Texto
. ‘E perguntou Jacó e disse: Declara, peço, o teu nome’ que signifique o céu angélico e a qualidade desse céu, é o que se vê pela representação de ‘Jacó’, que é o Senhor quanto ao Divino Natural, de que já se tratou; e pela significação de ‘Deus’, cujo nome ele perguntou, e também pela dos ‘homens’ (com os quais, como príncipe, contendeu e prevaleceu), que são os veros e bens, assim, aqueles que estão nos veros e bens (n. 4287); e porque o céu angélico é céu pelos veros e bens, é esse céu que é especificamente significado por Deus e os homens sobre os quais o Senhor prevaleceu. Muitas vezes na Palavra os anjos são também chamados deuses, e isso em razão dos veros e bens; por exemplo, em Davi:
“Deus está no ajuntamento de deus;370 no meio dos deuses tem julgado. [...] Eu disse: Vós [sois] deuses, e filhos do Altíssimo [sois] todos vós” (Salmo 82:1, 6);
onde se vê claramente que o ‘ajuntamento de deus’ e os ‘deuses’ são o céu angélico. No mesmo:
“Quem no éter se compara com JEHOVAH? Quem se assemelha a JEHOVAH entre os filhos dos deuses?” (Salmo 89:6).
No mesmo:
“Confesseis o Deus dos deuses; confesseis o Senhor dos senhores” (Salmo 136:2, 3);
daí se vê, também a partir disso, que ninguém pode contender com Deus como príncipe e prevalecer, e igualmente a partir disso, que aquele que é chamado Deus não queria revelar o seu nome; é bastante evidente que é o céu angélico com o qual o Senhor combateu. Que há aqui um arcano oculto, é o que se vê claramente por estas palavras mesmas: “Por que isto que perguntas pelo meu nome?” Com efeito, se tivesse sido JEHOVAH Deus, [Ele] não teria selado o Seu nome, nem a Jacó teria sido perguntado “O que é o teu nome”, pois perguntar pelo nome envolve um outro ou outros deuses além de Deus mesmo.
[2] Que o Senhor, nas tentações, por fim, tinha combatido contra os próprios anjos, e mesmo contra todo o céu angélico, é um arcano que ainda não foi descoberto. Mas com isso acontece assim: Os anjos na realidade estão na mais alta sabedoria e inteligência, mas toda sabedoria e inteligência que eles têm lhes provêm do Divino do Senhor; deles mesmos(ou do proprium) eles nada têm da sabedoria nem da inteligência; portanto, quanto mais eles estão nos veros e nos bens provenientes do Divino do Senhor, mais eles sabem e entendem. Que os anjos, por si próprios, nada tenham de sabedoria nem da inteligência, é o que eles abertamente confessam; ainda mais, eles se indignariam se alguém lhes tivesse atribuído alguma sabedoria e alguma inteligência, pois sabem e percebem que seria derrogar ao Divino o que é Divino e reivindicar para si o que não é deles, assim, incorrer no crime de furto espiritual. Os anjos também dizem que todo o proprium deles é o mal e o falso, tanto pelo hereditário como também pelo ativo no mundo quando eles eram homens (n. 1880), e que o mal e o falso não foram separados ou arrebatados deles, que assim eles não foram justificados, mas que com eles tudo permanece, mas que é pelo Senhor que eles se detêm afastados do mal e falso e são mantidos no bem e vero (n. 1581). Todos os anjos fazem essa confissão, e ninguém é admitido no céu a não ser que saiba e creia nessas coisas; de outro modo, com efeito, não é possível estar na luz da sabedoria e da inteligência que procede do Senhor, por conseguinte, não se pode estar no bem e vero. Daí também se pode saber como se deve entender que o céu não é puro aos olhos de Deus, como em Jó, 15:15.
[3] Porque é assim, o Senhor, para restabelecer todo céu na ordem celeste, admitiu também n’Ele tentações da parte dos anjos, que não estavam no bem e vero tanto quanto eles estavam no proprium; essas tentações são as mais íntimas de todas, pois atuam somente nos fins, e com uma tal sutileza, que ela não pode de modo algum ser notada; mas quanto mais eles não estão no proprium, tanto mais eles estão no bem e vero, e mais eles não podem tentar. Além disso, os anjos são continuamente aperfeiçoados pelo Senhor, e, todavia, eles jamais, em toda a eternidade, podem ser aperfeiçoados a ponto de sua sabedoria e sua inteligência poderem ser comparadas com a Sabedoria Divina e a Inteligência Divina do Senhor; com efeito, os anjos são finitos e o Senhor é Infinito, entre o finito e o Infinito não existe comparação. A partir disso, agora se pode ver o que se entende pelo deus com quem Jacó contendeu como príncipe, e também porque esse deus não queria revelar o seu nome.