. ‘Conforme passou Penuel’; que signifique o estado do vero no bem, é o que se vê pela significação de Penuel, que é o estado do vero no bem. Com efeito, oJabbok, que Jacó passou primeiro, quando entrou na terra de Canaã, era o que significa a primeira insinuação das afeições do vero (ver n. 4270, 4271); é agora Penuel que ele passa, daí vem que por Penuel é significado o estado do vero insinuado no bem. Trata-se também da conjunção do bem, e o bem não é o bem a não ser que nele haja o vero, pois o bem tem do vero a sua qualidade e também a sua forma a tal ponto que, o bem não pode ser chamado bem em nenhum homem se nesse bem não houver vero, mas o vero recebe desde o bem a sua essência e, consequentemente, a sua vida; e porque é assim e se trata da conjunção dos bens, trata-se também do estado do vero no bem. [2] Quanto ao que se refere ao estado do vero no bem, ele de fato pode ser descrito, mas ainda assim ele não pode ser compreendido senão pelos que têm a percepção celeste; [os outros] nem sequer podem ter uma ideia da conjunção do vero com o bem, pois o vero está na obscuridade para eles. Na realidade, eles chamam vero aquilo que aprendem pelos doutrinais, e bem aquilo que se fez segundo tal vero. Mas aqueles que têm a percepção, estes estão na luz celeste quanto ao entendimento ou quanto à vista intelectual, e são afetados dos veros que são conjungidos ao bem, assim como os olhos, ou a vista corporal, é afetada pelas flores nos jardins e nos prados durante a estação da primavera. E aqueles que estão em uma percepção interior, esses são afetados também como pelafragrância que delas exala. Tal é o estado angélico, por isso esses anjos percebem todas as diferenças e todas as variedades da insinuação de conjunção do vero no bem, assim, de coisas infindas, em comparação com o homem, pois o homem nem sequer sabe que haja alguma insinuação e alguma conjunção, e que é por esse modo que o homem se torna espiritual. [3] Contudo, para que se tenha alguma noção sobre esse assunto, é necessário dizer a esse respeito umas poucas palavras: Há duas coisas que constituem o homem interno, a saber, o entendimento e a vontade; ao entendimento pertencem os veros, e à vontade, os bens, pois o que o homem sabe e entende que seja assim, isto ele chama de vero; e o que ele faz pelo querer, assim, o que ele quer, isto ele chama bem. Essas duas faculdades devem fazer um. Pode-se ilustrar isso por uma comparação com a vista dos olhos, e com o ameno372 e o prazeroso que são apercebidos por essa vista. Quando os olhos veem objetos, eles apercebem o ameno e o prazeroso que daí resultam segundo as formas, as cores e, por conseguinte, segundo as belezas no conjunto e nas partes, em uma palavra, segundo a ordem ou as disposições em séries. Tal ameno e prazeroso pertencem não aos olhos, mas à disposição da mente[animi] e à sua afeição. E quanto mais o homem é afetado por eles, tanto mais os vê, e tanto mais a memória os retém; as coisas, porém, que os olhos veem por uma afeição nula, escapam e não ficam plantadas na memória, assim, não lhe são conjungidas. [4] Daí é evidente que os objetos da vista externa são implantados segundo o ameno e o prazeroso das afeições, e que eles estão nessa amenidade e nesse prazer, pois quando uma semelhante amenidade ou um semelhante prazer torna a aparecer, tais objetos também voltam, igualmente quando objetos semelhantes voltam, uma tal amenidade e um tal prazer voltam também, com variedade segundo os estados. Dá-se o mesmo com o entendimento, que é a vista interna; os seus objetos são as coisas espirituais e chamam-se veros, o campo desses objetos e a memória, a amenidade e prazer dessa vista é o bem; assim, é no bem que são semeados e implantados os veros. Daí se pode ver, de alguma maneira, o que é a insinuação do vero no bem, e a conjunção do vero no bem; e também o que é o bem de que aqui se trata, a cujo respeito os anjos percebem tantas coisas inumeráveis quando o homem dificilmente percebe alguma coisa.