porque é o influxo, é a apropriação.
[2] Pelas coisas que antes foram ditas algumas vezes sobre esse assunto, pode-se ver como as coisas se passam em relação ao bem e ao vero e em relação ao influxo do bem no vero e a respeito da apropriação do vero pelo bem, a saber, que o bem influi continuamente, e que o vero recebe, pois os veros são os vasos do bem. O Divino Bem não pode ser aplicado a outros vasos senão aos veros genuínos, pois eles se correspondem mutuamente. Quando o homem está na afeição do vero, em que se está no começo, antes de ser regenerado, então o bem também influi continuamente, mas ainda não tem vasos, isto é, veros aos quais ele se aplica, isto é, aos quais ele é apropriado, pois o homem, no começo da regeneração, ainda não está nas cognições; mas então o bem, porque influi continuamente, produz a afeição do vero, pois a afeição do vero não vem de outra parte senão do esforço contínuo do Bem Divino para influir. Daí se pode ver que então o bem também está no primeiro lugar, e que ele atua de um modo principal, ainda que pareça que seja o vero; mas quando o homem está sendo regenerado, o que sucede na idade adulta, quando está nas cognições, então o bem se manifesta, pois então não se está do mesmo modo na afeição de saber o vero, mas se está na afeição de fazê-lo. Com efeito, o vero tinha estado anteriormente no entendimento, mas então ele está [agora] na vontade, e quando ele está na vontade, ele está no homem, porque a vontade constitui o homem mesmo. Tal é o círculo perene no homem, que tudo que pertence ao conhecimento e todo cognitivo são insinuados pela vista ou pelo ouvido no pensamento e, daí, na vontade, e desde a vontade, pelo pensamento, no ato; ou também procedem da memória, que é como o olho interno ou a vista interna, e por esta há um semelhante círculo, a saber, dessa visão, pelo pensamento, na vontade, e desde a vontade, pelo pensamento, no ato, ou se alguma coisa se opõe ao empenho em agir, logo que o obstáculo é afastado o efeito se produz no ato.
[3] Pelo que acaba de ser exposto, pode-se ver como as coisas se passam em relação ao influxo e à apropriação do vero pelo bem, isto é, que primeiro todos os veros que pertencem à fé são insinuados pelo ouvido ou pela vista e encerrados então na memória, e que daí eles são sucessivamente elevados para a cognição e, por fim, influem na vontade, e quando aí estão, procedem daí, pelo pensamento, ao ato, e se não podem passar ao ato, estão no esforço; o próprio esforço é o ato interno, pois todas as vezes que é dada a faculdade, ele se torna ato externo. Cumpre, porém, saber que esse é o círculo, mas ainda é o bem que produz esse círculo, porquanto a vida que procede do Senhor não influi senão no bem, portanto, por meio do bem, e isso desde os íntimos. Que a vida que influi por meio dos íntimos produza esse círculo, é o que cada um pode ver, pois sem a vida nada se produz; e como a vida que procede do Senhor não influi senão no bem e por meio do bem, segue-se que é o bem que produz e que influi nos veros e os apropria a si tanto quando se está nas cognições do vero e, ao mesmo tempo, tanto quando se quer receber.