ac 4293

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. Que no sentido interno histórico, por ‘Pois como príncipe contendeste com DEUS, e com os homens, e prevaleceste’ é significado por causa da contumácia [ou persistência] deles em suas fantasias e em suas cobiças369, é o que se pode ver pela significação de ‘Deus’, e pela significação dos ‘homens’, que são os veros e os bens (n. 4287); essas mesmas expressões têm aqui o sentido oposto, porque neste sentido elas se dizem dos descendentes de Jacó, entre os quais, como acima foi demonstrado, não havia interiormente vero e bem, mas falsos e males; os falsos são fantasias porque pertencem às fantasias, e os males são as cobiças porque pertencem às cobiças.
[2] Que essa nação tenha insistido para que fosse representativa, isto é, a fim de serem eles próprios a igreja de preferência a todas as nações de todas as terras do planeta, foi visto acima (n. 4290); aqui também se entende que isso foi permitido por causa da sua persistência em suas fantasias e em suas cobiças. Ninguém pode saber quais são as suas fantasias e as suas cobiças, exceto aquele que teve na outra vida alguma conversação com eles; e isso me foi concedido para que eu soubesse. Com efeito, lá falei algumas vezes com eles. Mais do que todos os outros eles amam a si e amam as riquezas do mundo, e, além disso, mais do que todos os outros eles temem a perda da honra mundana e também a perda do ganho; por isso é que, ainda hoje, como outrora, eles desprezam todos os outros quando os comparam a si próprios, e buscam para si riquezas com uma intensíssima dedicação, e ainda mais eles são receosos. Como tal tinha sido essa nação desde os tempos antigos, eles podiam, melhor do que os outros, ser mantidos em um [estado] santo externo sem nenhum [estado] santo interno, e por esse modo representar na forma externa as coisas pertencentes à igreja. São essas as fantasias e essas as cobiças que produziram uma tal persistência [ou contumácia].
[3] Isso também aparece por muitas coisas que são lembradas a respeito deles nos históricos da Palavra. Depois de terem sido punidos, eles puderam estar em tal humilhação externa que nenhuma outra nação teria podido suportar, pois durante dias inteiros puderam ficar prostrados por terra, rolar-se ao pó, e só se levantarem no terceiro dia. Eles também puderam durante muitos dias prantear, andar companos de sacos, com trajes dilacerados, derramando cinzas ou pó sobre sua cabeça. Puderam, durante muitos dias, jejuar continuamente e durante esse tempo derramar abundantemente lágrimas amargas. Mas tudo isso provinha somente de um amor corporal e terrestre, e do temor de perder a preeminência e as riquezas mundanas, porquanto nada havia de interno que os afetasse, porque ignoravam absolutamente o que era o interno, e nem sequer queriam saber, por exemplo, que havia uma vida após a morte e que havia uma salvação eterna.
[4] Por esse modo é possível compreender que, por serem tais, era absolutamente necessário que eles fossem privados de todo [estado] santo interno, pois esse estado santo não concorda de modo algum com um tal estado santo externo; com efeito, esses estados santos são absolutamente contrários. Pode-se também perceber que eles podiam, melhor do que os outros, fazer o representativo da igreja, isto é, representar as coisas santas na forma externa, sem nenhum estado santo interno; e que assim, por meio dessa nação, pôde haver alguma coisa da comunicação com os céus (ver n. 4288).

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