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Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E tomou do que vinha em sua mão um presente para Esaú, seu irmão’; que signifique as coisas Divinas que devem ser iniciadas no bem celeste natural, é o que se vê pela significação de ‘tomar o que vem à mão’, o que foi obtido a partir daquelas coisas que foram providas, assim, as que vieram pela Divina Providência, e porque elas pertencem à Divina Providência, são Divinas; por isso, aqui, por ‘tomar o que vem em sua mão’ são significadas coisas Divinas; [vê-se também] pela significação de ‘um presente’, que é a iniciação (de que se tratará no que se segue); e pela representação de ‘Esaú’, que é o Divino Natural quanto ao bem (n. 3302, 3322, 3504, 3599), aqui, quanto ao bem celeste, porque o Natural ainda não foi feito Divino.
[2] Que ‘um presente’ signifique a iniciação, é porque foi dado para obter benevolência e graça; pois outrora os presentes que eram dados e oferecidos significavam diversas coisas; aqueles que eram dados ao aproximar-se de reis e sacerdotes significavam uma coisa, e os que eram oferecidos sobre o altar, outra: aqueles significavam a iniciação, mas estes, o culto (n. 349). Com efeito, todos os sacrifícios em geral, de qualquer gênero, eram chamados ‘presentes’; mas as minchas, que eram pão e vinho, ou bolos com libação, eram especificamente assim chamadas; pois, na língua original, mincha significa ‘presente’.
[3] Que eles deram presentes aos reis e sacerdotes ao se aproximarem deles, é evidente em muitas passagens da Palavra, como quando Saul consultou Samuel (1Sm. 9:7, 8); que aqueles que desprezavam Saul não lhe ofereceram um presente (1Sm. 10:27); quando a rainha de Sheba veio a Salomão (1Rs. 10:2); e também todos os outros de quem se diz:
“Toda a terra procurou as faces de Salomão para ouvir sua sabedoria; e cada um ofereceu o seu presente, vasos de prata, e vasos de ouro, e vestes, e armas, e especiarias, cavalos e mulos” (1 Reis, 10:24, 25).
E porque este era um ritual santo, significando a iniciação, também os sábios do oriente, que vieram a Jesus recém-nascido, trouxeram presentes: ouro, incenso e mirra (Mt. 2:11). O ‘ouro’ significava amor celeste; o ‘incenso’, o amor espiritual; e ‘mirra’, esses amores no natural.
[4] Que esse ritual foi ordenado, é evidente em Moisés:
“As faces de JEHOVAH não serão vistas vazias (Êx. 23:15; Dt. 16:16, 17);
e que os presentes dados aos sacerdotes e reis eram como se fossem dados a JEHOVAH, é evidente em outros lugares da Palavra. Que os presentes que foram enviados significassem a iniciação, é isso evidente pelos presentes que os doze príncipes de Israel enviaram para iniciar o altar depois que ele foi ungido (Nm. 7:1 ao fim); onde os seus presentes são denominados ‘a iniciação’ (ibid. vers. 88).

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